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Viajar pelas páginas de nossos livros, por vários gêneros, escritores anônimos e ilustradores e também os ilustres escritores: romances, aventuras, comédias, mistérios, épicos, auto-ajuda, poéticos, didáticos... toda leitura faz o ser humano conhecer, abranger, crescer...

Neste blog vamos divulgar, sugerir, incentivar, um espaço para interagir com você, que vai ser nosso seguidor ou dar apenas uma espiadinha, mas será sempre bem-vindo, como aquele amigo que senta para tomar um café e conversarmos sobre aquelas páginas de um livro que mais nos marcou, ou aquele que estamos lendo no momento, então fica aqui nosso convite, entre no nosso blog, tome um café, enquanto passeia pelos nossas postagens, interaja conosco sempre, estamos aqui na rede aguardando a sua chegada.


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terça-feira, 31 de julho de 2018

Blade Runner 2049-


                                                                                


Talvez você nunca tenha lido um livro de Philip K. Dick, mas certamente conhece alguma de suas obras. Filmes como O vingador do futuroO homem duplo e Minority Report: A Nova Lei, entre outros saíram das páginas de seus livros.

Assim como o cult  Blade Runner: O Caçador de Androides, de 1982, dirigido por Ridley Scott e inspirado na obra “Androides sonham com ovelhas elétricas?” que conta a história de Rick Deckard, um caçador de recompensas que, em uma sociedade distópica, coberta por poeira radioativa e devastada por uma guerra atômica, sonha em substituir sua ovelha de estimação elétrica por um animal de verdade – sonho de consumo que vai além de sua condição financeira. Ele vê a chance de realizar esse desejo ao ser chamado para um novo trabalho: perseguir e aposentar androides que estão refugiados.

                                                                                


Em homenagem ao aniversário deste clássico sci-fi, que completa 50 anos em 2018, e aproveitando a hype da continuação Blade Runner 2049, depois de 35 anos, a editora Aleph preparou uma edição comemorativa com capa dura, encartes coloridos e extras para enriquecer a leitura. A ideia foi desenvolver um novo olhar sobre a história, recriando uma estética que vai além da difundida pelo filme, abordando questões sobre a natureza da vida, da tecnologia e da própria condição humana. O livro em comparação com filme apresenta aspectos da obra não explorados no cinema, como a preocupação ambiental, além das questões religiosas presentes no texto.
Ao longo de sua vida e de sua carreira, Dick nunca deixou de suspeitar do mundo a sua volta, em aparência e em essência.

                                                                                


Androides sonham com ovelhas elétricas?” é uma obra que questiona a condição humana, a verdadeira natureza da realidade e como podemos definir o que é humano.
                                                                                
Em Blade Runner, O Caçador de Andróides, que teve lançamento em 25/12/1982, no século 21, uma corporação desenvolve clones humanos para serem usados como escravos em colônias fora da Terra, identificados como replicantes. Em 2019, um ex-policial é acionado para caçar um grupo fugitivo vivendo disfarçado em Los Angeles.


Em Blade Runner 2049, lançado em 05/10/2017, após descobrir um segredo enterrado há muito tempo, que ameaça a sociedade, um novo policial embarca na busca de Rick Deckard, que está desaparecido há 30 anos.
Com direção de Dennis Villeneuve (do excelente A Chegada com resenha que vocês conferem aqui) é um estudo no mesmo universo, só que 30 anos após os acontecimentos do original, em que a humanidade está novamente ameaçada, e dessa vez o perigo é ainda maior.
O oficial K (Ryan Goslin(dooooooooooooo)g, desenterrou (literalmente) um segredo com potencial para imergir a sociedade no caos.

                                                                             


A descoberta faz com que ele parta numa incessante busca por Rick Deckard (Harrison Ford), desaparecido nos 35 anos que separam as sequências.
Aliás nesses anos que separam o original de sua sequência, foram produzidas muitas distopias, cyberpunk e sci-fi, mas nenhuma (até aqui) com o estilo tão específico imaginado por Ridley Scott láááá atrás.

O roteiro de uma profundidade que eleva o blockbuster ao status cult não precisou fazer uma releitura do mundo no qual a história está inserida e apresenta com bastante propriedade reflexões sobre as relações homem/máquina e como será possível no futuro distingui-los.
Os detalhes do filme permitem que o público interprete como preferir (apesar do óbvio das sociedades escravocratas) já que tudo é sutil.
O roteiro contém conceitos filosóficos suficientes para nenhum spoiler estragar, (a cena final é de uma delicadeza, poetice e sensibilidade absurdamente cativantes), mas ao terminar o longa você vai sentir o choque da realidade e perceber que não estamos tãooooo longe assim da opressão que é retratada nele.
Blade Runner 2049 propõe indagações sobre a natureza da própria alma!
Imperdível.

