Queremos convidar você a fazer uma viagem, uma viagem mágica, por diversos países, culturas, hábitos, épocas, onde sua imaginação quiser e você se permitir...

Viajar pelas páginas de nossos livros, por vários gêneros, escritores anônimos e ilustradores e também os ilustres escritores: romances, aventuras, comédias, mistérios, épicos, auto-ajuda, poéticos, didáticos... toda leitura faz o ser humano conhecer, abranger, crescer...

Neste blog vamos divulgar, sugerir, incentivar, um espaço para interagir com você, que vai ser nosso seguidor ou dar apenas uma espiadinha, mas será sempre bem-vindo, como aquele amigo que senta para tomar um café e conversarmos sobre aquelas páginas de um livro que mais nos marcou, ou aquele que estamos lendo no momento, então fica aqui nosso convite, entre no nosso blog, tome um café, enquanto passeia pelos nossas postagens, interaja conosco sempre, estamos aqui na rede aguardando a sua chegada.


Abraços literários.


Aparecida




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Equipe Café com Leitura na Rede.



segunda-feira, 21 de maio de 2018

A Qualquer Custo-


                                                                              

A Qualquer Custo é um dos melhores filmes que já assisti no gênero western!
Com direção de David Mackenzie e roteiro de Taylor Sheridan acompanhamos a história de dois irmãos, Toby (Chris Pine) e Tanner (Ben Foster), que planejam um bem engendrado roubo a uma rede de bancos do Texas Midlands Bank, numa época de recessão.
Toby e Tanner, proporcionalmente foras da lei pobres e personagens humanos ricamente construídos, “em seus pontos de vista” têm uma boa razão para fazer o que estão fazendo.
O filme tem ótimas atuações de Pine, Foster e Jeff Bridges, o patrulheiro que assume obstinadamente o caso.
É uma releitura, porém, como se fosse um western com cowboys de outro tempo.
O gênero determina o ritmo do filme, masssss não aquele western com mocinhas em perigo e duelos e sim uma interessante versão atualizada, inclusive o vilão não é um vilão de carne e osso, mas uma instituição.
A forma frenética seguida, as montagens bem valorizadas aproveitando cada ação dos personagens – em ação ou em diálogos – mostrando de forma dinâmica o plano dos irmãos, uma trilha sonora intensa que vai do rock ao country e uma fotografia sensacional em que prevalece os tons de verde, amarelo e mostarda, a película evidencia como a constante visualização das desigualdades pode se tornar extremista em atitudes até então sequer cogitadas.
Os irmãos nos levam, enquanto espectadores, assim como os moradores locais, ao mesmo desejo de liberdade, enquanto o patrulheiro acredita num código moral que o faz caçar simplesmente pelo que ele acredita ser errado, ainda que ele próprio seja politicamente incorreto, mostrando seu lado ¨texano racista¨ sempre fazendo comentários para seu parceiro Alberto Parker (Gil Birmingham), que releva constantemente as situações.
Toby e Tanner estão em rota de colisão – com a lei e com eles mesmos – mas A Qualquer Custo não vai te levar para onde se espera, o filme cresce a cada ação desestabilizada de seus protagonistas.
A história está do lado “bom” das coisas, mesmo que esse lado seja na verdade, o errado.

Prende a atenção do início ao fim e se no final romantiza certos elementos, no decorrer da narrativa faz um retrato bastante interessante da realidade.

Para quem gosta do gênero western é imperdível.

Abraços Literário e até a próxima.


quinta-feira, 17 de maio de 2018

Campanha Vá ao Teatro-


                                                                              


A Campanha Vá ao Teatro organizada pela Apetesp (Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo) que promove a venda de ingressos a preços populares vai até o dia 03/06 em diversos teatros da capital de São Paulo.
É um modo de divulgação da arte e permitir que mais pessoas tenham a experiência cênica.
O festival tem, no total 50 peças, e um dos destaques do programa é “O Escândalo Philippe Dussaert” com o fofo do Marcos Caruso no FAAP que tem a R$ 20,00 de 5ª  à sábado às 21 h e domingos às 18 h.
Algumas excelentes opções são: “Muito Louca” com Fafy Siqueira e Suely Franco, “O Pai” com Fúlvio Stefanini, “O Longe é Aqui”, “Contos de Bruxas e Princesas”, “Francisco de Assis”, “Os Miseráveis”, “O Cortiço”, “ Aladim”, “A Bela e a Fera”, “Os Saltimbancos”, “O Mágico de Oz”, “A Minha Vida Após a Morte”, “Quem Ama Bloqueia”, “Os Rapazes da Rua Augusta”,
E Foram Quase Felizes para Sempre”, “ Como se Fora esta Noite”, “Panos e Lendas” e “1 Milhão de Anos em 1 Hora”, entre outras.

A Programação completa está no site https://bit.ly/2JFe0dG
De R$ 5,00 a R$ 20,00


Abraços Literários e até a próxima.




domingo, 13 de maio de 2018

Feliz Dia das Mães-



Parabéns à todas as mamães, e quando digo mães, não me refiro apenas à condição biológica de gerar e trazer um ser humano ao mundo, mas, sobretudo à capacidade de amar concebida em seus corações.


Ela tem a capacidade de ouvir o silêncio.
Adivinhar sentimentos.
Encontrar a palavra certa nos
momentos incertos.
Nos fortalece quando tudo ao
nosso redor parece ruir.
Sabedoria emprestada dos deuses
para nos proteger e amparar.
Sua existência é em si um ato de amor.
Gerar, cuidar, nutrir.
Amar, amar, amar e mais amar!
Amar com um amor incondicional.
Afeto desmedido e incontido.
Mãe é um ser infinito.


Feliz Dia das Mães!!!!!


Abraços Literários, beijos poéticos e até a próxima.


quinta-feira, 10 de maio de 2018

As Noivas da Semana-


                                                                               


Da Editora Verus, a série As noivas da Semana, de Catherine Bybee, é baseada na experiência de personagens que utilizam o serviço de matchmaking (casamenteira) oferecido pela agência Alliance, e como todo romance que se preze, o envolvimento acontece apesar das regras impostas pela agência.


