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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Diversos Versos, Inversos e Reversos #34

                                                                                  

Primavera
Cecília Meireles

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.


Cada um de nós, à sua maneira, extrai da vida a poesia que nos cabe.

Abraços Literários, beijos poéticos, flores para perfumar o caminho e até a próxima.




segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Onde Está Segunda? (What Happened to Monday?)

                                                                                


Sinopse- Em um mundo onde só filhos únicos são permitidos, irmãs sétuplas só terão uma chance se fingirem que são uma só pessoa.

Quando se trata de uma distopia, na maioria das vezes há sempre o mesmo plot na construção da história e dos personagens, e dá-lhe separação por classes, habilidades e jogos.
No caso de Onde Está Segunda?(What Happened to Monday?), surpreendentemente a trama não envereda por esses caminhos, o filme traz a dosagem exata de suspense e ação.
O filme se passa num futuro próximo, 2073, onde devido a escassez de alimentos, é praticada a política do filho único, criada por Nicolette Cayman (Glenn Close), e as famílias que possuem mais de um tem os “excedentes” recolhidos pelo governo e levado para congelamento com a promessa de retorno quando as coisas melhorem no mundo.
Nesse meio tempo, Karen Settman dá a luz a sétuplas idênticas, morre durante o parto e seu pai, Terrence Setman (Willem Dafoe) cria as netas em segredo, dando a cada uma delas, o nome de um dia da semana para facilitar a identificação das garotinhas.
                                                                             


As sete irmãs são criadas e treinadas pelo avô para sobreviverem com uma só identidade oficial, a da mãe.
O problema começa quando já adultas (Noomi Rapace), uma delas, Segunda, desaparece no retorno para casa após o expediente de trabalho e as outras seis, preocupadas, se veem obrigadas a procurar pela irmã, numa busca e investigação por conta própria, enfrentando obstáculos que podem ser fatais, ao mesmo tempo em que tentam se esconder do governo.
A proposta é beeeeem bacanuda e o desenvolvimento do roteiro cumpre com o prometido.
Onde Está Segunda? tem ritmo ágil introduzindo as personagens e as regras do governo de maneira simples e então salta para o plot principal de um jeito tão inteligente que você não vê o tempo passar apesar de ter cerca de 2 horas de duração.
Sabemos somente o necessário sobre elas (suficiente para criar empatia, como não torcer por Quarta ou se emocionar com Sexta?), o treinamento e a tática de sobrevivência, o que foi um determinante para não ficar cansativo.
A atuação de nossa protagonista é excelente, quase um filme de uma só pessoa, no caso sete, já que é possível diferenciar com facilidade as irmãs, na forma de falar, de vestir, nos olhares e no comportamento.
Como toda história que envolve pessoas em um governo distópico, Onde Está Segunda? entra rápido no clima de perseguição fazendo com que a ansiedade chegue na hora e na medida exata.
Com o desaparecimento de Segunda, vemos que as regras do governo vão além do que imaginávamos, conhecemos conspirações e jogos de poder.
A grande sacada do filme é revelar aos poucos mesmo que o público fique roendo as unhas de ansiedade aguardando pelo transcorrer da trama.
Os personagens secundários são inseridos de modo discreto apesar de relevante.
Para alguns, determinadas situações ficam meio previsíveis já na metade do filme, mas isso não atrapalha em nada, porque o enredo te prende bem do comecinho até os créditos finais subirem.
Além da ação ainda tem umas pitadas de humor e drama num roteiro bem costurado com um final satisfatório.

Onde Está Segunda? é mais um acerto cinematográfico do streaming Netflix, uma mistura de sci-fi com distopia, muita ação, suspense e atuações convincentes.

Abraços Literários e até a próxima!



sábado, 16 de setembro de 2017

O Guardião Invisível-

                                                                              

Suspense policial que mistura ação e thriller psicológico numa narrativa interessante já que os assassinatos não são exclusivamente o plot abrindo espaço para acontecimentos e conflitos paralelos que em determinado momento se tornam mais interessantes que a premissa.
Com uma narrativa em terceira pessoa, acompanhamos as investigações de uma série de assassinatos cometidos em uma pequena cidade, chamada Elizondo, que têm em comum o fato de terem sido praticados contra garotas e ter em cada cena do crime montado um ritual.
A investigadora Amaia Salazar, uma mulher corajosa, decidida, inteligente e perspicaz, mas que apresenta um lado vulnerável, mostrado em flashes de sua infância, é colocada como chefe das investigações e precisa voltar a sua terra natal, lugar do qual ela se mantém o mais distante possível, fugindo dos fantasmas do seu passado.
Na trama são apresentados pontos de vista de diferentes personagens.
Como ninguém viu nada fora do comum, não ouviu nada diferente e ninguém tem motivos para ser suspeito, as investigações não evoluem e as pessoas começam a crer que o assassino seja um ser mítico chamado Basajaun.
Quem é Basajaun, onde ele está e principalmente porque cometeria esses crimes são as perguntas que permeiam o enredo do livro.

