Queremos convidar você a fazer uma viagem, uma viagem mágica, por diversos países, culturas, hábitos, épocas, onde sua imaginação quiser e você se permitir...

Viajar pelas páginas de nossos livros, por vários gêneros, escritores anônimos e ilustradores e também os ilustres escritores: romances, aventuras, comédias, mistérios, épicos, auto-ajuda, poéticos, didáticos... toda leitura faz o ser humano conhecer, abranger, crescer...

Neste blog vamos divulgar, sugerir, incentivar, um espaço para interagir com você, que vai ser nosso seguidor ou dar apenas uma espiadinha, mas será sempre bem-vindo, como aquele amigo que senta para tomar um café e conversarmos sobre aquelas páginas de um livro que mais nos marcou, ou aquele que estamos lendo no momento, então fica aqui nosso convite, entre no nosso blog, tome um café, enquanto passeia pelos nossas postagens, interaja conosco sempre, estamos aqui na rede aguardando a sua chegada.


Abraços literários.


Aparecida




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terça-feira, 16 de outubro de 2018

Literatura Infantil-



Para os pequenos, a galerinha que está começando a ler agora e para leitores de todas as idades que dão vozes às suas crianças interiores, escolhi alguns livrinhos que chegaram por aqui nesse 2018, vamos conhecer as narrativas por trás dessas capas lindinhas?


Lina e o balão de Komako Sakai – Editora Pequena Zahar

Durante um passeio, Lina ganha um balão amarelo. Mas ele não é um simples balão amarelo para ela: é seu amigo. Vão brincar juntos, comer juntos, dormir juntos. O problema é que essa amizade é, por assim dizer, frágil, e um vento leva seu novo amigo para o alto de uma árvore. A menininha fica muito triste com essa possibilidade de perda e vai precisar confiar na sua mãe para tentar manter esse laço de amizade.



O Passeio de Pablo Lugones - Editora Gato Leitor

“Preparada, filha?” A menina mal responde e sai voando na bicicleta. Desta página em diante, o leitor percorrerá um longo passeio pelo tempo, acompanhando pai e filha em suas pedaladas. Lado a lado, eles envelhecem abrindo caminho para as descobertas.




O sol se põe na Tinturaria Yamada de Claudio Fragata – Editora Pulo do Gato

Sentado à porta da tinturaria, o senhor Yamada tenta relembrar a cantiga que entoava com os irmãos quando era apenas um menino, em Kyoto. O sol aquece suas lembranças, ele fecha os olhos e repete os versos até recuperá-los dos esconderijos do tempo.




A ilha do vovô de Benji Davies – Editora Salamandra

Um dia, o avô de Syd o convida a conhecer o sótão. Em meio a objetos antigos, recolhidos em viagens, há uma porta que abre para um mundo de fantasia. Syd e o avô não estão mais em casa, mas em um navio a caminho da ilha do vovô. Lá, eles brincam e vivem momentos muito felizes até que é chegada a hora de voltar. Mas o idoso não vai sair daquele paraíso. Este é um caminho que o menino precisa fazer sozinho. É com essa metáfora que o livro fala sutilmente sobre morte e perda.




No sótão de Hiawyn Oram – Editora Pequena Zahar

Às vezes, tudo que a gente precisa é de um pouco de espaço para deixar a imaginação fazer seu trabalho. O menino deste livro tinha muitos brinquedos espalhados pela casa, mas não conseguia se divertir. Até que um dia ele subiu no sótão, que estava praticamente vazio, e começou a preencher de aventuras sua vida entediante. Que mágica tinha aquele sótão? O tipo de mágica que nossos filhos precisam: espaço livre, tempo ocioso, uma agenda sem cobranças e nenhuma proposta de brincadeira óbvia.



A volta dos gizes de cera de Drew Daywalt - Editora Salamandra

Se no primeiro livro (lembram dele no ano passado? Clica aqui) os gizes de cera se revoltaram, no segundo tudo o que alguns querem é voltar a ser usados. Desta vez, Diego recebe uma pilha de cartões-postais de seus amigos injustiçados. O bordô, por exemplo, foi esquecido no sofá há dois anos e acabou quebrado. O vermelho-neon foi largado em um hotel e só quer voltar para casa. O amarelo e o laranja, que brigaram no primeiro volume, derreteram no sol e se grudaram. O giz que brilha no escuro está sozinho no porão e com medo dos monstros que ajudou a desenhar. Diego vai arranjar um jeito de agradar a todos os gizes que ele esqueceu, perdeu ou desprezou ao longo do tempo nessa narrativa cheia de humor.




Direitos do pequeno leitor de Patricia Auerbach – Editora Companhia das Letrinhas

Um livro é um grito de liberdade. Assim, todo pequeno leitor precisa saber que pode tudo com a leitura. Desde se imaginar como o herói de uma história, fazer amigos imaginários e ler onde e como quiser. Esse é o manifesto que Patricia Auerbach fez para as crianças neste livro, inspirado na obra Como um Romance, em que Daniel Pennac encoraja os leitores a transgredirem a leitura, pulando páginas ou até abandonando livros antes do fim. E que Odilon Moraes ilustra com elementos de outras histórias infantis, como Alice no País das Maravilhas e Onde Vivem os Monstros.




Assopre, ponha o curativo e sarou! de Bernd Penners – Editora Brinque-Book

Sabe quando a gente dá um beijinho para sarar? É mais ou menos isso o que este livro faz. Mas o leitor, aqui, precisa interagir colando os curativos nos animais machucados – o macaco bateu a testa, a ovelha arranhou a barriga e o cachorro torceu a pata, por exemplo. E não basta grudar o adesivo, é preciso doar também uma dose de afeto, pois para cada machucado há o pedido de assoprar e dar um beijo. Por ser cartonado, o livro permite a brincadeira de colar e descolar, sem medo de amassar.