O primeiro livro, Casada até Quarta

Blake Harrison é rico, nobre, charmoso... e precisa de uma esposa até quarta-feira.
Ele encontra Samantha Elliot, linda, exuberante e com a voz mais sexy que ele já ouviu.
Samantha Elliot é a dona da agência de casamentos Alliance, ela não está no menu de pretendentes... até Blake lhe oferecer milhões pelo contrato de um ano.
Não há nada de indecente na proposta, e além disso o dinheiro vai ser útil para quitar contas médicas.
Samantha só precisa disfarçar a atração que sente por seu novo marido e evitar a todo custo a cama dele.
Mas os beijos de Blake e seu charme inegável são muito difíceis de resistir.
Era um contrato de casamento que previa tudo... menos se apaixonar.



 Esposa até Segunda

Com seus cabelos loiros, olhos azuis e beleza hollywoodiana, ele pode ter a mulher que quiser. Mas, quando decide concorrer à vaga de governador do estado da Califórnia, Carter sabe que vai precisar abandonar a vida de solteiro e se tornar um homem de família e para isso ele precisa de uma esposa.
Entra Eliza Havens, que gerencia a agência de casamentos Alliance.
Eliza Havens, está feliz por sua amiga Sam ter se casado.
Só tem um detalhe que a deixa louca da vida, o melhor amigo dele, o sexy e ousado Carter Billings. Eliza nunca brigou tanto com um homem — e nunca conheceu alguém que mexesse tanto com ela. Juntar pessoas solitárias é a maneira como Eliza ganha a vida, porém um obscuro segredo do passado a faz descartar totalmente a possibilidade de se casar.
Pelo menos foi assim até agora...



Noiva até Sexta

Gwen Harrison, a filha de um duque inglês se mudou para os Estados Unidos para cuidar da agência de casamentos de sua cunhada, e só porque ela agora é a chefe da agência, não significa que não possa fantasiar um encontro perfeito com Neil MacBain, o enigmático guarda-costas que vem tornando seus sonhos um tanto quanto agitados.
Neil MacBain, o ex-fuzileiro naval, não pode negar o efeito de Gwen em sua alma atormentada e seu corpo esculpido pela rotina militar. Mas manter distância é fundamental — até uma ameaça do passado dele retornar e ela se ver no meio do fogo cruzado.
Agora depende dele decidir o que é mais importante salvar: sua carreira, sua vida... ou a mulher que conquistou seu coração.



Solteira até Sábado

Karen Jones se casou com um astro de Hollywood, porém é ela quem desempenha o papel de esposa feliz.
Um ano atrás, ela concordou em se casar com um ator famoso para dissipar rumores sobre a vida pessoal dele.
Agora seu divórcio se aproxima, assim como um pagamento de cinco milhões de dólares.
No entanto, enquanto se prepara para o término de seu casamento arranjado, ela conhece o cunhado, Zach Gardner, o pedaço de mau caminho que aparece sem ser convidado na festa de um ano de casamento de Michael e Karen, determinado a conhecer a esposa que seu irmão escondeu da família.
Faíscas voam no instante em que eles se encontram.
Quando o casal famoso decide visitar a família Gardner, Karen precisa esconder o segredo do marido e de seus parentes... incluindo Zach, o homem que talvez seja o amor da sua vida.




Conquistada até Terça

Judy Gardner acabou de se formar na faculdade e está pronta para ganhar o mundo... desde que consiga um emprego.
Esperando passar o mais rápido possível de arquiteta novata a profissional respeitada, ela se muda para a casa de seu irmão celebridade, Michael Wolfe, em Los Angeles.
Mas é difícil para Judy se concentrar no trabalho quando o guarda-costas por quem ela se apaixonou no verão passado continua aparecendo em sua vida e tirando seu fôlego.
Rick Evans com seu corpo musculoso, olhos verdes e sorriso fácil, poderia ter a mulher que quisesse.
Mas o ex-militar só tem olhos para Judy.
Quando ela sofre um ataque, Rick sabe que não vai parar até ter certeza de que a mulher da sua vida está a salvo.




Seduzida até Domingo

Meg Rosenthal, administradora da agência de casamentos e realista nas horas vagas, não é mulher de se deixar seduzir por um bonitão em um terno feito sob medida.
Ela viajou ao resort em uma ilha particular com o objetivo de avaliar o potencial do lugar para os clientes da agência, não a fim de se envolver com o dono do local.
Mas há algo no fascinante italiano que é difícil de resistir, mesmo para uma mulher que se recusa a se apaixonar.
Valentino Masini, bem-sucedido homem de negócios, está acostumado a ter tudo na vida. No entanto, ele nunca quis nada como quer Meg, a mulher que está criando uma tormenta em seu coração. Quando ele finalmente a convence ficar, uma pessoa misteriosa resolve que é hora de tirar Meg da ilha... para sempre.



Encontrada até Quinta

O último livro da série Noivas da Semana, traz Gabriella Masini, assombrada pelo passado, com as cicatrizes que não a deixam esquecer.
Gabi acredita que contos de fadas acontecem com outras pessoas, não com ela.
Trabalhando na Alliance, ela é ótima com números, mas não consegue somar dois mais dois quando se trata de seu último cliente, um bad boy com seus próprios segredos, que faz uma oferta que ela não pode recusar.
Hunter Blackwell, tem uma razão secreta para querer se casar, pelo menos por um tempo — e acha que Gabi é perfeita para o papel. Mas, quando o casamento de conveniência se torna perigoso, Hunter deve decidir até onde iria para cumprir a promessa de proteger Gabi para sempre.



Para o mês de maio mais clichê impossível :p lembra até aqueles romances de banca :D
Levinhos, contemporâneos e de leitura simples.
Lendo sem expectativas rende boas risadas, cumpre o prometido entretenimento e tem um enredo até que bem trabalhado, além de umas capas bem fofinhas ;)


Abraços Literários e até a próxima



segunda-feira, 30 de abril de 2018

A Mulher na Janela-


                                                                              


Sinopse: Anna Fox mora sozinha na casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo filmes antigos, conversando com estranhos na internet e…. espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo começar a ruir.
Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo? Neste thriller viciante, ninguém – e nada – é o que parece.  