Um basajaun é uma criatura, espécie de homem de uns dois metros e meio de altura, com costas largas, longa cabeleira e bastante pelo por todo o corpo. Vive nos bosques, dos quais faz parte e nos quais atua como entidade protetora. Segundo as lendas, ele cuida para que o equilíbrio do bosque se mantenha intacto. E, embora não se mostre muito, costuma ser amistoso com os humanos.”

O que é real e o que é fantasia?
O livro trata bastante sobre a cultura basca, sua culinária, lendas e costumes mostrando alguns dos elementos da mitologia basco-navarra com a singularidade de trabalhar as crenças do povoado que de certa maneira influenciam até mesmo a protagonista que é racional e científica.
Os bascos, cuja história é coberta de mistérios, são um grupo étnico que habita parte do norte da Espanha e são nativos de Navarra. Quem gosta dessa pegada mítica vai gostar bastante da leitura.
O livro apresenta ainda um pouco da relação de Amaia com as irmãs e a tia, intercalando passagens de sua infância e sua conturbada relação com a mãe, trazendo relatos aterrorizantes.
A narrativa é fluída, instigante e envolvente.
A autora escreve de forma que prende a atenção e apesar de algum excesso de texto descritivo, a investigação segue de forma que tudo fica bem encaixado como em um quebra-cabeças onde cada peça está exatamente onde deveria estar e nenhuma outra se encaixaria tão bem ali.
São descritas também muitas informações técnicas de como são realizadas as investigações criminais.
Só no finalzinho do livro dá para desconfiar quem é o criminoso, ainda assim fiquei em dúvida, o que equivale a dizer que fui sim surpreendida.
Por ser uma trilogia, fica a expectativa para a continuação, mas esse final fecha o ciclo dos assassinatos.

                                                                        


A adaptação literária já entrou no catálogo brasileiro da Netflix.
Os espanhóis mandaram muito bem nas telonas trazendo a trama policial intrigante que vale muito a pena ser conferida.
Como no livro o thriller policial investigativo traz muitos elementos de um bom suspense.
A detetive Amaia Salazar é interpretada pela atriz Marta Etura, de Enquanto Você Dorme.
A direção de Fernando González Molina é boa mantendo o clima e conduzindo o competente elenco de forma exemplar. Também acertou a mão ao explorar só o necessário sem se tornar cansativo o que resultou em um filme bem feito e bem produzido, com excelente fotografia e muito bem inserida no contexto.  
Para quem está familiarizado com o gênero talvez não haja grandes surpresas nem maiores emoções, mas tem seu valor cultural e não deixa de ser uma boa opção de circuito alternativo.


Abraços Literários e até a próxima.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O Sorriso da Hiena-

                                                                                 


Inicialmente uma publicação indie do autor nacional Gustavo Ávila, o livro agora lançado pela Verus, tem uma narrativa eletrizante começando com uma cena de assassinato complexa e intrigante.

Sinopse- Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitável psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana. Porém, a proposta feita pelo misterioso David coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral.
Até onde ele será capaz de ir? É possível justificar um ato de crueldade quando, por trás dele, há a intenção de fazer o bem?


William, um renomado psicólogo infantil, cuja tese de doutorado (que nunca saiu da teoria) que  o tornou famoso,  estuda  a relevância dos eventos violentos na vida de uma criança.

David, um serial killer, que assistiu o assassinato dos pais quando tinha oito anos, e agora repete com outras famílias o que foi feito com a dele com o objetivo de descobrir se elas se tornarão pessoas de bem ou se cometerão crimes bárbaros como ele.
Ele se tornaria o que é  sem nenhuma relação com o que aconteceu?
Ou o que aconteceu influenciou seu comportamento e personalidade?

Artur, o investigador que foi  designado a desvendar o crime de uma criança obrigada a assistir o assassinato dos pais.
À medida que outros assassinatos iguais acontecem, então precisa correr contra o tempo para desvendar a identidade do assassino. 
Famoso por seus feitos e pelo seu jeito peculiar devido a síndrome de Asperger (estado do espectro autista com maior adaptação funcional, pessoas com esta síndrome são socialmente inábeis e possuem interesses obsessivos em certos assuntos, no caso dele é a obsessão por romances policiais) inteligente demais e sociável de menos, é sem dúvida o melhor personagem do livro.

Bete, policial amiga de Artur, que também está investigando o caso, consegue uma pista: as famílias das vítimas recebiam rosas brancas após os crimes.

William, devido a sua experiência, é indicado para ajudar a polícia na captura do criminoso.
Mas  a polícia não é a única interessada na aptidão do psicólogo.
O responsável pelo crime ocorrido e por outros que se seguirão também entra em contato com ele fazendo uma proposta:  vai repetir com cinco crianças o que aconteceu com ele, e “dará” a William “material” para analisar,  acompanhar o crescimento delas e verá o tipo de impacto isso causará.

“A proposta de David era cruel e ele nunca havia imaginado compactuar com algo assim, mas  não conseguia deixar de pensar que poderia realmente tirar algo de bom disso. Se ele iria continuar matando,  por que não usar o mal para fazer o bem?”