Eu pirei no A Volta dos gizes de cera, desidratei de chorar com A Ilha do vovô e queria um curativo pra sarar o dodói da saudade da minha pequerrucha <3
E aí bebês me contem qual livro vocês acharam mais fofoludo?????


Abraços Literários e até a próxima.



sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Cujo- Livro e Filme


                                                                            


Sinopse- Frank Dodd está morto e a cidade de Castle Rock pode ficar em paz. O serial-killer que aterrorizou o local por anos agora é apenas uma lenda urbana. Exceto para Tad Trenton, para quem Dodd é tudo, menos uma lenda, já que o espírito do assassino o observa da porta entreaberta do closet todas as noites. Nos limites da cidade, Cujo – um são Bernardo de noventa quilos, que pertence à família Camber – se distrai perseguindo um coelho para dentro de um buraco, onde é mordido por um morcego raivoso. A transformação de Cujo, como ele incorpora o pior pesado de Tad Trenton e de sua mãe e como destrói a vida de todos a sua volta é o que faz deste um dos livros mais assustadores e emocionantes de Stephen King.

                                                                              


Na obra companhamos a história de duas famílias: Trenton e Camber que se encontram de maneira trágica e Stephen King aborda com sutileza temas como relacionamento familiar, violência doméstica e abusos entregando uma surpreendente trama que seduz desde as primeiras páginas.
Vic, Donna e Tad Trenton se mudaram para o Castle Rock, no Maine.
Vic está passando por uma crise no trabalho. Donna, cansada de se sentir sozinha o tempo todo, começa um caso com um restaurador de móveis da cidade e Tad é um garotinho de 4 anos que vê em seu armário um monstro horrível, mas seus pais têm mais com que se preocuparem do que com monstros.
Cujo é o cão de Brett Camber, filho de Charity e Joe, um dócil São Bernardo que depois de ser mordido por um morcego se transforma num monstro com sede de sangue.
A família Trenton o conhece quando Vic leva o carro para consertar com Joe que é mecânico.

Cujo é diversas vezes descrito como um sucessor espiritual de Frank Dodd, um assassino em série.
Passamos boa parte da leitura com dúvidas sobre a origem da fúria do cão: se é de natureza biológica ou sobrenatural?
Se Frank Dodd era o culpado pela raiva de Cujo?
Ele era o responsável pela atmosfera opressiva e sombria da cidade, resultado do medo que ainda existia dentro dos moradores de Castle Rock.
King aliás nunca decepciona ao escrever sobre o medo, as várias camadas de seus personagens, a profundidade dos sentimentos e vulnerabilidade das relações.

O terror desse livro é cheio de desencontros e ironias tornando-o ainda mais assustador.
Os acontecimentos que levam ao clímax são tão naturais que ficamos presos ao livro e ansiosos para saber como tudo vai acontecer.
O livro não é dividido em capítulos, mas apesar de contínua, a escrita é fluida e fácil de acompanhar.
Confesso que tinha receio de ler “Cujo”, pois sou ultrassensível a qualquer sofrimento animal.
E o autor ainda resolve escrever alguns trechos com os sentimentos e pensamentos de Cujo o que acaba de vez com nossa resistência emocional.
Se você é como eu, não tenha medo. O livro não contém crueldade com animais.
De qualquer maneira como chorar virou meu nome do meio é claro que desidratei.
                                                                     



A trama inserida no filme é praticamente a mesma do livro, como um roteiro.
Lançado em 1983, o filme Cujo,  com direção de Lewis Teague,  tem Dee Wallace como Donna Trenton e Billy Jayne como Brett Camber.


Abraços Literários e até a próxima.


domingo, 30 de setembro de 2018

O Colecionador- Livro e Filme


                                                                              


Sinopse- “O Colecionador”, 1963, que inspirou o filme homônimo de 1965, é o romance de estreia de John Fowles e narra a história de Frederick Clegg, um funcionário público que coleciona borboletas e, quando subitamente, se torna dono de uma fortuna planeja sequestrar Miranda, seu amor platônico.
A trama se desenvolve com a disformidade da personalidade de Clegg, que tem a seu favor a superioridade de força, contra a vitalidade e inteligência de Miranda que, confunde e ofusca o sequestrador.

Fowles que se inspirou em autores existencialistas como Sartre e Albert Camus, surpreendeu os leitores dos anos 1960 com um thriller que faz uso de elementos filosóficos inovando o gênero suspense tornando a obra um ícone do século XX.

São dois os protagonistas e temos dois pontos de vista: o do sequestrador e o da vítima.
Frederick Clegg, “o colecionador”, um homem tímido e com complexo de inferioridade que é fascinado por colecionar borboletas, e também por Miranda. Ele a segue todos os dias, conhece seus horários, os lugares que frequenta, sabe quem são seus amigos, onde mora e tudo sobre sua família. Muitas vezes passa por ela fingindo ler um jornal.
Sua imprevisibilidade desperta a curiosidade do leitor e surpreende, apesar de suas tentativas em racionalizar sua condição de sociopata já que ele aceita como corretas suas ações.
Miranda Grey é uma jovem estudante de artes
que sonha ser pintora e acabou de ganhar uma bolsa na prestigiada Escola de Arte Slade.