Abraços Literários e até a próxima.


domingo, 29 de julho de 2018

A História de Malikah-


                                                                             


A História de Malikah, personagem de destaque de O Amor nos Tempos do Ouro, é o segundo livro da duologia escrita por Marina Carvalho.

Sinopse: Malikah conheceu muito cedo a crueldade de que o ser humano é capaz. Escravizada e trazida ainda criança da África ao Brasil, sofreu as mais diversas formas de violência, especialmente depois de ter engravidado de Henrique, o filho do dono da fazenda onde trabalhava.
Estar grávida de um de seus senhores era uma afronta aos costumes da época, por isso Malikah foi duramente castigada e quase morta. Ela e seu bebê só conseguiram escapar com a ajuda de Cécile e Fernão, que lhes deram abrigo na Quinta Dona Regina, lugar onde todos, brancos e negros, viviam em liberdade.
Porém, Henrique arrependido por não ter protegido sua amada e tentando se aproximar de Hasan está sempre por perto.
Será possível perdoar alguém que representa tantos anos de injustiça e sofrimento?

 Ainda menina, Malikah chegou à Fazenda Real, de Euclides de Andrade. Sua mãe Adana foi ajudar nos serviços da casa-grande e Malikah ficou com os demais escravos na senzala.
Sozinha e desprotegida foi obrigada a encarar a realidade do jeito que era possível e cresceu sem entender o porquê de seu povo sofrer tantos maus tratos.
Em meio ao sofrimento encontrou um amigo por quem anos depois se apaixonou: Henrique, filho do dono da fazenda.
Com um filho dessa relação Malikah conta com a ajuda de seus grandes amigos, Cécile e Fernão, para fugir da Fazenda Real e começar uma vida nova.
Mas mesmo após a fuga precisa aceitar a presença de Henrique que se mostra decidido a recuperar a confiança de sua amada e a conquistar o amor de seu filho. 

Depois de O Amor Nos Tempos do Ouro, Marina Carvalho traz outro romance histórico ambientado no Brasil.
Aqui nossa protagonista é uma escrava africana que precisa de muitas palavras para defini-la: guerreira, sábia, amiga, fiel, protetora e inspiradora.
Uma mulher que sofreu como muitos, mas agiu como poucos.
Mesmo com tanta dificuldade que enfrentou, não se abateu e lutou por tudo o que acreditava.
Ao ser abandonada por Henrique, por uma artimanha do pai dele, Malikah só quer dar um futuro melhor para o filhinho, Hasan. Magoada, e mesmo ainda amando Henrique, acredita que não conseguirá aceitá-lo de volta. Henrique por sua vez está decidido retomar o relacionamento. Percebeu que cometeu um erro e está decidido a recuperar a confiança de Malikah que vai viver um período dividida entre ouvir o coração ou deixar que a mágoa prevaleça.
Além disso, ainda tem de conviver com a sombra de um passado que insiste em incomodar: Euclides da Cunha, seu algoz.
O Henrique por sua vez é um personagem interessante, ele não é um mocinho convencional, não é perfeito, errou feio, mas foi capaz de se redimir e fazer de tudo para não perder seu amor de uma vez por todas. Não impondo sua presença, mas demonstrando com atitudes que não era mais um filho dominado pelo pai e que poderia fazer Malikah feliz.

Aqui a autora acertou a mão, nos presenteando com uma belíssima história onde apresenta a força da mulher, as nuances de uma grande amizade, o amor incondicional de uma mãe por seu filho e o que é preciso para fazer prevalecer o amor.
As personagens femininas demonstram força mesmo sendo todas as circunstâncias desfavoráveis e todos sendo contra, e isso em uma época em que as mulheres quase não tinham voz e as tradições favoreciam os homens.
A escrita de Marina foi fluída e a leitura rápida proporcionou momentos impactantes, emocionantes, envolventes e instigantes.
Nessa obra a pesquisa histórica, ao contrário do primeiro livro, foi na medida exata, o conhecimento das crenças e costumes do povo africano por exemplo, foi enriquecedor abrilhantando a narrativa e tornando-a apaixonante.