A trama é perturbadora, levanta questões morais, expõe de maneira crua a maldade humana e você se questiona o tempo todo sobre as decisões que os personagens tomam.

“ Eu não quero fazer um curativo no dedo, eu quero…tirar o corte da faca.”

O Sorriso da Hiena é  uma mistura de gênero policial investigativo com thriller psicológico, instigante com muita coisa acontecendo bem rápido.

O livro é bom e eu gostei, a escrita do autor é fluída e quando vc começa ler não consegue parar até terminar, mas tem furos no roteiro que não passa despercebido num thriller investigativo.
Como uma policial vai sozinha até a casa do suspeito?
Porque testemunhas que poderiam descrever  o assassino não são interrogadas?
Parte-se do pressuposto da constante, mas porque  o estudo das variantes não é levada em consideração?
Algumas pistas são bem óbvias, como por exemplo, como o William chega até uma das crianças que teve os pais assassinados antes da polícia saber do crime?

O final do livro pode não agradar a todos, mas não há como negar que se vista por uma perspectiva imparcial o desfecho estava lá desde o início, afinal não conseguir discernir entre o bem e o mal, é no mínimo um sério problema de conduta.

A Globo comprou os direitos de adaptação então vem por aí um filme ou uma série.

Abraços Literários e até a próxima.




sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Depois Daquela Montanha-

                                                                                  


Sinopse: O Dr. Ben Payne acordou na neve. Flocos sobre os cílios. Vento cortante na pele. Dor aguda nas costelas toda vez que respirava fundo. Teve flashes do que havia acontecido. Luzes piscavam no painel do avião. Ele estava conversando com o piloto. O piloto. Ataque cardíaco, sem dúvida.  Mas havia uma mulher também – Ashley, ele se lembra. Encontrou-a. Ombro deslocado. Perna quebrada. Agora eles estão sozinhos, isolados a quase 3.500 metros de altitude, numa extensa área de floresta coberta por quilômetros de neve. Como sair dali e, ainda mais complicado, como tirar Ashley daquele lugar sem agravar seu estado? À medida que os dias passam, porém, vai ficando claro que, se Ben cuida das feridas físicas de Ashley, é ela quem revigora o coração dele. Cada vez mais um se torna o grande apoio e a maior motivação do outro. E, se há dúvidas de que possam sobreviver, uma certeza eles têm: nada jamais será igual em suas vidas.
Publicado em mais de dez países é uma história que vai reafirmar sua crença na vida e no poder da esperança e do amor.


Depois daquela montanha, de Charles Martin,  conta a história de Ben e Ashley, duas pessoas unidas pelo destino e por uma tragédia.
Ben, um renomado cirurgião ortopedista voltando para casa depois de participar de uma convenção, está no saguão do aeroporto quando conhece  a jornalista Ashley.
Como uma mudança no tempo cancela seu voo, ele querendo chegar o mais rápido possível em casa, decide fretar o avião do simpático  piloto Grover e oferece uma carona a apressada Ashley que está prestes a se casar.
Grover, seu cachorro, Ben e Ashley decolam e o que era para ser uma viagem rápida se torna uma tragédia. O piloto tem um mal súbito e falece, pousando antes o avião.
 Ben e Ashley sobrevivem, mas ela tem graves ferimentos e não consegue se locomover.
 Como nenhuma autoridade foi informada sobre o voo, esperar  pelo resgate não é uma opção.
A partir daí, sozinhos, quase sem suprimentos, numa paisagem inóspita em meio a geladas montanhas, eles lutam para sobreviver, estabelecendo vínculo, compartilhando vivências e segredos que nunca mais serão esquecidos, buscando uma estratégia de se salvarem e encontrarem a saída antes que seja tarde demais.

Mais que um livro sobre tragédia que une pessoas, é um convite à reflexão apresentando superação de limites com sensibilidade e inspiração.
Com ritmo às vezes sufocante, mas sempre cativante, a narrativa acompanha o trauma do acidente, as dores físicas e emocionais  e a construção da relação.
Digno de nota esclarecer que não é um romance, mas uma relação de cumplicidade e autoconhecimento, resistência física e mental, onde a luta pela vida e a esperança em se salvarem, vai além da sobrevivência, estabelecendo um processo de aceitação e transformação interior.

Os protagonistas são bem construídos e conseguem criar laços com o leitor, o que é difícil num livro só com diálogos entre dois personagens.
Aos olhos de Ben, acompanhamos o que está acontecendo com eles naquela jornada e, em paralelo, ouvimos as gravações que o médico faz para a sua esposa.
E Napoleão, o cãozinho do piloto, deu um toque especial à trama. E é incrível pensar na falta que ele faria se a autora não o tivesse incluído.

O livro tem uma diagramação simples, sem erros e com uma capa simples e bonita.
O enredo é sensível, inspirador, envolvente e inteligente, onde tudo acontece de maneira gradual e natural.
A narrativa é fluída e você lê de uma sentada.

Gostei bastante apesar de achar os possíveis desfechos previsíveis.
O livro tem um F maiúsculo de fofura e chega às telonas com Idris Elba e Kate Winslet como Ben e Ashley.