Certo dia a vida de Clegg muda completamente. Após receber uma fortuna ele planeja “capturar o espécime” que faltava em sua coleção. Então sequestra a jovem e a aprisiona no porão de sua casa. Ele quer demonstrar seu “amor” por ela e quer ser correspondido.
Obviamente o sequestro em si é o primeiro de uma série de obstáculos à reciprocidade desejada por ele.
Enclausurada a moça vive como “mais uma” de suas borboletas, sob o olhar de seu "dono", que apenas a alimenta. O contato físico entre eles ocorre apenas em função das tentativas de fuga dela, quando Clegg a subjuga pela força.
É uma situação sem saída, se ela o rejeita ele se sente ferido, se ela cede aos seus pedidos ele entende como fingimento e falsa aceitação. Nada que Miranda faça o satisfará.
Imaturo, sua relação desenvolvida é a de posse (a coleção de borboletas) e ele não percebe a destruição que provoca ao ser amado.

É uma leitura difícil, detalhada e claustrofóbica onde sentimos muito medo por ser uma temática infelizmente, atemporal.

                                                                              


Sobre a edição da DarkSide a capa é dura, o projeto gráfico lindo com pintura trilateral, miolo em papel pólen soft e boa diagramação. Tem prefácio escrito por Stephen King e um posfácio contendo explicações sobre referências artísticas e literárias que o leitor encontra ao longo da leitura.

                                                                               

O filme "O Colecionador" de 1965 tem direção de Willian Wyler, Terence Stamp como Clegg/Freddy/Franklin e Samanta Eeggar como Miranda.


                                                                           

O final, praguinhas e pestinhas, vou deixar em branco é só selecionar combinado?
Masssss se olharem com atenção esse banner não é difícil adivinhar :(

Spoiler Miranda adoece e morre.
Morta torna-se um objeto: não há mais essência à admirar, então Clegg parte em busca de um novo "exemplar". Fim do Spoiler.



Abraços Literários e até a próxima.


quarta-feira, 26 de setembro de 2018

172 Horas na Lua-


                                                                               


2018. Cinco décadas desde que o homem pisou na Lua pela primeira vez.
Três adolescentes vencem um sorteio mundial promovido pela NASA e vão passar uma semana na base lunar DARLAH 2 - um lugar que, até então, só era conhecido pelos altos funcionários do governo americano.
Mia, Midore e Antoine se consideram os jovens mais sortudos do mundo. Mal sabem que a NASA tinha motivos para não ter enviado mais ninguém à Lua desde que eventos inexplicáveis e experiências fora do comum começaram a acontecer.
Preparem-se para a contagem regressiva...

Depois de meio século que a famosa expedição levou o homem a lua, e vários motivos afastaram os investidores desse tipo de expedição, a NASA decide enviar uma nova equipe para explorar a DARLAH 2, uma base lunar até então só conhecida por sua alta cúpula.
Um concurso cultural seleciona três jovens para passarem uma semana no local.
Duas meninas e um rapaz que não se enquadram na categoria de entusiasmados para a viagem. Mia que tem um sério problema de relacionamento com os pais controladores, Midore, uma japonesa que sonha fugir do conservadorismo dos seus pais e Antonie que é francês e quando o grande amor da sua vida lhe troca por outro, tudo que ele quer é sumir da face da terra.
Eles passam por um treinamento antes da viagem, mas nada poderia prepará-los para os acontecimentos que estavam por vir.
Narrado em terceira pessoa, o livro é divido em três partes: antes, durante e após a viagem a lua.
A primeira parte é um tantinho arrastada, já que é aí que somos apresentados aos protagonistas e a tripulação do foguete. Caitlin, a piloto, uma mulher forte, mas que sabia reconhecer suas limitações. O comandante Nadolski. um homem rígido, mas que faria de tudo para manter todos a salvo. E Coleman que tinha muitos segredos a revelar. 
A equipe vai passar 172 horas na lua e nesse tempo, vão ficar na base DARLAH 2, um mar de tranquilidade.
Tudo vai bem até que começam uma série de acontecimentos trágicos e temos a sensação de estar em uma montanha-russa com tanto plot twist, adrenalina sempre em alta e suspense de tirar o fôlego.
Achei interesse o autor incluir lendas na trama. Elas são sinistras e o terror agregou um “Q” a mais à história. A inclusão de “doppelgängers” (que segundo lendas germânicas, de onde provém, é um monstro que tem o dom de representar uma cópia idêntica. Duplo-eu ou sósia) combinou com o enredo e foi uma grande sacada do autor.
O livro é curto e o autor não perde tempo com enrolação.
Até o presente momento, 172 horas na lua é um livro único.

Se você gosta de todas as pontas amarradas, talvez se decepcione um pouco, mas vale a pena arriscar a leitura.
É uma boa trama de suspense, terror espacial e sci-fi.

Beijos literários e até a próxima.


sábado, 22 de setembro de 2018

Saudação à Primavera de Cecília Meireles-




Para celebrar a Primavera que tem início hoje as 22h54min vamos de Cecília Meireles!

Saudação à Primavera

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem na rotação da eternidade.
Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa”
Volume 1- pág. 366
Editora Nova Fronteira


Abraços Literários, beijos floridos e até a próxima.



terça-feira, 18 de setembro de 2018

Capas Temáticas- Primavera



Oieeeee pessoas lindas e fofis, saudade de vocês.
Muito, muito obrigada pela presença aqui enquanto estive ausente do bloguito, obrigada de coração pelas palavras de apoio, carinho, afeto e amizade nesses dias tristes.
Tenham certeza que, no desespero e na dor da perda, vocês foram bálsamo.
Gratidão!





Aproveitando que no sábado chega a Primavera, a estação mais colorida, romântica e perfumada, trago hoje um post temático.
E aos pouquinhos vou colocar em dia as visitas viu bebês????



A Primavera da Lagarta

Depois de uma reunião debaixo da bananeira da floresta, a formiga, o louva-a-deus, o camaleão (que vivia mudando de opinião), a joaninha, a lagartixa, a libélula, o gafanhoto, o caracol, a aranha e a cigarra (ufa, quanta gente!, ou melhor, quanto bicho!), decidiram caçar a lagarta, porque ela comia folhas demais (como se eles não comessem nada...). Além disso, eles achavam a lagarta muito feia (como se eles fossem muito lindos...).
Porém, a caçada aconteceu no início da primavera, quando as lagartas se transformam em... Bem, é melhor não contar o final da história, que ficou ainda mais bonita com os desenhos da Madalena Elek.