Gostei desses romances históricos nacionais e achei importante que a autora mesmo desenvolvendo uma temática obviamente romântica, não ignorou a realidade da época, marcada pela pobreza, opressão e escravidão, mas com uma escrita sensível e cativante.

Abraços Literários e até a próxima.



sexta-feira, 27 de julho de 2018

O Amor nos Tempos do Ouro -


                                                                               

Sinopse- Cécile Lavigne perdeu todos os que amava e está sozinha no mundo. Ela, uma franco-portuguesa que ainda não completou vinte anos, está sendo trazida ao Brasil pelo único parente que lhe restou, o ambicioso tio Euzébio, para casar-se com o mais poderoso dono de terras de Minas Gerais, homem por quem Cécile sente profundo desprezo. O trajeto até Minas Gerais lhe reserva provações e surpresas que ela jamais imaginaria. O explorador Fernão, português gentil contratado por seu futuro marido para guiá-la na jornada, despertará nela sentimentos contraditórios.
Antes de enfim consolidar o temido casamento, Cécile descobrirá todos os encantos e perigos que existem nessa nova terra e crescerá nela a coragem para confrontar as imposições da sociedade e o seu próprio destino.

Cécile Lavigne perdeu a família em um naufrágio. O tio, um homem ambicioso, decide trazê-la ao Brasil para se casar com Euclides, um homem temido e sem escrúpulos com quem Cécile não tem a menor vontade de se unir.
Após a longa viagem pelo Atlântico, ela desembarca no Rio de Janeiro e é apresentada ao aventureiro Fernão, homem responsável por levá-la até Minas Gerais. Cécile acha Fernão um homem rude e grosseiro, e ele, por sua vez, acha que ela é uma mocinha mimada e frágil.
Massssssss não demora para perceberem que se enganaram a respeito um do outro e logo surge afeto e interesse mútuos.
É fácil gostar de Cécile, uma mulher convicta de seus ideais e que enfrenta corajosamente as adversidades.
A narrativa é em terceira pessoa, mas também tem algumas partes em que conhecemos a história pelos olhos de Cécile quando ela escreve em seu diário e pela visão de Fernão na forma de cartas escritas para ela.
Os personagens são razoavelmente bem construídos, com exceção de Euclides que é um vilão caricato.

A autora fez uma minuciosa pesquisa para trazer uma obra que mesmo sendo ficção, prima pela descrição detalhada de acontecimentos históricos e foi fiel ao abordar temas da época que infelizmente ainda hoje são comuns: o machismo e o racismo.
O livro nos leva em uma viagem pelo nosso país mostrando a realidade com que os negros traficados e os nascidos aqui, os índios, eram tratados pelos colonizadores, e também como as mulheres eram tratadas naquela época.

Um romance histórico que tem o mérito ser nacional, com personagens interessantes e que prende a atenção (apesar do tom de pesquisa que tornou a leitura um pouquinho arrastada e um tantinho sem emoção, assim meio didático sabem????)

Amor nos Tempos de Ouro é seguido por A História de Malikah, personagem de destaque no primeiro romance.

Abraços Literários e até a próxima.



sexta-feira, 20 de julho de 2018

Feliz Dia do Amigo-



Feliz Dia do Amigo

Cada um de nós, à sua maneira, extrai da vida a poesia que nos cabe.


Bons Amigos

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!


OBS- Conheço como de Machado de Assis, mas há controvérsias quanto a autoria  já que não é linguagem machadiana e não consta em Obras Completas.
O título correto seria “Benditos” e a autoria de Isabel Machado.
Vou deixar aqui registrado os créditos, se alguém souber me dizer sobre a autoria eu atualizo o post, combinado??????
De qualquer maneira é belíssimo e super adequado ao dia de hoje <3



Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica…

(Vinícius de Moraes)


Abraços Literários, beijos poéticos e até a próxima.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

The Post: A Guerra Secreta-


                                                                              