                                                                                  



Abraços Literários e até a próxima.




terça-feira, 29 de agosto de 2017

Café Craft: DIYs

                                                                                 


Oieeeeeee pessoas lindas hoje vou mostrar mais alguns fofíneos DIYs!

                                                                                


Esses lindinhos amigurumis, bichinhos de “pelúcia” feitos de crochê, em formato de cacto que achei muito amorzinho <3 que vcs conferem na Manequim (aqui) e em vídeo no Programa Arte Brasil (aqui).
Olha como ficam lindinhos!
Fiquei apaixonada por esse orelha de Mickey/Minnie <3


                                                                                   

Esse simpático tubarão cobertor cujos moldes e medidas  deixo aqui, é só clicar nas imagens que aumentam, mas vcs encontram vários na internet.
                                                                       

A minha intenção era fazer para os  meus sobrinhos e meus filhos peludos de quatro patas, masssssssss então, contudo, todavia, porém como podem  ver o tamanho do tecido que eu tinha não deu, serviu para o bicho de pelúcia não passar frio, assim como a boina :p                                                         


PAP da boina de feltro vcs conferem (aqui).
                                                                                

                                                                                                                                                               



Por fim,  esses  marcadores de páginas “feltros com carinho” facinhos de fazer.
Desenhe ou copie o molde num papel grosso, passe para o feltro, corte e costure.
A dica peguei lá no blog da lindona da Érika do Nada de Conto de Fadas, que fez essa ursinha fofínea que vcs conferem (aqui).

                                                                                   


Tem também esse modelo de canto no gif autoexplicativo.
Fácil siiiiiiim,  porque se eu consegui fazer vcs  vão arrasar!!!!
Ele está disponível em vários bogs, peguei ele no GeraçãoCulturaPontoCom (aqui).
E vcs encontram muitos moldes fofurosos no Maria Dobradura (aqui).

                                                                                  



E aí qual vcs mais gostaram?????

Abraços literários e até a próxima.


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Caneca Literária #44: Rogue One- Uma História Star Wars


Rogue One: Uma História Star Wars-  O Spin-off perfeito da franquia !



Sinopse: Como último recurso na tentativa de impedir que o terror promovido pelo império se alastre por toda a galáxia,  um peculiar e inusitado grupo de pessoas se unem à aliança rebelde para interceptar os planos de construção da mais poderosa arma de destruição do inimigo, a Estrela da Morte.
Sem a presença dos Jedis, a sinopse oficial diz que o filme “aproxima pessoas comuns que escolheram fazer coisas extraordinárias e que, ao fazê-las, tornaram-se parte de algo maior do que elas mesmas”.
                                          
                                       

A Disney, quando adquiriu a franquia Star Wars,  se comprometeu a expandir o universo; “fantasia” é a especialização da Disney e convenhamos que apesar da pegada sci-fi, é isso que Star Wars entrega ao seu público: fantasia (e esperança) da melhor qualidade.
Este não é o episódio VIII da saga, a continuação da aventura retomada em 2015, em O Despertar da Força.
Rogue One é o primeiro filme de uma série intitulada “Histórias de Star Wars” que traz novos ares já que tratam de histórias paralelas (serão três exibidos intercalados com os três episódios oficiais).
Nesse filme retornamos  à ambientação original da saga, mas com licença poética para explorar o  mais distante horizonte, sendo assim o diretor Gareth Edwards,  contando com um elenco afinado e um roteiro redondo, saiu do óbvio.
Felicity Jones interpreta a rebelde Jyn Erso que ao lado de Diego Luna (Cassian Andor, aqui vamos abrir mais um e absolutamente necessário parêntese (eu amoooooo Diego Luna)) são os protagonistas com pontos de partida relativamente obscuros, instigantes e com grande potencial que formam a liderança do inusitado grupo rebelde, cheio de nuances clássicas e novas reflexões, compostos por Donnie Yen, Riz Ahmed (que literalmente roubou a cena), Jiang Wen e Alan Tudik (como a voz do Droid K2SO).
Não há  destaque de atuação de nenhum personagem em especial, pois  a ideia é dar unidade ao grupo.
E essa composição da missão Rogue One é de um bom gosto incrível.
O filme conta também com pequenas, mas excelentes participações de Mads Mikkelsen e Forest Whitaker. Ben Mendelsohn fica com o papel de vilão e o comando do projeto da Estrela da Morte.
Darth Vader fica num condizente segundo plano, mas, imponente e temível como de costume.