Primavera de Cores

A Primavera chega a Florianópolis e com ela vários acontecimentos que irão marcar para sempre a estação das flores. Um clima de mistério envolve Helen e seu futuro. Um sonho tenebroso encontra seu repouso da noite e trará muito mais que um descortinar de acontecimentos vindouros, mas a revelação do seu próprio destino. Enquanto Helen firma sua esperança nas promessas de um sonho, ela passa a ser perseguida por dramas que acometerão não apenas sua trajetória, como também a das pessoas mais importantes de sua vida. A estação será marcada por suspense, romance e emoção. Uma tocante história com uma lição inesquecível sobre o perdão, a liberdade, o valor das amizades e o poder do amor.



Primavera Eterna

Maia é uma jovem publicitária bem-sucedida. Tem um emprego estável, um namoro estável, uma vidinha estável. Até demais. Certo dia, tentando imaginar como seria sua vida no futuro, o casamento, os filhos, visualiza duas crianças loirinhas correndo... Loirinhas? Então ela se dá conta de onde vem aquela cor de cabelos: Diogo, o menino por quem se apaixonou à primeira vista aos 12 anos, numa cidadezinha do interior, onde costumava passar os fins de semana com a família. Acontece que ele se mudou para os Estados Unidos há mais de dez anos, e a essa altura da vida, já nem deve se lembrar mais dela.
Mesmo assim, num impulso, Maia pede férias na agência, inventa uma viagem de trabalho como desculpa para o namorado e vai para Nova York, atrás do seu primeiro amor. Primavera Eterna é a história de uma jovem cheia de sonhos esquecidos, que ousa arriscar tudo o que tem e acaba encontrando a si mesma. 



Primavera Silenciosa

Raramente um único livro altera o curso da história, mas Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, fez exatamente isso. O clamor que se seguiu à sua publicação em 1962 forçou a proibição do DDT e instigou mudanças revolucionárias nas leis que dizem respeito ao nosso ar, terra e água. A preocupação apaixonada de Carson como futuro de nosso planeta reverberou poderosamente por todo o mundo, e seu livro eloquente foi determinante para o lançamento do movimento ambientalista. Este notável trabalho de Rachel Carson foi considerado em 2000, pela Escola de Jornalismo de Nova York, uma das maiores reportagens investigativas do século XX.


As Primaveras

Casimiro de Abreu é o poeta do lirismo e da simplicidade. Os anseios da juventude, as saudades da infância e os compromissos com sua terra natal fazem da obra de Casimiro de Abreu, precoce e espontânea, uma das expressões mais legítimas da poesia do Romantismo brasileiro.
Nostálgico, lírico e dono de uma poesia extremamente musical, o poeta carioca continua encantando e cativando leitores jovens e adultos, de ontem e de hoje. As Primaveras (1859) é o único livro do poeta publicado em vida.
No prefácio desta obra, escreve: “Assim, as minhas Primaveras não passam de um ramalhete das flores próprias da estação — flores que o vento esfolhará amanhã, e que apenas valem como promessa dos frutos do outono”.


VCS já leram algum desses livros?
Se leram qual o favorito?
E qual o livro temático de Primavera que indicam?


Abraços Literários, beijos floridos e até a próxima.



terça-feira, 31 de julho de 2018

Blade Runner 2049-


                                                                                


Talvez você nunca tenha lido um livro de Philip K. Dick, mas certamente conhece alguma de suas obras. Filmes como O vingador do futuroO homem duplo e Minority Report: A Nova Lei, entre outros saíram das páginas de seus livros.

Assim como o cult  Blade Runner: O Caçador de Androides, de 1982, dirigido por Ridley Scott e inspirado na obra “Androides sonham com ovelhas elétricas?” que conta a história de Rick Deckard, um caçador de recompensas que, em uma sociedade distópica, coberta por poeira radioativa e devastada por uma guerra atômica, sonha em substituir sua ovelha de estimação elétrica por um animal de verdade – sonho de consumo que vai além de sua condição financeira. Ele vê a chance de realizar esse desejo ao ser chamado para um novo trabalho: perseguir e aposentar androides que estão refugiados.

                                                                                


Em homenagem ao aniversário deste clássico sci-fi, que completa 50 anos em 2018, e aproveitando a hype da continuação Blade Runner 2049, depois de 35 anos, a editora Aleph preparou uma edição comemorativa com capa dura, encartes coloridos e extras para enriquecer a leitura. A ideia foi desenvolver um novo olhar sobre a história, recriando uma estética que vai além da difundida pelo filme, abordando questões sobre a natureza da vida, da tecnologia e da própria condição humana. O livro em comparação com filme apresenta aspectos da obra não explorados no cinema, como a preocupação ambiental, além das questões religiosas presentes no texto.
Ao longo de sua vida e de sua carreira, Dick nunca deixou de suspeitar do mundo a sua volta, em aparência e em essência.

                                                                                


Androides sonham com ovelhas elétricas?” é uma obra que questiona a condição humana, a verdadeira natureza da realidade e como podemos definir o que é humano.
                                                                                
Em Blade Runner, O Caçador de Andróides, que teve lançamento em 25/12/1982, no século 21, uma corporação desenvolve clones humanos para serem usados como escravos em colônias fora da Terra, identificados como replicantes. Em 2019, um ex-policial é acionado para caçar um grupo fugitivo vivendo disfarçado em Los Angeles.