Nos filmes de Steven Spielberg há um elemento que pode ser definido como um diálogo com quem está do outro lado da tela, contendo informações da trama, partilhando os sentimentos dos personagens e permitindo a compreensão da mensagem transmitida.
Spielberg é um dos diretores mais fundamentados nessa relação (que se traduz no valor que o público dá ao cineasta) que foi muito bem utilizada em The Post: A Guerra Secreta.
O longa narra eventos reais, no final dos anos 1960, quando arquivos confidenciais que comprovavam déficit dos EUA na Guerra do Vietnã são expostos pela mídia americana e a Casa Branca proíbe que o New York Times divulgue o caso, promovendo a desconfiança na legitimidade da imprensa como um todo.
O filme acompanha a jornada dos participantes do The Washington Post que passam a buscar mais informações, ainda que a nova proprietária “confraternize” com políticos envolvidos no escândalo.
O roteiro de Liz Hannah e Josh Singer (responsável pelo texto de outro thriller jornalístico, Spotlight) elegem dois pontos de vista, a fim de, abrir um diálogo mais amplo sobre temas relevantes. The Post: A Guerra Secreta é contado através do ponto de vista de Ben Bradlee (Tom Hanks), redator-chefe do jornal que vê nesse conflito um possível grande passo na sua carreira, e pelos olhos de Kay Graham (Meryl Streep), que após anos vendo o jornal ser comandado por seu pai e depois por seu marido, agora tem o The Post sob seu comando, tendo que aprender a lidar com o jogo de interesses.
Os protagonistas, que representam a força e a responsabilidade midiática, que deve ter seus deveres preservados, independente de governos ou governados, tentam manter a responsabilidade com a verdade dos fatos e a liberdade de falar sobre eles; e também a mudança feminina dentro desse jogo jogado exclusivamente, na época, por homens.
Além de um bom thriller jornalístico, com tensão e suspense na medida exata, proclama uma mídia isenta em busca da verdade, no rompimento com um sistema que beneficie “a ou b” e que possa auxiliar na construção de uma democracia.
O sistema de imagens construído pelo diretor é muito eficiente nesse sentido, enquanto o público torce para que os jornalistas cheguem à fonte e a corrida contra o relógio termine na publicação da matéria, há a figura de um presidente distante e políticos fazendo lobby, como Bob McNamara, secretário de defesa que demonstra sua posição inabalável.
É essa mesma mensagem visual que faz de Kay Graham uma personagem interessante, num arco dramático e de representatividade bem definido. Ali há a mulher confortável na sociedade, mas que não possui espaço nas reuniões de seu próprio jornal. Ela sai da zona de conforto de um arranjo social para colocar seu jornal num patamar onde nunca esteve, sai do status que a diminui perante os homens de sua própria diretoria, ou de um acordo em que apressam a sua assinatura em um contrato, para um dos grandes nomes da mídia americana, num momento que se materializa quando Kay sai de um tribunal protagonizado por ela e ao fugir dos holofotes é iluminada pela luz cinematográfica em um espelho para uma geração que se desvencilha das convenções impostas em detrimento do comando.
Um thriller de época e uma narrativa de conscientização que torna a obra relevante e com precisão milimétrica.

Abraços Literários e até a próxima.



quarta-feira, 11 de julho de 2018

A Pequena Livraria dos Corações Solitários-


                                                                              


Sinopse: Era uma vez uma pequena livraria em Londres, onde Posy Morland passou a vida perdida entre as páginas de seus romances favoritos. Assim, quando Lavinia, a excêntrica dona da Bookends, morre e deixa a loja para Posy, ela se vê obrigada a colocar os livros de lado e encarar o mundo real. Porque Posy não herdou apenas um negócio quase falido, mas também a atenção indesejada do neto de Lavinia, Sebastian, conhecido como o homem mais grosseiro de Londres. Posy tem um plano astucioso e seis meses para transformar a Bookends na livraria dos seus sonhos — isso se Sebastian deixá-la em paz para trabalhar. Enquanto Posy e os amigos lutam para salvar a livraria, ela se envolve em uma batalha com Sebastian, com quem começou a ter fantasias um tanto ardentes. Resta saber se, como as heroínas de seus romances favoritos, ela vai conseguir o seu “felizes para sempre”.