No quesito visual, ponto mais marcante da saga, ganhou requinte com o uso das novas tecnologias em efeitos visuais e honraram a ideia original de seu criador George Lucas.
Tais técnicas nos veículos e naves fazem com que tudo funcione perfeitamente.
 O figurino, na aliança rebelde e nas forças imperiais, está um escândalo de maravilindoooo.
Com o uso, na medida exata de pós-produção, histórias são contadas de maneira efetiva e o universo fica mais rico com novos planetas e sistemas.
Uma das principais assinaturas de Star Wars, as batalhas, por terra ou aéreas foram um  deleite visual, muito bem construídas, em grandes escalas e em diferentes níveis.
Rogue One é um verdadeiro presente  para os fãs do universo Star Wars pela sensibilidade com que compôs alinhavos com os demais eixos da saga,  pela coragem de ousar uma muitíssimo bem elaborada história menor (e por não terem tido medo de matar personagens),  pela grandiosidade de honrar quem é apaixonado pelo contexto. Uma pena que o Oscar não o inseriu entre os melhores do ano (foi indicado por mixagem de som e efeitos visuais).
        

Uma das cenas mais lindasssssssssss de todos os filmes juntos está em Rogue One que enquanto obra isolada é excelente e como spin-off  é mais do que um dos melhores da franquia, é perfeito!

 Recomendadíssimo!


 Abraços Literários e até a próxima.




terça-feira, 22 de agosto de 2017

5º Aniversário do Blog-

                                                                                   


Leitores e amigos, hoje o nosso bloguito comemora seu 5º aniversário <3
Escrevemos sobre o que amamos: livros!
E acompanhados de uma xícara de delicioso cafezinho.

Os livros são a forma mais eficaz que a humanidade encontrou para adquirir, armazenar e transmitir conhecimento.
Eles se tornaram ao longo da história, um meio de instigar, estimular os limites da memória, inteligência e imaginação.
Lineares como o tempo, íntimos como os pensamentos e portáteis como nossas roupas.
Houve quem quisesse queimá-los em praça pública em nome de crenças religiosas ou políticas, quem quisesse transformá-los em antiquados ou irrelevantes no agitado mundo moderno.
Mas os livros resistiram a todo tipo de ameaça.
As palavras continuarão sendo escritas e lidas, construindo páginas e histórias.
O hábito de leitura é uma das melhores maneiras para obtermos informação, companhia, lazer e cultura.

                                                                


A melhor maneira de celebrar esses 5 anos  é deixar registrado o nosso muito obrigado aos leitores, aos amigos conquistados e aos internautas que passam por aqui para nos visitar.
Gratidão!

E o nosso cantinho virtual de leitura segue na certeza de que fizemos o melhor, com a promessa de que esse ano vai ser ainda mais especial!

Abraços Literários!





quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Caixa de Pássaros-

                                                                                  


Sinopse:  Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor sem fôlego.
Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento  que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas.
Quatro anos depois de tudo ter começado, restaram poucos sobreviventes, incluindo Malorie e seus dois filhos pequenos. Morando numa casa abandonada próxima ao rio, ela sonha há tempos em fugir para um local onde sua família possa ficar em segurança. Mas a jornada que têm pela frente será assustadora: 32 quilômetros rio abaixo em um barco a remo, vendados, contando apenas com a inteligência de Malorie e os ouvidos treinados das crianças. Uma decisão errada e eles morrem.
E ainda há alguma coisa os seguindo. Será que é um homem, um animal ou uma criatura desconhecida?


Caixa de Pássaros é o romance de estreia de Josh Malerman, que apresenta a pergunta que não quer calar: "O que te dá medo?".
O verdadeiro terror que o autor explora é o medo do desconhecido, do que não vemos, mas  está lá e assombra. Não é um livro de  ação nem “sangue”, mas o clima de terror psicológico está lá incutido  do início ao fim e se infiltra pelas beiradas, assombrando com barulhos e sensações.
A história narrada em terceira pessoa acompanha nossa protagonista Malorie no presente e há quatro anos,  quando os surtos tiveram início.
Os capítulos são alternados entre dois tempos da narrativa e em determinado momento convergem para o final.
É interessante como o autor explorou a narrativa alternada entre passado e presente, pois já sabemos, de certa forma, o que vai acontecer, e nem por isso o suspense é quebrado.
Tudo começa com rumores, um incidente aqui e outro ali, que parecem casos isolados, mas  começam a se espalhar por vários pontos do planeta.
 Alguém tem um acesso de loucura, ataca quem estiver próximo e depois se mata.
E aparentemente o surto começa quando a pessoa vê alguma coisa. 
Ninguém sabe dizer o quê, afinal quem viu está morto agora.

                                                                                  


“Não abra os olhos.”

Ninguém mais sai de casa e todos cobrem janelas com lençóis escuros e tábuas.
As autoridades somem; TV e internet não funcionam;  não há luz nem telefone.
E há escuridão. Não há mais como sair sem estar vendado ou de olhos bem fechados. Não há mais como viver sem medo de abrí-los e ver algo que não deveria.
O que seriam estas coisas que traziam loucura para quem os olhasse?

Misturando suspense psicológico e drama o autor nos mostra as facetas dos personagens, e como a ruína do mundo exterior os  afeta.
A tensão  não se deve apenas ao medo do que está lá fora, mas o medo da fome, da insanidade se infiltrando aos poucos na mente de cada um deles.

"Ela imagina a casa como se fosse uma grande caixa. Quer sair daquela caixa [...]  O mundo está confinado à mesma caixa de papelão que abriga os pássaros lá fora.”