Em Blade Runner 2049, lançado em 05/10/2017, após descobrir um segredo enterrado há muito tempo, que ameaça a sociedade, um novo policial embarca na busca de Rick Deckard, que está desaparecido há 30 anos.
Com direção de Dennis Villeneuve (do excelente A Chegada com resenha que vocês conferem aqui) é um estudo no mesmo universo, só que 30 anos após os acontecimentos do original, em que a humanidade está novamente ameaçada, e dessa vez o perigo é ainda maior.
O oficial K (Ryan Goslin(dooooooooooooo)g, desenterrou (literalmente) um segredo com potencial para imergir a sociedade no caos.

                                                                             


A descoberta faz com que ele parta numa incessante busca por Rick Deckard (Harrison Ford), desaparecido nos 35 anos que separam as sequências.
Aliás nesses anos que separam o original de sua sequência, foram produzidas muitas distopias, cyberpunk e sci-fi, mas nenhuma (até aqui) com o estilo tão específico imaginado por Ridley Scott láááá atrás.

O roteiro de uma profundidade que eleva o blockbuster ao status cult não precisou fazer uma releitura do mundo no qual a história está inserida e apresenta com bastante propriedade reflexões sobre as relações homem/máquina e como será possível no futuro distingui-los.
Os detalhes do filme permitem que o público interprete como preferir (apesar do óbvio das sociedades escravocratas) já que tudo é sutil.
O roteiro contém conceitos filosóficos suficientes para nenhum spoiler estragar, (a cena final é de uma delicadeza, poetice e sensibilidade absurdamente cativantes), mas ao terminar o longa você vai sentir o choque da realidade e perceber que não estamos tãooooo longe assim da opressão que é retratada nele.
Blade Runner 2049 propõe indagações sobre a natureza da própria alma!
Imperdível.

Abraços Literários e até a próxima.


domingo, 29 de julho de 2018

A História de Malikah-


                                                                             


A História de Malikah, personagem de destaque de O Amor nos Tempos do Ouro, é o segundo livro da duologia escrita por Marina Carvalho.

Sinopse: Malikah conheceu muito cedo a crueldade de que o ser humano é capaz. Escravizada e trazida ainda criança da África ao Brasil, sofreu as mais diversas formas de violência, especialmente depois de ter engravidado de Henrique, o filho do dono da fazenda onde trabalhava.
Estar grávida de um de seus senhores era uma afronta aos costumes da época, por isso Malikah foi duramente castigada e quase morta. Ela e seu bebê só conseguiram escapar com a ajuda de Cécile e Fernão, que lhes deram abrigo na Quinta Dona Regina, lugar onde todos, brancos e negros, viviam em liberdade.
Porém, Henrique arrependido por não ter protegido sua amada e tentando se aproximar de Hasan está sempre por perto.
Será possível perdoar alguém que representa tantos anos de injustiça e sofrimento?

 Ainda menina, Malikah chegou à Fazenda Real, de Euclides de Andrade. Sua mãe Adana foi ajudar nos serviços da casa-grande e Malikah ficou com os demais escravos na senzala.
Sozinha e desprotegida foi obrigada a encarar a realidade do jeito que era possível e cresceu sem entender o porquê de seu povo sofrer tantos maus tratos.
Em meio ao sofrimento encontrou um amigo por quem anos depois se apaixonou: Henrique, filho do dono da fazenda.
Com um filho dessa relação Malikah conta com a ajuda de seus grandes amigos, Cécile e Fernão, para fugir da Fazenda Real e começar uma vida nova.
Mas mesmo após a fuga precisa aceitar a presença de Henrique que se mostra decidido a recuperar a confiança de sua amada e a conquistar o amor de seu filho. 

Depois de O Amor Nos Tempos do Ouro, Marina Carvalho traz outro romance histórico ambientado no Brasil.
Aqui nossa protagonista é uma escrava africana que precisa de muitas palavras para defini-la: guerreira, sábia, amiga, fiel, protetora e inspiradora.
Uma mulher que sofreu como muitos, mas agiu como poucos.
Mesmo com tanta dificuldade que enfrentou, não se abateu e lutou por tudo o que acreditava.
Ao ser abandonada por Henrique, por uma artimanha do pai dele, Malikah só quer dar um futuro melhor para o filhinho, Hasan. Magoada, e mesmo ainda amando Henrique, acredita que não conseguirá aceitá-lo de volta. Henrique por sua vez está decidido retomar o relacionamento. Percebeu que cometeu um erro e está decidido a recuperar a confiança de Malikah que vai viver um período dividida entre ouvir o coração ou deixar que a mágoa prevaleça.
Além disso, ainda tem de conviver com a sombra de um passado que insiste em incomodar: Euclides da Cunha, seu algoz.
O Henrique por sua vez é um personagem interessante, ele não é um mocinho convencional, não é perfeito, errou feio, mas foi capaz de se redimir e fazer de tudo para não perder seu amor de uma vez por todas. Não impondo sua presença, mas demonstrando com atitudes que não era mais um filho dominado pelo pai e que poderia fazer Malikah feliz.

Aqui a autora acertou a mão, nos presenteando com uma belíssima história onde apresenta a força da mulher, as nuances de uma grande amizade, o amor incondicional de uma mãe por seu filho e o que é preciso para fazer prevalecer o amor.
As personagens femininas demonstram força mesmo sendo todas as circunstâncias desfavoráveis e todos sendo contra, e isso em uma época em que as mulheres quase não tinham voz e as tradições favoreciam os homens.
A escrita de Marina foi fluída e a leitura rápida proporcionou momentos impactantes, emocionantes, envolventes e instigantes.
Nessa obra a pesquisa histórica, ao contrário do primeiro livro, foi na medida exata, o conhecimento das crenças e costumes do povo africano por exemplo, foi enriquecedor abrilhantando a narrativa e tornando-a apaixonante.