                                                                               


A Pequena Livraria dos Corações Solitários, conta a história de Posy que herdou uma livraria centenária, a Bookends.
Lavinia, a antiga dona, deixa para Posy a missão de reformar a Bookends e fazer com que tenha lucro novamente ou então ela passaria para Sebastian, neto de Lavinia.
Posy, com a ajuda dos funcionários, cria planos de reestruturação da Bookends ao mesmo tempo em que “administra” a presença de Sebastian e infindáveis discussões com ele.
Sebastian, considerado pela impressa como o homem mais grosso de Londres, é muito rico tanto por causa da fortuna da família, quanto por ser um gênio da tecnologia, e é fato, ele não perde uma oportunidade para implicar com a Posy.
A narrativa é muito rápida e fluída, é o tipo de livro que você não vê o tempo passar e quando percebe já terminou a leitura.
A autora traduziu bem o que nós amamos tanto em uma livraria: a experiência de se ver perdida entre as palavras dos seus autores favoritos ou a ansiedade por um livro novo e um mundo desconhecido… e Posy é uma personagem que reflete isso, ela cresceu ali, aquela é a sua casa e a gente torce para ela seguir adiante em um negócio que ama e ser feliz.
Eu gostei de A Pequena Livraria, só achei que a autora deixou muito para o finalzinho o romance que ficou nas entrelinhas enquanto os protagonistas viviam em pé de guerra e de repente tudo se acerta como num passe de mágica. Umas vinte páginas a mais seria o suficiente para resolver a questão.
É um livro para torcer pela Posy, se divertir e se encantar com o mundo das livrarias, dos livreiros e dos apaixonados por livros.

As pessoas ainda adoravam ler. Ainda adoravam se perder em um mundo criado em papel e tinta. Ainda compravam livros e, com o tipo certo de plano e paixão, elas os comprariam na Bookends.”

Porque você, minha querida, mais que qualquer outra pessoa, sabe que lugar mágico uma livraria pode ser, e sabe que todos precisam de um pouco de magia na vida.”


Abraços Literários e até a próxima.


sábado, 30 de junho de 2018

HEX-


                                                                               


A minúscula Black Spring parece um lugar agradável. Natureza em abundância, crianças brincando nas ruas e histórias que tomam conta das cidades em qualquer lugar do mundo. Tem vários séculos de existência e se mantém relativamente isolada de seus vizinhos, ainda que mantenha um festival anual para movimentar o comércio local. Uma cidade com mais História, mitologia e personagens importantes do que seus visitantes poderiam imaginar.

                                                                             


Eu tinha três motivos para achar que o livro seria bom: o plot com mistérios, o autor premiado com o Hugo Awards e a quantidade de países que adquiriram os direitos de publicação da obra.
A narrativa apresenta a vida dos habitantes de Black Spring, uma cidadezinha do Vale do Hudson, nos EUA. Comum à primeira vista, a cidade esconde uma maldição. Katherine van Wyler, uma bruxa do século XVII, caminha pelas ruas, entra nas residências, desaparece e reaparece em lugares diferentes. Todos na cidade sabem que ela não deve ser incomodada, não deve ser tocada e não devem quebrar as amarras que mantêm seus olhos e boca costurados, nem as correntes que prendem suas mãos, já que as consequências podem ser devastadoras se alguém desafiar as regras.
A maldição faz com que os habitantes de Black Spring permaneçam presos ao local.
Eles até podem se afastar por um curto período, mas se esse tempo é estendido, uma sutil e fatal depressão se instala e só é percebida quando uma corda já está amarrada em seu pescoço e uma cadeira balança por baixo de seus pés.
Com tantas regras criadas para esconder a existência da Bruxa do resto do mundo, foi criada uma agência de monitoramento com câmeras por toda a cidade e um aplicativo de celular para monitorar Katherine.
É essa agência de monitoramento, a HEX, que dá título ao livro.
Esse clima rígido incomoda as gerações mais novas do local e o foco se desvia para o conflito de gerações. Um grupo de garotos que pretendem se rebelar contra a bruxa e a cidade cria um site chamado “Abra seus Olhos”, com o objetivo de reunir imagens e evidências sobre Katherine, o que é proibido.
HEX tem um número considerável de personagens importantes, mas se eu fosse escolher um protagonista, seria Steve Grant que se culpa por ter trazido a família para morar no local.
O autor revela os segredos aos poucos e à medida que são revelados, somos inseridos no drama dos habitantes e também da Katherine, cujo passado trágico é bem triste. 

                                                                       


A história tem premissa interessante e traz uma pegada de contemporaneidade ao cenário medieval, mas superficial, o que acaba configurando só mais uma história de bruxa.
Talvez o problema seja a versão, já que o idioma holandês não é comum e a nova versão é uma reconstrução do original, onde o cenário deixa de ser exótico para se parecer com um romance americano.
A qualidade da obra talvez esteja em nos transportar para dentro de Black Spring e nos fazer observar o mal que uma comunidade que sucumbiu ao medo e ao terror é capaz de manifestar.
Um exemplo que nós, humanos, ainda somos os piores monstros.