A narrativa tem um bom desenvolvimento assim como a construção dos personagens.
O leitor se sente preso àquela caixa de pássaros, vendado, e angustiado por não poder ver e se debatendo para entender.

“O homem é a criatura que ele teme.”

Há quem diga que a narrativa tem a pegada das  obras de J-Horror, um estilo de obras de terror da cultura popular japonesa, célebres por suas temáticas e tratamento característico do gênero priorizando o terror psicológico e a construção de tensão  por antecipação. Não acho que  seja do gênero J-Horror.
Há quem diga que lembra a memorável obra-de-arte Os Pássaros de Alfred Hitchcock. 
Onde resumidamente temos a protagonista Melanie  chegando a uma ilha chamada Bodega Bay  quando é inexplicavelmente atacada por uma gaivota.
 Inesperadamente, milhares de pássaros aparecem na cidade numa terrível série de ataques. Logo os personagens  estão lutando por suas vidas contra uma força mortal que não pode ser explicada nem detida, num dos filmes mais horripilantes de natureza sem controle da história de Hollywood.
Não acho que lembre o filme, lá sabemos que quem ataca são “Os Pássaros”.

É preciso se conectar com a narrativa,  ter em mente que os personagens, principalmente Malorie,  que conduz a história, não sabe o que está acontecendo.
Esse terror que se esgueira, que espreita, que ameaça de forma indireta foi  mais aterrorizante do que algo explícito.

É um livro que explora o medo de uma forma visceral expondo o que há de mais primitivo no ser humano. 
Você lê de uma sentada não consegue largar a leitura ansiosa pelo desfecho.
Masssssssss se você gosta de livros com finais redondinhos e que não deixam pontas soltas,  talvez esse livro não seja para você.
Vai ter adaptação na Netflix com Sandra Bullock como protagonista.


E aí eu te pergunto o que te dá medo??????

Abraços Literários e até a próxima.


domingo, 13 de agosto de 2017

Feliz Dia dos Pais-




Parabéns a todos os papais!


As mãos do meu Pai

As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos...
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
ah, como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.
E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas...
essa chama de vida — que transcende a própria vida...
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma...

(Mário Quintana)


Feliz Dia dos Pais!!!!


Abraços Literários, beijos poéticos e até a próxima.



quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Cine Clube #30: Pets - A Vida Secreta dos Bichos

                                                                                 


Sinopse: Max é um cachorro doméstico que mora em um apartamento de Manhattan. Quando sua querida dona traz para casa um novo cachorro chamado Duke, Max não gosta nada, já que seus privilégios parecem ter acabado. Mas logo eles vão ter que pôr as divergências de lado quando um incidente coloca os dois na mira da carrocinha.
Enquanto tentam fugir, os animais da vizinhança se reúnem para o resgate, e uma gangue de bichos que moram nos esgotos se mete no caminho da dupla.

 Quem nunca ficou curioso em saber o que seu pet faz em casa quando está sozinho????????
Pets apresenta uma resposta de maneira original e divertida.

                                                                                 


Da Universal Pictures, o mesmo estúdio de Meu Malvado Favorito, a trama apresenta Max, um cãozinho de estimação que se acha o cão mais sortudo da cidade e possui um amor incondicional por sua tutora.

                                                                              


Por mais que seus amigos aproveitem a ausência dos humanos das maneiras mais improváveis e impossíveis, Max está sempre preocupado em esperar pelo retorno de Katie. No entanto, tudo muda quando ela decide adotar outro cão, Duke.
Como Max estava acostumado a ter toda a atenção de Katie, ele não fica nada feliz com essa novidade e decide fazer de tudo para tirar o novo “irmão” de cena.
E é colocando em prática um plano para se livrar de Duke, abandonando-o em uma praça, que ambos acabam entrando em uma tremenda confusão.

                                                                                 


Numa “cãominhada” com o dog walker eles se perdem dos amigos e encontram uma gangue de animais que foram abandonados por seus donos e vivem no esgoto liderados por um malvado e vingativo (e fofiiiiiiiiinho, fofuroso e fofis) coelho, o Snowball.

                                                                                


