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domingo, 30 de setembro de 2018

O Colecionador- Livro e Filme


                                                                              


Sinopse- “O Colecionador”, 1963, que inspirou o filme homônimo de 1965, é o romance de estreia de John Fowles e narra a história de Frederick Clegg, um funcionário público que coleciona borboletas e, quando subitamente, se torna dono de uma fortuna planeja sequestrar Miranda, seu amor platônico.
A trama se desenvolve com a disformidade da personalidade de Clegg, que tem a seu favor a superioridade de força, contra a vitalidade e inteligência de Miranda que, confunde e ofusca o sequestrador.

Fowles que se inspirou em autores existencialistas como Sartre e Albert Camus, surpreendeu os leitores dos anos 1960 com um thriller que faz uso de elementos filosóficos inovando o gênero suspense tornando a obra um ícone do século XX.

São dois os protagonistas e temos dois pontos de vista: o do sequestrador e o da vítima.
Frederick Clegg, “o colecionador”, um homem tímido e com complexo de inferioridade que é fascinado por colecionar borboletas, e também por Miranda. Ele a segue todos os dias, conhece seus horários, os lugares que frequenta, sabe quem são seus amigos, onde mora e tudo sobre sua família. Muitas vezes passa por ela fingindo ler um jornal.
Sua imprevisibilidade desperta a curiosidade do leitor e surpreende, apesar de suas tentativas em racionalizar sua condição de sociopata já que ele aceita como corretas suas ações.
Miranda Grey é uma jovem estudante de artes
que sonha ser pintora e acabou de ganhar uma bolsa na prestigiada Escola de Arte Slade.

Certo dia a vida de Clegg muda completamente. Após receber uma fortuna ele planeja “capturar o espécime” que faltava em sua coleção. Então sequestra a jovem e a aprisiona no porão de sua casa. Ele quer demonstrar seu “amor” por ela e quer ser correspondido.
Obviamente o sequestro em si é o primeiro de uma série de obstáculos à reciprocidade desejada por ele.
Enclausurada a moça vive como “mais uma” de suas borboletas, sob o olhar de seu "dono", que apenas a alimenta. O contato físico entre eles ocorre apenas em função das tentativas de fuga dela, quando Clegg a subjuga pela força.
É uma situação sem saída, se ela o rejeita ele se sente ferido, se ela cede aos seus pedidos ele entende como fingimento e falsa aceitação. Nada que Miranda faça o satisfará.
Imaturo, sua relação desenvolvida é a de posse (a coleção de borboletas) e ele não percebe a destruição que provoca ao ser amado.

É uma leitura difícil, detalhada e claustrofóbica onde sentimos muito medo por ser uma temática infelizmente, atemporal.

                                                                              


Sobre a edição da DarkSide a capa é dura, o projeto gráfico lindo com pintura trilateral, miolo em papel pólen soft e boa diagramação. Tem prefácio escrito por Stephen King e um posfácio contendo explicações sobre referências artísticas e literárias que o leitor encontra ao longo da leitura.

                                                                               

O filme "O Colecionador" de 1965 tem direção de Willian Wyler, Terence Stamp como Clegg/Freddy/Franklin e Samanta Eeggar como Miranda.


                                                                           

O final, praguinhas e pestinhas, vou deixar em branco é só selecionar combinado?
Masssss se olharem com atenção esse banner não é difícil adivinhar :(

Spoiler Miranda adoece e morre.
Morta torna-se um objeto: não há mais essência à admirar, então Clegg parte em busca de um novo "exemplar". Fim do Spoiler.



Abraços Literários e até a próxima.


quarta-feira, 26 de setembro de 2018

172 Horas na Lua-


                                                                               


2018. Cinco décadas desde que o homem pisou na Lua pela primeira vez.
Três adolescentes vencem um sorteio mundial promovido pela NASA e vão passar uma semana na base lunar DARLAH 2 - um lugar que, até então, só era conhecido pelos altos funcionários do governo americano.
Mia, Midore e Antoine se consideram os jovens mais sortudos do mundo. Mal sabem que a NASA tinha motivos para não ter enviado mais ninguém à Lua desde que eventos inexplicáveis e experiências fora do comum começaram a acontecer.
Preparem-se para a contagem regressiva...

Depois de meio século que a famosa expedição levou o homem a lua, e vários motivos afastaram os investidores desse tipo de expedição, a NASA decide enviar uma nova equipe para explorar a DARLAH 2, uma base lunar até então só conhecida por sua alta cúpula.
Um concurso cultural seleciona três jovens para passarem uma semana no local.
Duas meninas e um rapaz que não se enquadram na categoria de entusiasmados para a viagem. Mia que tem um sério problema de relacionamento com os pais controladores, Midore, uma japonesa que sonha fugir do conservadorismo dos seus pais e Antonie que é francês e quando o grande amor da sua vida lhe troca por outro, tudo que ele quer é sumir da face da terra.
Eles passam por um treinamento antes da viagem, mas nada poderia prepará-los para os acontecimentos que estavam por vir.
Narrado em terceira pessoa, o livro é divido em três partes: antes, durante e após a viagem a lua.
A primeira parte é um tantinho arrastada, já que é aí que somos apresentados aos protagonistas e a tripulação do foguete. Caitlin, a piloto, uma mulher forte, mas que sabia reconhecer suas limitações. O comandante Nadolski. um homem rígido, mas que faria de tudo para manter todos a salvo. E Coleman que tinha muitos segredos a revelar. 
A equipe vai passar 172 horas na lua e nesse tempo, vão ficar na base DARLAH 2, um mar de tranquilidade.
Tudo vai bem até que começam uma série de acontecimentos trágicos e temos a sensação de estar em uma montanha-russa com tanto plot twist, adrenalina sempre em alta e suspense de tirar o fôlego.
Achei interesse o autor incluir lendas na trama. Elas são sinistras e o terror agregou um “Q” a mais à história. A inclusão de “doppelgängers” (que segundo lendas germânicas, de onde provém, é um monstro que tem o dom de representar uma cópia idêntica. Duplo-eu ou sósia) combinou com o enredo e foi uma grande sacada do autor.
O livro é curto e o autor não perde tempo com enrolação.
Até o presente momento, 172 horas na lua é um livro único.