Abraços Literários e até a próxima.



quarta-feira, 27 de junho de 2018

11:14 e The 15:17 to Paris-


                                                                                


Sinopse- Uma série de eventos que convergem e acontecem inesperadamente às 11:14 da noite na pequena cidade de Middleton. Em sequências inesperadas, as vidas de alguns moradores da cidade se envolvem em cinco histórias diferentes ao redor de uma instigante adolescente.
As coisas não param de acontecer, fora do planejado por ela, jogando areia nos seus esquemas.

A trama acompanha cinco histórias cruzadas (uma adolescente rebelde, um grupo de arruaceiros, a funcionária de uma loja de conveniência, um grupo de paramédicos e um policial) que ocorrem paralelamente na noite da cidade de Middleton, EUA e acabam por convergir de alguma maneira às 11:14 do título, que diz respeito à hora da noite em que um cadáver é atirado de cima de um viaduto indo bater violentamente num carro que passava em baixo.
Um dos destaques do filme é o elenco, que conta com o carismático Patrick Swayze, a talentosa Hilary Swank, os (ainda) jovens Ben Foster, Colin Hanks, Rachael Leigh Cook e Jason Segel, e o na época desconhecido, Clark Gregg com seus personagens bem construídos, coerentes e consistentes.
Mesmo transcorrendo de maneira não linear (montagem paralela e flashbacks dentro de flashbacks), a montagem não deixa o andamento confuso e as transições feitas pelo diretor Greg Marcks tem ritmo eletrizante e roteiro ágil cheio de elementos “efeito borboleta” e doses de humor negro que deixam o espectador roendo as unhas de ansiedade para descobrir todas as ligações existentes entre as histórias e assim completar o quebra-cabeça.
O absurdo de várias situações remetem ao cinema de Tarantino com uma pegada de Irmãos Coen.
Com bons diálogos e roteiro sem furos (tenho mania de procurar por furos e não encontrei nenhum), “11:14” é um excelente filme, despretensioso e divertido que dá vontade de assistir de imediato uma segunda vez para constatar que o roteiro é mesmo redondinho.


                                                                                   
                                                                                 

The 15:17 to Paris

Sinopse- Assim que um terrorista invade o trem da Thalys a caminho de Paris, três amigos e soldados norte-americanos - Anthony Sadler, Alex Skarlatos e o piloto da Força Aérea Spencer Stone - se esforçam para imobilizar o extremista, armado com um fuzil AK-47, e evitar uma enorme tragédia.

Quando a Warner posicionou The 15:17 to Paris para ser lançado em fevereiro tinha alguma coisa errada. Um filme de Clint Eastwood não iria competir ao Oscar?
90 minutos depois a resposta: é o pior longa dirigido por Eastwood, também é um filme nada original, desequilibrado e arrastado.
Dois anos e meio após o incidente que ocorreu na vida real, Eastwood leva para as telonas os responsáveis por interromper o que poderia ser uma tragédia: Anthony Sadler, Spencer Stone e Alex Skarlatos.
Ultimamente, Clint tem levado às telas histórias recentes que ainda estão na memória das pessoas.
É um trabalho estressante para roteiristas e diretores lidar com o processo criativo de um filme cujo destaque está em um clímax que durou menos de trinta segundos na vida real, assim sendo a decisão tomada por Clint e Dorothy Blyskal, roteirista foi dar uma ampla (e bota aaaaampla nisso) contextualização da amizade entre os três e seguir os passos deles até embarcarem no trem.
Era a forma para esticar o tempo, massssss várias passagens são absolutamente desnecessárias, além de não serem bem explicadas e por outro lado a relevância contextual do terrorista responsável pelo ataque não tem qualquer linha sobre sua motivação.
Faltou maestria ao tocar um roteiro cujo clímax era curto, e que não se estendeu de forma satisfatória durante a narrativa.
The 15:17 to Paris infelizmente é um filme que não condiz com o padrão Eastwood.
Uma pena.