Vocês se lembraram de A Garota no trem?????? Que tem uma protagonista cujas memórias estão comprometidas e, por isso, há dúvidas em relação a ter ou não testemunhado um crime?
O thriller psicológico sempre fez muito sucesso e A Mulher na Janela da editora Arqueiro é o bonito da vez.
Confunde o leitor como um quebra-cabeças onde nenhuma peça se encaixa ali com perfeição ou um labirinto onde percorremos os caminhos errados. Tudo o que você acredita ser verdade não é.
Narrada de maneira ágil pela protagonista Anna, que por conta de uma fobia fica presa em casa, nos apresenta sua rotina diária: bisbilhotar a vida alheia.
Quando uma família se muda para a casa em frente a sua, ela fica obcecada por eles até testemunhar algo que a deixa transtornada.
Porém, seu maior desafio será diferenciar realidade da imaginação: só assim ela poderá convencer os outros sobre o que ela viu.

Vocês se lembram de Janela Indiscreta?????
A Mulher na Janela é uma homenagem aos filmes da metade do século XX e o livro é recheado de referências e citações de algumas das principais obras do cinema.
O autor soube muito bem mesclar o caráter introspectivo do livro com os elementos externos à personagem tornando fácil visualizar as cenas, como se estivesse assistindo a um filme e compartilhar com a protagonista seus sentimentos e sensações deixando claro suas limitações de saúde e problemas com bebida, cenário perfeito para lançar as perguntas: Aconteceu mesmo algo? E, se aconteceu, de quem é a culpa?
A partir daí, enquanto desfazemos nós e buscamos identificar o que é verdade e o que não passa de imaginação de uma mente perturbada, a leitura se torna viciante!
Os personagens secundários cumprem bem seus papéis de complicadores do mistério.
Nada do que é colocado na narrativa é por acaso, tudo tem um propósito para conectar acontecimentos entre si e apresentar camadas interpretativas à leitura.
O único senão que eu faria são alguns flashbacks um tiquinho longos :p

O leitor consegue desvendar os mistérios antes deles serem revelados, mas isso não retira o mérito da obra nem diminui o prazer de ter passado horas procurando por pistas.
As últimas cinquenta páginas são eletrizantes e o plot twist final foi surpreendente.

A.J. Finn, formado em Oxford, é ex-crítico literário e já escreveu para o Los Angeles Times, The Washington Post e The Times Literary Supplement. A Mulher Na Janela, seu primeiro romance, foi vendido para 36 países e está sendo adaptado para as telonas pela 20th Century Fox.

Abraços Literários e até a próxima.



sexta-feira, 27 de abril de 2018

Picta Mundi-


                                                                                


Sinopse: A vida de Letícia virou de cabeça pra baixo após a morte de Raul, seu pai. Até mesmo o colégio onde estuda, um reduto de jovens prodígios, perdeu a graça que tinha. Mas as coisas começam a mudar quando descobre que o desaparecimento de Felipe, o aluno mais promissor do colégio, e a morte de Raul poderiam estar interligados. Daniel, irmão de Felipe, afirma que Raul pode estar vivo, mas, assim como seu irmão, preso em um mundo paralelo dentro de quadros, Picta Mundi.
Agora, somente Letícia pode ajudá-los. Para isso, terá que entrar em Picta Mundi e, junto com Felipe, procurar por seu pai e reunir os itens mágicos que os libertarão daquele universo.
Em meio à várias aventuras em quadros que retratam momentos da história do Brasil, como os bailes de máscara do início do século XX ou uma aldeia de índios tupinambás no século XVI, eles terão seus conhecimentos e coragem testados em enigmas, passagens secretas, e confrontos com seres perigosos, liderados pelo maligno Donato, que também está atrás dos itens mágicos para dominar Picta Mundi.


                                                                            


Alternando pontos de vista temos uma visão do enredo e de seu desenvolvimento pela corrida contra o tempo para encontrar itens mágicos que tornam possível a fuga de Picta Mundi.
Mas nada será fácil, portanto, atenção e cautela ao entrar nesse mundo imprevisível e fascinante.
A leitura é impregnada de magia, não as de varinhas de condão, mas aquela inerente de abstrair, enlevar e fluir porque passear por pinturas é mágico!
Letícia perdeu o pai em circunstâncias mal explicadas e, por isso, seu mundo virou do avesso.
É quando Daniel, irmão de Felipe, que desapareceu misteriosamente, entra em contato com ela e conta que Felipe e o pai de Letícia estão em um mundo fantástico, que existe apenas dentro de quadros.
Com narração em terceira pessoa, somos apresentados à Letícia, ácida, teimosa e impulsiva que só quer ser ela mesma sem a necessidade de agradar ninguém.
O que não significa, porém, que ela não se importe com aqueles que ama. Por isso, apesar da personalidade forte, há empatia com nossa protagonista e torcemos pelo sucesso de sua jornada.
E falando em jornada, ela não está sozinha nesse mundo incrível.
Igualmente dotado de uma inteligência que por diversas vezes entra em conflito com a da garota, temos Felipe que cativa pela sua forma autêntica agindo de modo preciso sem dar margem ao leitor para subestimá-lo.

Conheci Picta Mundi nas finais de um concurso de fantasia e sci-fi da Revista Bang! e ali já me interessei por esse mundo fantástico dentro de quadros.
O livro não venceu, mas a autora Gleice Couto, administradora do blog Murmúrios Pessoais construiu uma carreira de escritora independente com uma escrita deliciosa, muita aventura em um mundo criativo que conquista a todos.
Picta Mundi tem um início um tantinho lento pela descrição dos personagens, situações-limite e apresentação do mundo paralelo, mas quando mergulhamos no universo dos quadros, a leitura deslancha, com aventuras eletrizantes e enigmas inteligentes.
A autora dona de uma brasilidade sensacional conseguiu mesclar fatos da nossa história à trama, de maneira natural, sem cair na armadilha do didatismo e olha que não é tarefa fácil encontrar livros que retratem nossa história e cultura.
Um parágrafo à parte para dois personagens que na minha opinião deixaram um pouco a desejar: o vilão, Donato, unidimensional, não acrescentou muito à trama e a mãe de Letícia com uma pegada de suspense que poderia ter sido melhor aproveitada.