Se você gosta de todas as pontas amarradas, talvez se decepcione um pouco, mas vale a pena arriscar a leitura.
É uma boa trama de suspense, terror espacial e sci-fi.

Beijos literários e até a próxima.


sábado, 22 de setembro de 2018

Saudação à Primavera de Cecília Meireles-




Para celebrar a Primavera que tem início hoje as 22h54min vamos de Cecília Meireles!

Saudação à Primavera

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem na rotação da eternidade.
Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa”
Volume 1- pág. 366
Editora Nova Fronteira


Abraços Literários, beijos floridos e até a próxima.



terça-feira, 18 de setembro de 2018

Capas Temáticas- Primavera



Oieeeee pessoas lindas e fofis, saudade de vocês.
Muito, muito obrigada pela presença aqui enquanto estive ausente do bloguito, obrigada de coração pelas palavras de apoio, carinho, afeto e amizade nesses dias tristes.
Tenham certeza que, no desespero e na dor da perda, vocês foram bálsamo.
Gratidão!





Aproveitando que no sábado chega a Primavera, a estação mais colorida, romântica e perfumada, trago hoje um post temático.
E aos pouquinhos vou colocar em dia as visitas viu bebês????



A Primavera da Lagarta

Depois de uma reunião debaixo da bananeira da floresta, a formiga, o louva-a-deus, o camaleão (que vivia mudando de opinião), a joaninha, a lagartixa, a libélula, o gafanhoto, o caracol, a aranha e a cigarra (ufa, quanta gente!, ou melhor, quanto bicho!), decidiram caçar a lagarta, porque ela comia folhas demais (como se eles não comessem nada...). Além disso, eles achavam a lagarta muito feia (como se eles fossem muito lindos...).
Porém, a caçada aconteceu no início da primavera, quando as lagartas se transformam em... Bem, é melhor não contar o final da história, que ficou ainda mais bonita com os desenhos da Madalena Elek.



Primavera de Cores

A Primavera chega a Florianópolis e com ela vários acontecimentos que irão marcar para sempre a estação das flores. Um clima de mistério envolve Helen e seu futuro. Um sonho tenebroso encontra seu repouso da noite e trará muito mais que um descortinar de acontecimentos vindouros, mas a revelação do seu próprio destino. Enquanto Helen firma sua esperança nas promessas de um sonho, ela passa a ser perseguida por dramas que acometerão não apenas sua trajetória, como também a das pessoas mais importantes de sua vida. A estação será marcada por suspense, romance e emoção. Uma tocante história com uma lição inesquecível sobre o perdão, a liberdade, o valor das amizades e o poder do amor.



Primavera Eterna

Maia é uma jovem publicitária bem-sucedida. Tem um emprego estável, um namoro estável, uma vidinha estável. Até demais. Certo dia, tentando imaginar como seria sua vida no futuro, o casamento, os filhos, visualiza duas crianças loirinhas correndo... Loirinhas? Então ela se dá conta de onde vem aquela cor de cabelos: Diogo, o menino por quem se apaixonou à primeira vista aos 12 anos, numa cidadezinha do interior, onde costumava passar os fins de semana com a família. Acontece que ele se mudou para os Estados Unidos há mais de dez anos, e a essa altura da vida, já nem deve se lembrar mais dela.
Mesmo assim, num impulso, Maia pede férias na agência, inventa uma viagem de trabalho como desculpa para o namorado e vai para Nova York, atrás do seu primeiro amor. Primavera Eterna é a história de uma jovem cheia de sonhos esquecidos, que ousa arriscar tudo o que tem e acaba encontrando a si mesma. 



Primavera Silenciosa

Raramente um único livro altera o curso da história, mas Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, fez exatamente isso. O clamor que se seguiu à sua publicação em 1962 forçou a proibição do DDT e instigou mudanças revolucionárias nas leis que dizem respeito ao nosso ar, terra e água. A preocupação apaixonada de Carson como futuro de nosso planeta reverberou poderosamente por todo o mundo, e seu livro eloquente foi determinante para o lançamento do movimento ambientalista. Este notável trabalho de Rachel Carson foi considerado em 2000, pela Escola de Jornalismo de Nova York, uma das maiores reportagens investigativas do século XX.


As Primaveras

Casimiro de Abreu é o poeta do lirismo e da simplicidade. Os anseios da juventude, as saudades da infância e os compromissos com sua terra natal fazem da obra de Casimiro de Abreu, precoce e espontânea, uma das expressões mais legítimas da poesia do Romantismo brasileiro.
Nostálgico, lírico e dono de uma poesia extremamente musical, o poeta carioca continua encantando e cativando leitores jovens e adultos, de ontem e de hoje. As Primaveras (1859) é o único livro do poeta publicado em vida.
No prefácio desta obra, escreve: “Assim, as minhas Primaveras não passam de um ramalhete das flores próprias da estação — flores que o vento esfolhará amanhã, e que apenas valem como promessa dos frutos do outono”.


VCS já leram algum desses livros?
Se leram qual o favorito?
E qual o livro temático de Primavera que indicam?


Abraços Literários, beijos floridos e até a próxima.