Gostei desses romances históricos nacionais e achei importante que a autora mesmo desenvolvendo uma temática obviamente romântica, não ignorou a realidade da época, marcada pela pobreza, opressão e escravidão, mas com uma escrita sensível e cativante.

Abraços Literários e até a próxima.



sexta-feira, 27 de julho de 2018

O Amor nos Tempos do Ouro -


                                                                               

Sinopse- Cécile Lavigne perdeu todos os que amava e está sozinha no mundo. Ela, uma franco-portuguesa que ainda não completou vinte anos, está sendo trazida ao Brasil pelo único parente que lhe restou, o ambicioso tio Euzébio, para casar-se com o mais poderoso dono de terras de Minas Gerais, homem por quem Cécile sente profundo desprezo. O trajeto até Minas Gerais lhe reserva provações e surpresas que ela jamais imaginaria. O explorador Fernão, português gentil contratado por seu futuro marido para guiá-la na jornada, despertará nela sentimentos contraditórios.
Antes de enfim consolidar o temido casamento, Cécile descobrirá todos os encantos e perigos que existem nessa nova terra e crescerá nela a coragem para confrontar as imposições da sociedade e o seu próprio destino.

Cécile Lavigne perdeu a família em um naufrágio. O tio, um homem ambicioso, decide trazê-la ao Brasil para se casar com Euclides, um homem temido e sem escrúpulos com quem Cécile não tem a menor vontade de se unir.
Após a longa viagem pelo Atlântico, ela desembarca no Rio de Janeiro e é apresentada ao aventureiro Fernão, homem responsável por levá-la até Minas Gerais. Cécile acha Fernão um homem rude e grosseiro, e ele, por sua vez, acha que ela é uma mocinha mimada e frágil.
Massssssss não demora para perceberem que se enganaram a respeito um do outro e logo surge afeto e interesse mútuos.
É fácil gostar de Cécile, uma mulher convicta de seus ideais e que enfrenta corajosamente as adversidades.
A narrativa é em terceira pessoa, mas também tem algumas partes em que conhecemos a história pelos olhos de Cécile quando ela escreve em seu diário e pela visão de Fernão na forma de cartas escritas para ela.
Os personagens são razoavelmente bem construídos, com exceção de Euclides que é um vilão caricato.

A autora fez uma minuciosa pesquisa para trazer uma obra que mesmo sendo ficção, prima pela descrição detalhada de acontecimentos históricos e foi fiel ao abordar temas da época que infelizmente ainda hoje são comuns: o machismo e o racismo.
O livro nos leva em uma viagem pelo nosso país mostrando a realidade com que os negros traficados e os nascidos aqui, os índios, eram tratados pelos colonizadores, e também como as mulheres eram tratadas naquela época.

Um romance histórico que tem o mérito ser nacional, com personagens interessantes e que prende a atenção (apesar do tom de pesquisa que tornou a leitura um pouquinho arrastada e um tantinho sem emoção, assim meio didático sabem????)

Amor nos Tempos de Ouro é seguido por A História de Malikah, personagem de destaque no primeiro romance.

Abraços Literários e até a próxima.



sexta-feira, 20 de julho de 2018

Feliz Dia do Amigo-



Feliz Dia do Amigo

Cada um de nós, à sua maneira, extrai da vida a poesia que nos cabe.


Bons Amigos

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!


OBS- Conheço como de Machado de Assis, mas há controvérsias quanto a autoria  já que não é linguagem machadiana e não consta em Obras Completas.
O título correto seria “Benditos” e a autoria de Isabel Machado.
Vou deixar aqui registrado os créditos, se alguém souber me dizer sobre a autoria eu atualizo o post, combinado??????
De qualquer maneira é belíssimo e super adequado ao dia de hoje <3



Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica…

(Vinícius de Moraes)


Abraços Literários, beijos poéticos e até a próxima.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

The Post: A Guerra Secreta-


                                                                              


Nos filmes de Steven Spielberg há um elemento que pode ser definido como um diálogo com quem está do outro lado da tela, contendo informações da trama, partilhando os sentimentos dos personagens e permitindo a compreensão da mensagem transmitida.
Spielberg é um dos diretores mais fundamentados nessa relação (que se traduz no valor que o público dá ao cineasta) que foi muito bem utilizada em The Post: A Guerra Secreta.
O longa narra eventos reais, no final dos anos 1960, quando arquivos confidenciais que comprovavam déficit dos EUA na Guerra do Vietnã são expostos pela mídia americana e a Casa Branca proíbe que o New York Times divulgue o caso, promovendo a desconfiança na legitimidade da imprensa como um todo.
O filme acompanha a jornada dos participantes do The Washington Post que passam a buscar mais informações, ainda que a nova proprietária “confraternize” com políticos envolvidos no escândalo.
O roteiro de Liz Hannah e Josh Singer (responsável pelo texto de outro thriller jornalístico, Spotlight) elegem dois pontos de vista, a fim de, abrir um diálogo mais amplo sobre temas relevantes. The Post: A Guerra Secreta é contado através do ponto de vista de Ben Bradlee (Tom Hanks), redator-chefe do jornal que vê nesse conflito um possível grande passo na sua carreira, e pelos olhos de Kay Graham (Meryl Streep), que após anos vendo o jornal ser comandado por seu pai e depois por seu marido, agora tem o The Post sob seu comando, tendo que aprender a lidar com o jogo de interesses.
Os protagonistas, que representam a força e a responsabilidade midiática, que deve ter seus deveres preservados, independente de governos ou governados, tentam manter a responsabilidade com a verdade dos fatos e a liberdade de falar sobre eles; e também a mudança feminina dentro desse jogo jogado exclusivamente, na época, por homens.
Além de um bom thriller jornalístico, com tensão e suspense na medida exata, proclama uma mídia isenta em busca da verdade, no rompimento com um sistema que beneficie “a ou b” e que possa auxiliar na construção de uma democracia.
O sistema de imagens construído pelo diretor é muito eficiente nesse sentido, enquanto o público torce para que os jornalistas cheguem à fonte e a corrida contra o relógio termine na publicação da matéria, há a figura de um presidente distante e políticos fazendo lobby, como Bob McNamara, secretário de defesa que demonstra sua posição inabalável.
É essa mesma mensagem visual que faz de Kay Graham uma personagem interessante, num arco dramático e de representatividade bem definido. Ali há a mulher confortável na sociedade, mas que não possui espaço nas reuniões de seu próprio jornal. Ela sai da zona de conforto de um arranjo social para colocar seu jornal num patamar onde nunca esteve, sai do status que a diminui perante os homens de sua própria diretoria, ou de um acordo em que apressam a sua assinatura em um contrato, para um dos grandes nomes da mídia americana, num momento que se materializa quando Kay sai de um tribunal protagonizado por ela e ao fugir dos holofotes é iluminada pela luz cinematográfica em um espelho para uma geração que se desvencilha das convenções impostas em detrimento do comando.
Um thriller de época e uma narrativa de conscientização que torna a obra relevante e com precisão milimétrica.