Picta Mundi é um livro independente com edição linda e caprichada, uma surpreendente narrativa, personagens cativantes, escrita leve e sem furos com um final coerente e bem redondinho que não deixa pontas soltas.
Uma fantasia nacional infantojuvenil, para todas as idades, imperdível!


Abraços Literários e até a próxima.


quarta-feira, 25 de abril de 2018

O garoto do cachecol vermelho e A garota das sapatilhas brancas-



O garoto do cachecol vermelho

Sinopse: Uma história comovente, intensa e apaixonante. Melissa é uma garota linda, rica e mimada, que sempre consegue o que quer e tem todos na palma da mão. Ela acredita que a carreira de bailarina é a única coisa que realmente importa, porém suas certezas são abaladas quando faz uma aposta com um garoto misterioso, que parece ter como objetivo virar sua vida de cabeça para baixo. De repente, ela se vê dividida entre dois caminhos: realizar seu maior sonho, pelo qual batalhou a vida inteira, ou viver um grande amor.
Mas, não importa aonde ela vá, todas as direções apontam para o garoto do cachecol vermelho.
                                                                                
A narrativa conta a história de Melissa, que sonha em ser uma grande bailarina e deseja muito cursar dança na Julliard – faculdade de artes de NY.
Apesar de ser uma garota esforçada, nossa protagonista é arrogante e preconceituosa.
Numa noite de ano novo ela conhece Daniel, um garoto que usa um cachecol vermelho em pleno verão e que vai mudar sua vida completamente.
Daniel sempre está querendo ajudá-la e eles sempre acabam brigando já que ela não entende o motivo pelo qual precisaria de ajuda para sua vida perfeita. 
À medida que a narrativa flui percebemos que eles se atraem, estão sempre nos mesmos lugares e essa proximidade involuntária faz com que os dois façam uma aposta para que a garota conviva com ele por algum tempo e veja a vida com outros olhos.
Há momentos surpreendentes nesse livro, principalmente quando a Mel se permite viver, sentir e olhar a vida de outra forma.
A obra ainda faz uma abordagem sobre a Esclerose Lateral Amiotrófica, esclarecendo uma questão importante com sutileza, mas sem minimizar o tratamento adequado.
Narrado pelo ponto de vista de Melissa, apenas um trecho nos mostra uma visão de Daniel, é uma leitura interessante que prende a atenção e apresenta um desfecho surpreendente onde a autora não teve receio em inovar.
O garoto do cachecol vermelho vem disfarçado de romance água com açúcar, mas está recheado de drama e suspense.

                                                                              
                                                                               
     
A garota das sapatilhas brancas

Sinopse: Ele foi o farol que a salvou da escuridão. Ela devolveu as cores ao mundo dele.
Daniel Lobos vive a vida plenamente. Dono de um coração enorme, divide seu tempo entre duas paixões: a música e as causas sociais. Até que seu caminho cruza o de Melissa, uma bailarina preconceituosa e esnobe, que põe à prova aquilo em que ele mais acredita: que todo mundo merece uma segunda chance.
Este romance mostra, através das lembranças de diversos personagens já conhecidos em O garoto do cachecol vermelho como as nossas decisões afetam o nosso destino.
O que levou Daniel a ter tanta fé em Melissa, quando ninguém mais acreditava nela?
Toda história tem dois lados, e agora é a vez de conhecer a do garoto do cachecol vermelho.
                                                                                
A Garota das Sapatilhas Brancas é um Spin Off, em que a autora Ana Beatriz Brandão narra cenas que não estão em O Garoto do Cachecol Vermelho e que contadas por outros personagens.
Muitas pelo ponto de vista de Daniel, são de antes mesmo de Mel e Dani se conhecerem, assim sabemos mais da personalidade desse personagem cativante, o garoto cheio de vida e alegre que também era um ser humano com dúvidas e medos. Ver o tamanho da força que ele teve, sua resiliência, seu amor ao próximo, e como ele sempre pensou nos outros antes de si, até mesmo nos piores momentos. 
As cenas não estão em ordem cronológica, mas organizadas de maneira que o leitor pudesse compreender as atitudes de Daniel. É um livro sobre amor, fé, esperança, perdão, família, segundas chances e como a vida pode ser bonita.
Conhecer DaniDani por seu próprio ponto de vista é essencial para encerrar com chave de ouro a história que começou em O garoto do cachecol vermelho e funciona como uma espécie de despedida oficial do casal que nos proporcionou tantos sorrisos.
Vale a pena conferir!

Abraços Literários e até a próxima.


sábado, 21 de abril de 2018

Jogador nº 1- Livro e filme


                                                                             
  


Sinopse - Cinco estranhos e uma coisa em comum: uma caça ao tesouro.
Achar as pistas nesta guerra definirá o destino da humanidade. Em um futuro não muito distante, as pessoas abriram mão da vida real para viver em uma plataforma virtual chamada Oasis. Neste mundo distópico, pistas são deixadas pelo criador do programa e quem achá-las herdará uma fortuna. Como a maior parte da humanidade, o jovem Wade Watts escapa de sua miséria em Oasis. Mas ter achado a primeira pista para o tesouro deixou sua vida bastante complicada. De repente, o mundo inteiro acompanha seus passos, e outros competidores se juntam à caçada. Só ele sabe onde encontrar as outras pistas: filmes, séries e músicas de uma época que o mundo era um bom lugar para viver. Para Wade, o que resta é vencer – pois esta é a única chance de sobrevivência.

A história se passa em 2044, e como na maioria dos filmes futuristas, a Terra entrou em colapso com guerras, recursos naturais esgotados, cidades destruídas, grande parte da população com fome e medo num cenário onde reina o caos.
Wade Owen Watts é um jovem órfão de 18 anos que vive em um dos parques de trailers espalhados pela cidade, num cenário desolador onde crimes são cometidos sem punição aos infratores.
Contudo, existe o Oasis, plataforma de jogo online que simula um mundo diferente.
Idealizado por James Halliday, esse universo paralelo proporciona aos seus jogadores uma vida virtual em um mundo onde todos trabalham, estudam e é possível ir onde desejar, inclusive outros planetas longe da destruição da Terra.
E isso era suficiente para que Wade escapasse da sua cruel realidade, até a morte de Halliday e o lançamento de um desafio para todos os jogadores do Oasis: encontrar três chaves, atravessar três portais, pegar o ovo dourado e ser o herdeiro da fortuna deixada por ele.
Milhões de “caça-ovos” partem numa busca desenfreada e nosso protagonista, que vive a maior parte do seu tempo buscando informações para solucionar enigmas que possam levá-lo ao prêmio final.