Liderados por Gidget, uma meiguinha e fofíssima cadelinha apaixonada por Max, os amigos do cãozinho decidem formar uma equipe de resgate.
A equipe formada por três cães, (Buddy, um daschund sarcástico; Mel, um pug bipolar e Pops, um basset hound idoso e paraplégico), Tibérius um gavião ameaçador, Chloe, uma gata obesa e entediada; um hamster e um passarinho, é responsável pelas cenas mais engraçadas do filme.
O filme diferente de animações que são direcionadas para pessoas de todas as idades tem como foco os pequenos, mesmo assim é impossível não se apaixonar pela película.
Uma das grandes vantagens é que os personagens são cativantes  e suas características são construídas de uma maneira muito fiel ao que estamos acostumados a ver em nossos pets. Os cachorros, carinhosos, leais e cheios de energia perseguindo bolinhas e  extasiados com a chegada dos donos; os gatos que não estão nem aí para nada e agem como querem (até encontrar um pontinho vermelho de luz para perseguir); os pássaros sanguinários e os dóceis canarinhos;  todos andando livremente e desfrutando suas casas enquanto estão sozinhos, sem  nenhuma supervisão.
E isso gera identificação, criando um laço de afeto entre o telespectador e os animais.
A narrativa é ágil,  fluída e algumas tiradas são bem divertidas.
Há quem diga que tem uma pegada similar a de Toy Story (Max no lugar de Woody, Buzz no de Duque e ao invés de brinquedos, vários animalitos da vizinhança, perdidos acidentalmente na cidade realizando um resgate.
Também tem um Q de Meu Malvado Favorito onde a mensagem é a de que família e amigos são o que realmente importa por menos tradicionais que sejam.
Aliás, esse é um filme para ser visto em família, com os pets todos reunidos, porque você vai  apertá-los em abraços esmagadores e cobri-los de beijos estalados.
Pets  cumpre o prometido no quesito entretenimento.
E depois do filme render mais de $100 milhões de dólares no final de semana de estreia nos EUA, a segunda aventura dos pets já está confirmada e deve chegar aos cinemas em 2018.
É difícil encontrar uma falha no longa que já nas cenas iniciais conquista o espectador com uma trilha sonora envolvente, marcando ritmo e apresentando o cenário da movimentada cidade de Nova York.

                                                                                       


 Amei como o final tem um plano esplendidamente igualzinho ao do início!

Para quem  ama os pets e curte o gênero animação (eeeeeeeeeuuuuuuuu \0/) Pets – A Vida Secreta dos Bichos, teve todas as expectativas atingidas e superadas.


Abraços Literários e até a próxima.


sábado, 5 de agosto de 2017

"Evereste"-

                                                                                 


Baseado na jornada de um grupo de alpinistas que, em 1996, enfrentou uma trágica tempestade na mais alta montanha do planeta, “Evereste” tem elenco de estrelas e tensão na medida exata.                                                                 
                       


Inspirado nos relatos dos livros “No Ar Rarefeito” de Jon Krakauer, interpretado no filme por Michael Kelly  e “Deixado para Morrer” de Beck Weathers, interpretado por Josh Brolin,  o longa combinou efeitos especiais das cenas de aventura com dramas pessoais dos personagens, inspirados nas verdadeiras vítimas da nevasca que deixou mortos e feridos no pico asiático.
                                                                                 


É um filme de sobrevivência e resiliência.
Keira Knightley e Robin Wright, que pouca atenção tem na película, interpretam as esposas de Rob Hall (Jason Clarke) e Beck Weathers (Josh Brolin), presentes na expedição ao Everest.
Hall, que tem fama de garantir segurança aos clientes  é o líder da expedição organizada pela Adventure Consultants, empresa que criou  e que é conhecida por comercializar perigosas (e caras) escaladas no Everest. Ao longo da trama ele mostra algumas das qualidades que interpreta, não só como líder, mas como montanhista e na forma como mantém relação de proximidade com os clientes.
Seu grupo, composto pela diversidade, conta com objetivos distintos para se envolverem na perigosa aventura, entre eles um carteiro de poucas posses que pretende demonstrar que é um feito ao alcance de todos, um médico que pretendia alcançar o cume do Everest após ter falhado em outra ocasião,  um jornalista que cobre o evento, uma mulher que tinha atingido seis cumes e pretendia bater o próprio recorde; a gerente do acampamento base, a médica e dois guias.
A  popularidade da atividade crescente na época conduziu à criação de outras empresas, como  a  Mountain Madness, liderada por Scott Fisher (Jake Gyllenhaal), bem mais descontraído que Hall.
A parceria entre os dois, que cultivam rivalidade e visões divergentes de trabalho, é selada em razão do contexto da temporada na fronteira do Nepal com o Tibete, seguindo uma arriscada travessia que ganha ares de suspense.
A preocupação devido ao excesso de pessoas no território coloca em risco a segurança de todos então ambos expõem a maneira distinta de trabalhar e pensar dos personagens, um  guia seus clientes com cuidado, garantindo não só que estes subam ao cume, mas também que desçam em segurança enquanto o outro proporciona maior desenvoltura e autonomia.
"Evereste”  evita apresentar heróis e vilões e também não tem a pretensão de apontar responsáveis ou culpados.
Uma tempestade coloca a vida dos alpinistas em perigo, com uma escalada e a posterior descida a revelar-se um pesadelo onde a morte pode chegar a qualquer momento, seja ela de forma rápida ou lenta e dolorosa, características de “filme-catástrofe”. 
Baltasar Kormákur aproveita os efeitos especiais e os cenários (parte do filme foi filmado no Nepal e nos Alpes sob temperatura de -30º C) para nos expor à força inexorável e destruidora da natureza, onde os seres humanos têm de lutar pela sobrevivência.
O cineasta aproveita os recursos técnicos que tem à sua disposição para nos deixar diante da imensidão dos cenários, transmitir  seus perigos e criar um sentimento vertiginoso dando a ideia da enorme altitude de um simples nicho no interior de uma montanha enquanto os corpos se enregelam perante uma tempestade furiosa.
Vale ainda destacar Emily Watson como Helen Wilton, dando enorme credibilidade a esta mulher que coordena as expedições à distância, tendo ainda a difícil tarefa de contatar as famílias dos diversos personagens e o alpinista Guy, papel de Sam Worthington.
O cuidado e a sensibilidade em não explorar o feito de forma sensacionalista merecem crédito.
Antes dos créditos finais, gravações e reproduções de fotos dos alpinistas retratados são apresentados, com um breve esclarecimento sobre o destino de cada um deles após a tragédia.