Abraços Literários e até a próxima.



quarta-feira, 11 de julho de 2018

A Pequena Livraria dos Corações Solitários-


                                                                              


Sinopse: Era uma vez uma pequena livraria em Londres, onde Posy Morland passou a vida perdida entre as páginas de seus romances favoritos. Assim, quando Lavinia, a excêntrica dona da Bookends, morre e deixa a loja para Posy, ela se vê obrigada a colocar os livros de lado e encarar o mundo real. Porque Posy não herdou apenas um negócio quase falido, mas também a atenção indesejada do neto de Lavinia, Sebastian, conhecido como o homem mais grosseiro de Londres. Posy tem um plano astucioso e seis meses para transformar a Bookends na livraria dos seus sonhos — isso se Sebastian deixá-la em paz para trabalhar. Enquanto Posy e os amigos lutam para salvar a livraria, ela se envolve em uma batalha com Sebastian, com quem começou a ter fantasias um tanto ardentes. Resta saber se, como as heroínas de seus romances favoritos, ela vai conseguir o seu “felizes para sempre”.

                                                                               


A Pequena Livraria dos Corações Solitários, conta a história de Posy que herdou uma livraria centenária, a Bookends.
Lavinia, a antiga dona, deixa para Posy a missão de reformar a Bookends e fazer com que tenha lucro novamente ou então ela passaria para Sebastian, neto de Lavinia.
Posy, com a ajuda dos funcionários, cria planos de reestruturação da Bookends ao mesmo tempo em que “administra” a presença de Sebastian e infindáveis discussões com ele.
Sebastian, considerado pela impressa como o homem mais grosso de Londres, é muito rico tanto por causa da fortuna da família, quanto por ser um gênio da tecnologia, e é fato, ele não perde uma oportunidade para implicar com a Posy.
A narrativa é muito rápida e fluída, é o tipo de livro que você não vê o tempo passar e quando percebe já terminou a leitura.
A autora traduziu bem o que nós amamos tanto em uma livraria: a experiência de se ver perdida entre as palavras dos seus autores favoritos ou a ansiedade por um livro novo e um mundo desconhecido… e Posy é uma personagem que reflete isso, ela cresceu ali, aquela é a sua casa e a gente torce para ela seguir adiante em um negócio que ama e ser feliz.
Eu gostei de A Pequena Livraria, só achei que a autora deixou muito para o finalzinho o romance que ficou nas entrelinhas enquanto os protagonistas viviam em pé de guerra e de repente tudo se acerta como num passe de mágica. Umas vinte páginas a mais seria o suficiente para resolver a questão.
É um livro para torcer pela Posy, se divertir e se encantar com o mundo das livrarias, dos livreiros e dos apaixonados por livros.

As pessoas ainda adoravam ler. Ainda adoravam se perder em um mundo criado em papel e tinta. Ainda compravam livros e, com o tipo certo de plano e paixão, elas os comprariam na Bookends.”

Porque você, minha querida, mais que qualquer outra pessoa, sabe que lugar mágico uma livraria pode ser, e sabe que todos precisam de um pouco de magia na vida.”


Abraços Literários e até a próxima.


sábado, 30 de junho de 2018

HEX-


                                                                               


A minúscula Black Spring parece um lugar agradável. Natureza em abundância, crianças brincando nas ruas e histórias que tomam conta das cidades em qualquer lugar do mundo. Tem vários séculos de existência e se mantém relativamente isolada de seus vizinhos, ainda que mantenha um festival anual para movimentar o comércio local. Uma cidade com mais História, mitologia e personagens importantes do que seus visitantes poderiam imaginar.