                                                                                
                                                                              
Os demais personagens são bem construídos, e aos poucos Art3mis, Aech Daito e Shoto ganham importância na narrativa.
E como nem só de mocinhos vive a história, temos também o vilão Sorrento, um homem sem escrúpulos capaz de qualquer coisa para alcançar seu objetivo.

E em meio a referências ao Dungeons & Dragons, John Hughes, Ultraman, Atari, Rush, e tudo o mais (o livro é repleto de referências a jogos, filmes, HQ, músicas e cultura da década de 80) que fez da década de 80 uma queridinha – Wade se dá conta que será preciso mais que vontade para se tornar o jogador nº 1.
Jogador Nº 1 é um livro que mescla os gêneros distópico, fantasia e sci-fi.
A leitura é rápida e fluída, e a escrita audaciosa do autor é viciante.
Geeks, nerds, gamers e apaixonados pelos anos 80, esse livro é para vocês!

                                                                               
                                                                           


Estreou no dia 30/03, a adaptação de Steven Spielberg baseada no livro de Ernest Cline, que inclusive faz menções a ele em sua obra. 
O diretor evitou a autorreferência, mas reverencia o cinema na figura do diretor Stanley Kubrick, com cenários do Hotel Overlook, de O Iluminado, referências ao Clube dos Cinco e Curtindo a Vida Adoidado, de John Hughes, bem como uma menção a Robert Zemeckis, de De Volta Para o Futuro, tendo o seu sobrenome vinculado a um cubo, que tem como função uma volta no tempo, que auxilia Wade (tye Sheridan) num difícil momento de sua jornada.
Familiarizado a esse tipo de narrativa, Spielberg faz da nostalgia a sua aliada e exibe uma sutil crítica aos viciados por games cuja percepção dos personagens sobre viver uma existência virtual e se desconectarem da realidade é parte do processo reflexivo do longa.

Abraços Literários e até a próxima.



domingo, 15 de abril de 2018

As Asas do Desejo-


                                                                             


O filme começa com o anjo Damiel no alto da Gedachtniskirche, igreja berlinense bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial (e mantida em ruínas após o conflito como símbolo histórico) olhando a humanidade, numa antítese do anjo que vê dos céus os homens e sua destruição.
Nos primeiros minutos a câmara (subjetiva, que simula o olhar de um personagem) está no alto, vendo lá embaixo a cidade, e nós vemos o mesmo que os anjos veem.
E eles descem à Terra, caminham entre nós, estão nos carros, trens, bus e metrô, ouvem nossas súplicas e (principalmente) nosso silêncio e observam tudo (e às vezes intervêm).
Numa época dividida (literalmente) pelo muro, e pela guerra fria, ideologias, economia, política insegurança, dores e saudades, num cenário devastado e pessoas oprimidas, os anjos Damiel e Cassiel tentam consolar.
A relação entre os anjos e os humanos é enriquecida pelo fluxo de consciência (stream of consciousness, técnica literária que usa associação de ideias; raciocínio lógico e impressões pessoais) e está presente na cena em que Damiel tenta aplacar o desespero de um homem acidentado e na que Cassiel tenta evitar o suicídio de um rapaz, que pula do prédio, apesar dos seus esforços.
Ainda que a ambientação remeta à política o diretor fala sobre humanos – e anjos. E se os anjos de Wim Wenders estão em Berlim é porque era a metrópole do país do cineasta. O muro dividindo a cidade não importa, para os anjos, a cidade dividida em duas é uma só, e Berlim, mais do que cenário é um personagem.
As Asas do Desejoé um filme reflexivo que observa a vida, a passagem do tempo, a consciência a respeito de si, a descoberta da própria identidade e o existencialismo.
Os anjos reconhecem as dores mais profundas da humanidade e imaginam reações, mas não são capazes de sentir as alegrias e a materialidade, nem podem experimentar o amor, que Damiel começa a sentir por Marion. Em uma conversa com Cassiel ele revela seu desejo de se tornar humano e experimentar um mundo, como ele mesmo diz: de poder “achar” em vez de saber.
Se na sociedade racional não acreditamos mais em anjos, então eles não existem.
Se existem, são infelizes. Se são infelizes, merecem ser salvos sendo reconduzidos à condição de mortais para então receberem a graça de ter um anjo em suas vidas :p
Na Alemanha,  Der Himmel über Berlin, O Céu Sobre Berlim, o título original.
Em todo o mundo, As Asas do Desejo, sem dúvida exprime o plot: anjos que desejam e Asas do desejo é um longo voo.
O divino e o humano estão presentes na cena em que Damiel e Cassiel estão na biblioteca pública de Berlim num travelling (movimento de câmera em que ela se desloca no espaço ao contrário da panorâmica em que ela gira sobre o próprio eixo sem se deslocar) em que a câmera não para um instante passeando por todo o local, enquanto as pessoas leem, com os anjos ao seu lado, mistura dos mundos, numa referência ao conhecimento, maneira com a qual os homens vivem na posteridade.
O desejo de Damiel para se tornar humano é atendido e o anjo caído descobre a primeira dor humana ao ser atingido na cabeça por um objeto e sente fome pela primeira vez.
A fotografia, até então em preto e branco, se transforma cheia de cores com todos os tons da vida.
Wim Wenders nos mostra que enquanto muitos de nós queremos mais do que o tempo que nos foi dado para viver, alguns anjos, cansados da eternidade, gostariam mesmo era provar o gosto de um café, um aperto de mão, um abraço, e claaaaaaaro, o amor.

Premiado em Cannes, e considerado um dos melhores da década de 80, o filme tem força e beleza que instauram uma atmosfera de mistério absoluto.