Visualmente é algo  assustador,  onde o ser humano digladia-se com ele próprio e com a natureza, tendo de enfrentar as suas limitações  e  ultrapassar as adversidades.
Explorando os cenários cobertos de neve, sobretudo quando a tempestade se abate e as sensações voam a uma velocidade inexorável, "Evereste”  revela em um contexto cinematográfico o poder de nos deixar sem palavras diante da grandiosidade do monte representado e da ferocidade da Natureza.

Abraços Literários e até a próxima.


terça-feira, 1 de agosto de 2017

A Sombra do Vento-

                                                                                    


Sinopse: A Sombra do Vento é uma narrativa de ritmo eletrizante cujo enredo mistura gêneros como aventuras de Alexandre Dumas, o gótico de Edgar Allan Poe e os folhetins  de Victor Hugo.
Ambientado na Barcelona da primeira metade do século XX, entre os últimos raios de luz do modernismo e as trevas do pós-guerra,  é uma obra sedutora e é impossível de largar, além de ser uma grandiosa homenagem ao poder místico dos livros, é um  triunfo da arte de contar histórias.
Tudo começa em 1945 quando Daniel Sempere está completando 11 anos. Ao ver o filho triste por não conseguir mais se lembrar do rosto da mãe já morta, seu pai lhe dá um presente inesquecível: em uma madrugada fantasmagórica, leva-o a um misterioso lugar, o Cemitério dos Livros Esquecidos, uma biblioteca secreta que funciona como depósito para obras abandonadas pelo mundo.
É lá que Daniel encontra um exemplar de “A Sombra do Vento”, do também barcelonês Julián Carax que desperta nele um fascínio pelo autor desconhecido e sua obra.”


É difícil falar de Zafón. Sou fã  da escrita apaixonante do autor e para mim ele ocupa um lugar diferenciado entre os escritores.
Mais do que um escritor, é  um artista que pinta palavras e cuja narrativa passeia por todos os gêneros; poesia, ironia, romance, drama, aventura, mistério, fantasia e horror, tudo na medida exata.
Carlos Ruiz Zafón é um clássico que vive e esse livro é uma homenagem aos livros.
Sublime, complexo e tocante com histórias dentro de outras histórias.
Nosso narrador é Daniel, um menino que numa madrugada acorda chorando por não se lembrar mais do rosto da mãe morta.
Seu pai o leva a um lugar misterioso, o Cemitério dos Livros Esquecidos, onde ele encontra um imenso labirinto repleto de livros abandonados.
É costume, da primeira vez que uma pessoa é apresentada ao lugar, “adotar” um livro para si. Daniel encontra uma cópia de um livro chamado “A Sombra do Vento”, de um autor misterioso chamado Júlian Carax.
O menino lê o romance em apenas uma noite e encantado decide procurar outros livros do autor, descobrindo que seus romances estavam desaparecidos, a maioria queimada por um estranho disposto a destruir Carax.
E é então que tudo começa.
Nós acompanhamos Daniel em sua jornada por anos, na qual ele tenta descobrir o que  aconteceu com Julián.
Zafón mostra a evolução, crescimento e amadurecimento de nosso protagonista como pessoa e como personagem.
Ele  mantém seu coração puro, mas erra muito mais vezes do que gostaria de admitir.
O protagonista Daniel assim como os personagens secundários Bea, Carax, Penélope e Férmin não vivem apenas nas páginas, naquele intervalo de tempo em que o livro se passa: todos eles têm um passado, uma elaborada história de vida e um futuro pelo qual torcemos.
Você sente que são “reais”  e nós, expectadores de uma incrível fase de suas vidas.

Esse quote é o primeiro da minha coleção de citações de livros:
 “Cada livro, cada volume que você vê, tem alma. A alma de quem o escreveu, e a alma dos que o leram, que viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém passa seus olhos pelas suas páginas, seu espírito cresce e a pessoa se fortalece.” Página 9.

Esse é daqueles livros que caminham com a gente mesmo após fecharmos suas páginas se transformando numa verdadeira imersão.
É o tipo de livro que você não somente lê, mas um livro que lê você.
 A Sombra do Vento é uma obra-prima na qual tudo se encaixa na medida exata. Onde cada palavra é meticulosamente escolhida, cada vírgula planejada de maneira naturalmente poética, como devem ser os livros e a vida.
E como não se apaixonar de um livro que fala essencialmente de livros?


Abraços Literários e até a próxima.