Abraços Literários e até a próxima.


sexta-feira, 22 de junho de 2018

Um De Nós Está Mentindo-


                                                                             


Sinopse- Numa segunda-feira, cinco estudantes do colégio Bayview entram na sala de detenção: Bronwyn, a gênia que quer estudar em Yale e que nunca quebra as regras. Addy, a perfeita definição da princesa do baile de primavera. Nate, o criminoso em liberdade condicional por tráfico de drogas. Cooper, o astro do time de beisebol. E Simon, o criador do mais famoso app de fofocas da escola.
Só que Simon, antes do fim da detenção, está morto. E, de acordo com os investigadores, a sua morte não foi acidental. Na segunda-feira, ele morreu, mas planejava postar no dia seguinte fofocas quentes sobre os companheiros de detenção, o que faz os quatro serem suspeitos do seu assassinato. Ou são eles as vítimas perfeitas de um assassino que continua à solta? Todo mundo tem segredos, certo? Mas, até onde você iria para proteger os seus?

Os capítulos são narrados pelos quatro alunos detidos: Addy, a princesinha; Bronwyn, a inteligente; Nate, o delinquente; Cooper, o atleta, e Simon, a vítima, que tinha um aplicativo de fofocas e postava sobre segredos dos alunos.
No decorrer da narrativa há vários segredos descobertos de todos os envolvidos e pistas que vão sendo entregues formando um quebra cabeças de quem matou Simon.
Conforme vamos conhecendo sobre cada personagem ele vai se descortinando para o leitor, mas acho que houve uma certa dificuldade da autora em construir personalidades divergentes.
As narrativas são bem similares (muito mesmo) o que confunde e demora para ganhar a fluidez necessária para o livro ganhar o leitor.
Também achei que apesar de abordar vários temas como bullying, depressão, homossexualidade, preconceito, abuso, famílias desajustadas e drogas, nenhum assunto é bem desenvolvido.

A obra não é um thriller, como ficou subtendido na sinopse, mas um suspense adolescente estruturado sobre os segredos dos personagens e a maneira como cada um lida com eles.
Com relação a como cada personagem lidou com a situação, apesar de satisfatório, não foi além do clichê o que fica explícito quando Simon antes de morrer diz que todos naquela detenção são estereotipados: a nerd, a gostosa, o atleta e o bad boy. Assim quando a autora faz a inversão de personalidades, através dos segredos de cada um, em vez de criar contextos para inserir surpresas, ela retoma o ambiente teen, ou seja, a garota estudiosa rouba o gabarito de uma prova, o atleta é homossexual, a princesinha traiu o namorado e o bad boy que … siiiiim ele vende drogas e todo mundo no colégio sabe.
Talvez o mérito da obra seja a percepção em relação às mídias sociais e como elas afetam a vida das pessoas. Ninguém faz fofoca porque quer ajudar e ninguém se preocupa em investigar se é boato.

Apesar de não ter sido a leitura que eu esperava, de ter personagens óbvios e sem tempero, além de (muitos) momentos entediantes, é uma obra com desenvolvimento linear e razoável, que tem significância ao abordar temas presentes em nosso dia a dia.
Karen McManus propõe a reflexão sobre como julgamos as pessoas, como manter segredos é difícil e principalmente como a vida pessoal pertence unicamente ao individuo.
Na minha opinião é um YA (Young Adult) destinado a leitores que estão iniciando em suspense, já que a trama é bem previsível ou leitores entre 10 e 16 anos.


Praguinhas e pestinhas que querem saber quem matou Simon é só selecionar o texto em branco.
Spoiler: Já que nenhum dos quatro protagonistas tem um motivo, ao menos plausível, para matar e já que nenhum deles chega perto do copo que contém a substância alérgica que mata Simon, você logo nas primeiras páginas pensa: será que foi ele? Ah não! Não pode ser assim tão fácil né?
Mais pra frente um dos personagens descobre um comentário da vítima em um fórum da internet onde ele escreve que quer se matar, mas que queria se vingar de quem não gostava.
Portanto, não há assassinato e sim suicídio.
Simon planeja os detalhes da sua morte, escolhendo “a dedo” os quatro alunos que estariam na sala com ele. Cada pessoa escolhida fez algo de ruim para Simon, mesmo “sem querer” e ele para se vingar, orquestra esse ardiloso plano. Fim do Spoiler.


Abraços Literários e até a próxima.


segunda-feira, 18 de junho de 2018

O violino de Auschwitz-


                                                                             


Sinopse- Em Dezembro de 1991, num concerto em homenagem a Mozart, na Cracóvia, a primeira violinista impressiona com um instrumento rústico e humilde.
Quando lhe perguntam
sobre ele, uma notável história se revela: a da vida de Daniel, um luthier, que sobreviveu a Auschwitz.
A inesperada relação com o comandante do campo, um amante da música clássica, e a encomenda de um violino com as especificações de um Stradivadius tornam-se momentos decisivos na vida de Daniel no campo de concentração que põe-se a trabalhar, sem saber o que o aguarda se falhar na tarefa.