Agradeço ao Hugo, do blog Cinema – Filmes e Seriados (aqui) pela indicação.
Uma aula de cinema, de história e  existencialismo.
Assistam, quem se envolve na sua poetice, sempre irá recordar-se dele.


Abraços Literários e até a próxima.



sexta-feira, 6 de abril de 2018

Perfeitos Desconhecidos-


                                                                         


"Perfeitos Desconhecidos" dirigido por Paolo Genovese tem um enredo atual que fala sobre como lidamos com as redes sociais e especificamente sobre segredos que algumas pessoas guardam em seus celulares.
A película prega que todos temos três vidas: uma pública, uma privada e uma secreta.
Tendo como ponto de partida a frase acompanhamos um jantar, onde se encontram sete amigos: Eva (Kasia Smutniak), Rocco (Marco Giallini), Cosimo (Edoardo Leo), Bianca (Alba Rohrwacher), Lele (Valerio Mastandrea), Carlotta (Anna Foglietta) e Peppe (Giuseppe Battiston) numa noite que tinha tudo para ser agradável: um eclipse lunar, uma farta refeição italiana, um bom vinho e uma boa conversa.

                                                                                 


Só que ao conversarem sobre um amigo ausente que se divorciou devido a uma mensagem recebida de uma amante, surge a ideia de um jogo da verdade revisitado, onde todos deixam seus celulares na mesa para compartilharem as mensagens e ligações que ocorrerem durante o jantar, mostrando assim que não têm nada a esconder. Alguns oferecem resistência, mas para não se comprometerem todos concordam e, a partir daí, estão obrigados a lerem qualquer mensagem recebida em voz alta e atender chamadas no viva voz.
Afinal, ninguém tem nada a esconder. (Ou tem?) Sua vida é um livro aberto? Sua família, parceiro e amigos, você os conhece realmente? Ou conhece apenas o que eles tornam público, já que o nosso interior é território que só nós adentramos?
E o que era de se esperar acontece: a cada ligação atendida e mensagem lida, um segredo é revelado.
O filme é um drama com humor negro e roteiro muitíssimo bem construído, elaborado com ótimas tiradas, grandes sacadas, momentos constrangedores, clima pesado e desconforto.
Com interpretações impecáveis, diálogos ácidos e sarcasticamente bem estruturados, narrativa ágil e muitos segredos, o filme diverte e faz uma crítica inteligente sobre como a tecnologia interfere nas relações, na divisão de atenção entre o real e as interações virtuais, além de mostrar o quão vulneráveis somos, confiando na "caixa preta", como um dos personagens define o celular.
Tem coisas que você não diz, não são grandes segredos, mas pequenas informações que preferimos omitir. E o que não dizemos pode, em hipótese, dizer mais sobre nós do que o que aquilo que tornamos público na nossa caixa preta. Até que ponto vale a pena conhecer todos os segredos de alguém? Se fôssemos obrigados a compartilhar absolutamente tudo, as relações continuariam as mesmas? Até onde nossa privacidade está protegida?
Todo filmado em um único cenário, o que lembra uma peça de teatro, “Perfetti Sconosciuti”, figura entre um dos melhores filmes do gênero que assisti!

Abraços literários e até a próxima.

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sábado, 31 de março de 2018

Feliz Páscoa-


                                                                            


A Páscoa é uma das datas comemorativas mais importantes entre as culturas ocidentais.
O termo “Páscoa” tem uma origem religiosa que vem do latim Pascae.
Na Grécia Antiga, este termo também é encontrado como Paska, porém sua origem mais remota é entre os hebreus, onde aparece o termo Pesach, cujo significado é passagem.
Historiadores encontraram informações que levam a concluir que uma festa de passagem era comemorada entre povos europeus há milhares de anos, principalmente na região do Mediterrâneo, algumas sociedades, entre elas a grega, festejavam a passagem do inverno para a primavera, durante o mês de março. Geralmente, esta festa era realizada na primeira lua cheia da época das flores. Entre os povos da antiguidade, o fim do inverno e o começo da primavera eram de extrema importância, pois estava ligado a maiores chances de sobrevivência em função do rigoroso inverno que castigava a Europa, dificultando a produção de alimentos.

Entre os judeus, a data marca o êxodo deste povo do Egito, por volta de 1250 a.C, onde foram aprisionados pelos faraós durante muitos anos. A Páscoa Judaica também está relacionada com a passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho, onde liderados por Moisés, fugiram do Egito, passando da escravidão à liberdade. Nesta data, os judeus fazem e comem o matzá (pão sem fermento) para lembrar a rápida fuga do Egito, quando não sobrou tempo para fermentar o pão.

Entre os cristãos, esta data celebrava a ressurreição de Jesus Cristo, passagem da morte à vida eterna (quando, após a morte, sua alma voltou a se unir ao seu corpo). O festejo era realizado no domingo seguinte a lua cheia posterior ao equinócio da Primavera (21 de março). A semana anterior a Páscoa é considerada como Semana Santa. Esta semana tem início no Domingo de Ramos que marca a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém.

A figura do coelho está simbolicamente relacionada a esta data comemorativa, pois este animal representa a fertilidade. O coelho se reproduz rapidamente e em grande quantidade.
Entre os povos da antiguidade, a fertilidade era sinônimo de preservação da espécie e melhores condições de vida, numa época onde o índice de mortalidade era altíssimo.
O coelho representa simbolicamente o nascimento e a esperança de uma nova vida.
Mas o que a reprodução tem a ver com os significados religiosos da Páscoa?
Tanto no significado judeu quanto no cristão, esta data relaciona-se com a esperança de uma vida nova.
Já os ovos de Páscoa, de chocolate ou enfeites, também estão neste contexto da fertilidade e da vida.

Então, independente de qual seja sua religião, ou se você não tem uma, vamos aproveitar a data para renovar as esperanças em uma vida recheada de doçura?????????

Uma Feliz e Abençoada Páscoa!

Abraços Literários, beijos doces e até a próxima.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Criaturas & Criadores: Histórias para Noites de Terror


                                                                            


A edição de "Criaturas & Criadores: Histórias para Noites de Terror", linda com sua capa dura roxa e ilustrações em cobre metalizado é uma coletânea de contos que apresenta caprichadas releituras inspiradas em quatro consagradas obras da literatura de terror em versão nacional.