                                                                             


Eu tinha três motivos para achar que o livro seria bom: o plot com mistérios, o autor premiado com o Hugo Awards e a quantidade de países que adquiriram os direitos de publicação da obra.
A narrativa apresenta a vida dos habitantes de Black Spring, uma cidadezinha do Vale do Hudson, nos EUA. Comum à primeira vista, a cidade esconde uma maldição. Katherine van Wyler, uma bruxa do século XVII, caminha pelas ruas, entra nas residências, desaparece e reaparece em lugares diferentes. Todos na cidade sabem que ela não deve ser incomodada, não deve ser tocada e não devem quebrar as amarras que mantêm seus olhos e boca costurados, nem as correntes que prendem suas mãos, já que as consequências podem ser devastadoras se alguém desafiar as regras.
A maldição faz com que os habitantes de Black Spring permaneçam presos ao local.
Eles até podem se afastar por um curto período, mas se esse tempo é estendido, uma sutil e fatal depressão se instala e só é percebida quando uma corda já está amarrada em seu pescoço e uma cadeira balança por baixo de seus pés.
Com tantas regras criadas para esconder a existência da Bruxa do resto do mundo, foi criada uma agência de monitoramento com câmeras por toda a cidade e um aplicativo de celular para monitorar Katherine.
É essa agência de monitoramento, a HEX, que dá título ao livro.
Esse clima rígido incomoda as gerações mais novas do local e o foco se desvia para o conflito de gerações. Um grupo de garotos que pretendem se rebelar contra a bruxa e a cidade cria um site chamado “Abra seus Olhos”, com o objetivo de reunir imagens e evidências sobre Katherine, o que é proibido.
HEX tem um número considerável de personagens importantes, mas se eu fosse escolher um protagonista, seria Steve Grant que se culpa por ter trazido a família para morar no local.
O autor revela os segredos aos poucos e à medida que são revelados, somos inseridos no drama dos habitantes e também da Katherine, cujo passado trágico é bem triste. 

                                                                       


A história tem premissa interessante e traz uma pegada de contemporaneidade ao cenário medieval, mas superficial, o que acaba configurando só mais uma história de bruxa.
Talvez o problema seja a versão, já que o idioma holandês não é comum e a nova versão é uma reconstrução do original, onde o cenário deixa de ser exótico para se parecer com um romance americano.
A qualidade da obra talvez esteja em nos transportar para dentro de Black Spring e nos fazer observar o mal que uma comunidade que sucumbiu ao medo e ao terror é capaz de manifestar.
Um exemplo que nós, humanos, ainda somos os piores monstros.

Abraços Literários e até a próxima.



quarta-feira, 27 de junho de 2018

11:14 e The 15:17 to Paris-


                                                                                


Sinopse- Uma série de eventos que convergem e acontecem inesperadamente às 11:14 da noite na pequena cidade de Middleton. Em sequências inesperadas, as vidas de alguns moradores da cidade se envolvem em cinco histórias diferentes ao redor de uma instigante adolescente.
As coisas não param de acontecer, fora do planejado por ela, jogando areia nos seus esquemas.

A trama acompanha cinco histórias cruzadas (uma adolescente rebelde, um grupo de arruaceiros, a funcionária de uma loja de conveniência, um grupo de paramédicos e um policial) que ocorrem paralelamente na noite da cidade de Middleton, EUA e acabam por convergir de alguma maneira às 11:14 do título, que diz respeito à hora da noite em que um cadáver é atirado de cima de um viaduto indo bater violentamente num carro que passava em baixo.
Um dos destaques do filme é o elenco, que conta com o carismático Patrick Swayze, a talentosa Hilary Swank, os (ainda) jovens Ben Foster, Colin Hanks, Rachael Leigh Cook e Jason Segel, e o na época desconhecido, Clark Gregg com seus personagens bem construídos, coerentes e consistentes.
Mesmo transcorrendo de maneira não linear (montagem paralela e flashbacks dentro de flashbacks), a montagem não deixa o andamento confuso e as transições feitas pelo diretor Greg Marcks tem ritmo eletrizante e roteiro ágil cheio de elementos “efeito borboleta” e doses de humor negro que deixam o espectador roendo as unhas de ansiedade para descobrir todas as ligações existentes entre as histórias e assim completar o quebra-cabeça.
O absurdo de várias situações remetem ao cinema de Tarantino com uma pegada de Irmãos Coen.
Com bons diálogos e roteiro sem furos (tenho mania de procurar por furos e não encontrei nenhum), “11:14” é um excelente filme, despretensioso e divertido que dá vontade de assistir de imediato uma segunda vez para constatar que o roteiro é mesmo redondinho.


                                                                                   
                                                                                 

The 15:17 to Paris

Sinopse- Assim que um terrorista invade o trem da Thalys a caminho de Paris, três amigos e soldados norte-americanos - Anthony Sadler, Alex Skarlatos e o piloto da Força Aérea Spencer Stone - se esforçam para imobilizar o extremista, armado com um fuzil AK-47, e evitar uma enorme tragédia.

Quando a Warner posicionou The 15:17 to Paris para ser lançado em fevereiro tinha alguma coisa errada. Um filme de Clint Eastwood não iria competir ao Oscar?
90 minutos depois a resposta: é o pior longa dirigido por Eastwood, também é um filme nada original, desequilibrado e arrastado.
Dois anos e meio após o incidente que ocorreu na vida real, Eastwood leva para as telonas os responsáveis por interromper o que poderia ser uma tragédia: Anthony Sadler, Spencer Stone e Alex Skarlatos.
Ultimamente, Clint tem levado às telas histórias recentes que ainda estão na memória das pessoas.
É um trabalho estressante para roteiristas e diretores lidar com o processo criativo de um filme cujo destaque está em um clímax que durou menos de trinta segundos na vida real, assim sendo a decisão tomada por Clint e Dorothy Blyskal, roteirista foi dar uma ampla (e bota aaaaampla nisso) contextualização da amizade entre os três e seguir os passos deles até embarcarem no trem.
Era a forma para esticar o tempo, massssss várias passagens são absolutamente desnecessárias, além de não serem bem explicadas e por outro lado a relevância contextual do terrorista responsável pelo ataque não tem qualquer linha sobre sua motivação.
Faltou maestria ao tocar um roteiro cujo clímax era curto, e que não se estendeu de forma satisfatória durante a narrativa.
The 15:17 to Paris infelizmente é um filme que não condiz com o padrão Eastwood.
Uma pena.


Abraços Literários e até a próxima.