A Criatura, de Raphael Draccon, nos apresenta Elizabeth, uma repórter que acostumada a publicar furos de reportagem em seu canal no YouTube não se abala com os lugares que precisa visitar, nem que seja uma comunidade cercada por homens armados. Seu objetivo ali: desvendar os mistérios do Dr. Victor, responsável pela criação de um monstro que aterroriza até os soldados bem treinados do BOPE.
Um conto bem elaborado com início, meio e fim, e bons personagens numa contextualização instigante onde é possível visualizar cada cena narrada.

Conde de Ville, de Carolina Munhóz – Com bloqueio criativo, Elizabeth já perdeu todos os prazos de seu editor. Não importa o que ela faça, não consegue finalizar o seu próximo conto de terror.
Até que vai à nova, badalada e trevosa boate da cidade que tem uma decor gótica e um proprietário misterioso que alguns frequentadores nunca viram.
Mas Beth consegue conhecer V. em sua primeira visita.
Esse conto, que foi o que menos gostei, tem uma protagonista que não ganha a empatia do leitor, um final estranho, um enredo previsível e até um início que confunde já que o nome da protagonista é o mesmo da primeira história hihihi

Em Por Trás da Máscara, de Frini Georgakopoulos, conhecemos Cristine que está realizando o sonho construído por ela e seu pai. Mas agora que ele nunca mais verá suas apresentações, sua alegria de cantar morreu e ela pode perder a conquistada vaga no importante instituto de música. Uma lenda diz que a voz perfeita conseguirá a ajuda do fantasma do professor mais exigente do instituto se cantar para ele em meio aos escombros do teatro abandonado.
Por mais inusitada que a ideia possa ser, Cris decide arriscar e descobre que seu sonho pode se tornar um pesadelo.
Nesse que é o conto mais longo da antologia, e o que mais gostei, narrativa, personagens e final me agradou muitíssimo, surpreendeu e garantiu suspiros.

O Sorriso do Homem Mau, de Raphael Montes
- Pablo é um profissional respeitado e feliz em seu dia a dia como marido, pai e dentista, quando começa a criar hábitos estranhos e partes do seu dia são apagados de sua memória, como se nunca tivessem acontecido. O que ele faz nesses momentos é algo do qual ninguém se orgulharia.
O autor presenteia os leitores com uma versão estendida de um de seus primeiros trabalhos, com um desenvolvimento arrepiante da história assim como seu desfecho tenso.

Acho que mesmo quem não gosta do gênero pode se interessar pelo livro já que as narrativas da obra não são exaaatamente de terror, mas descrevem a capacidade do homem em fazer o mal, e isso sim é assustador.

Abraços Literários e até a próxima.


terça-feira, 27 de março de 2018

Horror na Colina de Darrington-


                                                                               


Sinopse- Em 2004, Benjamin Simons deixa o orfanato em que viveu desde a infância para ajudar seus únicos parentes num momento difícil: com a tia debilitada e o tio trabalhando dia e noite, precisavam de alguém para tomar conta de sua prima Carla, de apenas cinco anos de idade.
No entanto, certa madrugada, a tranquilidade da colina de Darrington é interrompida por um estranho pesadelo que a cada minuto vai tomando formas reais. Logo, Ben descobre-se preso numa casa que abriga mistérios, onde o inferno parece próximo e o mal possui força evidente.
Isso tudo aconteceu quando Ben estava com dezessete anos, e foram experiências das quais ele preferia esquecer completamente…
Passaram-se dez anos, mas aquele pesadelo o acompanha de perto. Ben sente que precisa voltar e sabe que, ou desvenda tudo ou sempre viverá com medo. Então, ele decide contar, e traz numa narrativa angustiante e rica em detalhes tudo o que viveu e todas as batalhas impensáveis que travou para tentar manter a si próprio e a prima em segurança. E se descobre no centro de uma conspiração capaz de destruir sua própria sanidade.

                                                                                 


Horror na Colina de Darrington é o livro de estreia do brasileiro Marcus Barcelos, que possui mais de um milhão de leituras no Wattpad. Na obra que se passa em South Hampton, EUA, ele cria uma trama no estilo norte-americano de terror, não tão comum por aqui, com muitas cenas de horror distribuídas ao longo de doze capítulos e 142 páginas.
A sinopse entrega praticamente tudo, Benjamin é um órfão de 17 anos que sempre viveu no Orfanato St. Charles e que após o pedido de seu tio para ajudá-lo a cuidar da filhinha de cinco anos, se muda para a casa localizada na colina de Darrington.
A casa é estranha, esconde segredos sombrios, fazendo com que ele tenha visões assustadoras e logo se vê às voltas com uma conspiração ligada a elementos com sede de poder, envolvendo pessoas influentes e o sobrenatural.
Como os fatos são narrados em primeira pessoa, pelo próprio Ben, dez anos depois que aconteceram, a “verdade” fica nublada – estaria ele sendo fiel aos fatos ou imaginando coisas?
A certa altura, o próprio leitor se questiona se tudo aconteceu mesmo ou é ilusão de sua mente imaginativa.
O livro é curtinho e a leitura rápida intercalando presente e passado mostrando um pouco da história do protagonista e da casa antes do ocorrido.
No início dos capítulos, há prontuários, documentos, registros telefônicos e matérias de jornal que recapitulam o que irá ser revelado fazendo o leitor ligar os pontinhos no final.

                                                                             


A capa em alto-relevo é linda, a diagramação impecável, as folhas amarelas tornam a leitura confortável e as ilustrações de Thomaz Magno garantem a atmosfera sombria.

Não falta nada nem tem pontas soltas, masssssss achei mais ou menos, fiquei com uma sensação de déjà-vu, como se o autor tivesse se inspirado em váááááárias histórias conhecidas.
De qualquer maneira acho que os amantes de terror vão gostar do livro.

Abraços Literários e até a próxima.


domingo, 25 de março de 2018

A Casa do Lago-

                                                                         


Sinopse- A casa da família Edevane está pronta para a festa do solstício de 1933.
Alice, uma jovem e promissora escritora, tem dois motivos para comemorar: ela criou um desfecho surpreendente para seu primeiro livro e está secretamente apaixonada.
Porém, à meia-noite, enquanto os fogos de artifício iluminam o céu, os Edevanes sofrem uma perda devastadora que os leva a deixar a mansão para sempre. 
Setenta anos depois, após um caso problemático, a detetive Sadie Sparrow é obrigada a tirar uma licença e se retira para o chalé do avô na Cornualha. Certo dia, ela se depara com uma casa abandonada rodeada por um bosque e descobre a história do bebê que desapareceu sem deixar rastros. A investigação fará com que seu caminho se encontre com o de uma famosa escritora policial. Já uma senhora, Alice Edevane trama a vida de forma tão perfeita quanto seus livros, até que a detetive surge para fazer perguntas sobre o seu passado, procurando desencavar uma complexa rede de segredos da qual ela sempre tentou fugir.

                                                                              


Jurava que esse livro tinha como referência A Casa do Lago, filme de 2006, estrelado por Sandra Bullock e Keanu Reeves (que eu ameeeeei, apesar da atmosfera melancólica) e que é uma refilmagem do filme sul-coreano de 2000, Siworae Il Mare. Não é ://
   
                                                                          


A obra de Kate Morton é o típico livro que conta com minucioso processo de criação.
A narrativa tem, início em 1910, passa para 1930 e salta para 2003, nos apresentando os diferentes costumes sociais que caracterizam cada época.
O enredo é construído em cima do misterioso desaparecimento de um bebê, filho caçula da família Edevane. Parte da história é mostrada através da filha do meio do casal Edevane, Alice, uma jovem imaginativa que dedica seu tempo a criar histórias.
A segunda parte acontece setenta anos depois, quando a detetive Sadie toma conhecimento do caso, nunca solucionado, e decide investigá-lo.
A partir daí, a autora alterna passado e presente em um intricado quebra-cabeças, criando um labirinto em torno do mistério.
Pontos de vista de cada envolvido são apresentados, e assim conhecemos as biografias, as motivações e os segredos de cada um.
No presente, a obsessão da detetive Sadie pela história se mescla a um caso mal resolvido dela própria, criando uma trama paralela à principal.
Só que a autora é tão imaginativa quanto sua personagem Alice, e elaborou tantos detalhes, interligações e segredos que a história ficou cansativa. O excesso de detalhes (o mínimo dos mínimos dos detalhes :p) faz de A Casa do Lago um livro que não instiga nossa curiosidade para virar as páginas buscando pelo desfecho.
Outra questão é o tanto de reviravoltas que em vez de deixar o leitor sem fôlego se acumularam parecendo que você está lendo vários livros em um só, inclusive o desfecho tem uma pegada de dramalhão.

Fãs de thrillers e suspenses certamente não vão cair de amores pela leitura, masss para leitores que gostam de narrativas com segredos familiares, dramas e amores mal resolvidos, o livro é uma opção.

Abraços literários e até a próxima.


sexta-feira, 23 de março de 2018

Extraordinário- Livro e filme


                                                                             


TBR, abreviação de To Be Read, que é a nossa Lista Para Ler. Para dar cabo daqueles livros acumulados nas prateleiras esperando para serem lidos e que vão sendo sistematicamente deixados para o finalzinho da lista ou abandonados e ter a oportunidade não só de variar de gênero (siiiiiiiiim ultimamente só tenho lido thrillers policiais, psicológicos, investigativos, suspense e terror rsrs), mas de gostar de romance, drama, aventura, ação, chick-lit e hots.

Hoje é a vez de “Extraordinário” que praticamente dispensa apresentações. Em algum momento você já ouviu falar do garotinho Auggie Pullman que nasceu com uma deformidade facial e que pela primeira vez frequentará uma escola como qualquer criança de sua idade. De J.R.Palacio a história tem uma legião de fãs e faz parte da leva de obras que tratam o início da adolescência com questões mais sérias.
Recebi o livro há uns quatro anos e não sei porque não li. Talvez porque achei que fosse sobre “doença”. Não é!

                                                                            

                                                                                
O filme é dirigido por Stephen Chbosky (As vantagens de ser invisível) que também é responsável pelo roteiro. Há uma identificação imediata e uma relação de empatia que mistura mensagem edificante e processo de amadurecimento do protagonista, mas o mais interessante é que não é didático nem apelativo, não há exploração da doença, o grande acerto aqui é o compartilhamento de sentimentos comuns. O afeto entre obra e público não está relacionado a condição física do personagem, não há estereótipo e sim a humanização, afetividade, imaginação e humor numa combinação levinha (que faz chorar de mansinho em alguns momentos)
Mais interessante ainda é ter outros pontos de vista em sincronicidade. Estratégia narrativa que funciona bem, já que todo fato ganha força quando vista por outros pontos de interpretação. Além disso, evidencia que essa fase não é complicada apenas para Auggie que tem sua diferença estampada na face, mas também para sua irmã Via, para a amiga Miranda, o melhor amigo JackWill ... num belíssimo mosaico de vidas.
Elenco alinhado, começando pelo talentoso Jacob Tremblay (O Quarto de Jack) que demonstra seu carisma saindo-se muito bem, assim como todo o elenco infantil;  Julia Roberts que num jogo de olhares vive as preocupações de todas as mães que sabem não poderem ser onipresentes; a irmã Via, interpretada por Izabela Vidovic, melancólica adolescente construída com sutileza em arcos mais complexos. Aliás, todos os personagens secundários estão perfeitamente inseridos e alinhados com extraordinária qualidade, com o perdão do trocadilho.
Um roteiro que foge do retrato simples da criança com suas diferenças enfrentando um mundo hostil, e que poderia facinho ser um clichê sobre bullying ou um drama pesaroso, mas apesar das frases de efeito e dos finais felizes, traz em uma estrutura como capítulos de livro, uma boa e realista composição dos novos adolescentes com virtudes e problemas comuns e inerentes a essa geração se tornando uma obra interessante e reflexiva que vale a pena ser conferida.

Abraços Literários e até a próxima.