                                                                                    


O violino de Auschwitz, da catalã Maria Àngels Anglada, integra vertente da ficção contemporânea, cuja temática é a expressão da dignidade na barbárie.
O desenrolar do livro nos mostra o porque da sobrinha de Daniel ter verdadeira paixão pelo violino, dizendo que ainda que passasse fome não o venderia. 

                                                                                

O livro narra a vida de Daniel, um construtor de violinos (luthier) preso num campo de concentração, e o seu dia a dia rodeado de violência e ódio.

No início ele faz todo o tipo de trabalho que os guardas do campo, impiedosos e imprevisíveis em sua crueldade, lhe mandam fazer, até que uma noite, o comandante do campo - «um sádico» que aprecia música -, lhe incube da tarefa de construir um violino com as especificações de um Stradivadius.
Daniel dedica-se de corpo extenuado e alma exaurida à tarefa, já que enquanto trabalhasse na construção do instrumento estaria salvo, vindo descobrir mais tarde que a sua vida dependia de uma aposta: se conseguisse, viveria; senão, seria entregue ao médico do campo para experiências.
A construção do instrumento é o meio pelo qual reencontra a si mesmo e recria sua identidade.
Daniel é marcante em sua fome, em seu cansaço vigilante e em sua dedicação ao trabalho que ama.

A chegada de Freund, um elo com sua antiga vida, sua presença e as informações que traz sobre sua noiva e sobrinha, o preenchem com esperança renovada e forças que começavam a lhe faltar para continuar lutando pela sobrevivência.
Parceiros de vida e de morte, Daniel construiu um violino perfeito para que Freund o tocasse com maestria, salvando assim a vida de ambos.

O livro alterna dos capítulos da vida no campo de concentração com os dias de hoje e iniciam-se com passagens reais de relatórios ou documentos administrativos dos campos.
Surpresa quando o nome do convidado de olhos compassivos foi revelado como Oskar Schindler,
(1908-1974), empresário alemão que salvou a vida de mais de mil judeus durante o Holocausto ao empregá-los em sua fábrica.
Sua história foi contada em livro (Schindler's Ark) por Thomas Keneally e, posteriormente filmada por Steven Spielberg - A Lista de Schindler - no ano de 1993.

O violino de Auschwitz é um retrato do dia a dia nos campos de concentração, de sobrevivência em condições extremas, de barbárie e violência, mas também é uma história de esperança e de como em meio ao horror nasceu um violino com um dos mais belos sons já ouvido e uma história de amizade e lealdade que sobreviveu ao tempo e a guerra.

Abraços Literários e até a próxima.


sexta-feira, 15 de junho de 2018

Medianeras-


                                                                               
                                              
Sinopse: Martin é um fóbico em processo de recuperação. Mariana terminou um longo relacionamento.
Suas cabeças são uma bagunça, assim como os apartamentos onde vivem.
Martin e Mariana vivem no mesmo quarteirão e ainda que seus caminhos se cruzem eles não chegam a se encontrar. Caminham pelos mesmos lugares, mas não percebem um ao outro. Como eles encontrar alguém em uma cidade de três milhões de pessoas?
No centro de Buenos Aires, a cidade que os une e também os separa.

                                                                            

O filme começa apresentando os dois protagonistas e suas vidas com problemas e neuroses, ora tendo como narrador Martin, ora Mariana.
Acompanhamos o dia a dia de ambos e a maneira como eles buscam encontrar alguém.
Apesar de vizinhos e de sempre passarem pelas mesmas ruas, Martin e Mariana nunca se encontram.

Medianeras (o título do filme se refere ao “lado esquecido” dos prédios, o lado que não dá nem pra frente nem para os fundos) fala sobre a solidão numa cidade em constante e desordenado crescimento, sobre arquitetura, cotidiano e a cultura virtual.
Mas não uma solidão dramática, e sim a solidão com a qual as pessoas acabam se acostumando.
Os últimos minutos do filme são incríveis! Spoiler (e a cereja do bolo é perceber que a roupa que Martín usa na cena final é a roupa de Wally, protagonista do livro favorito da vida de Mariana. No livro Onde está Wally? O objetivo é encontrar o personagem no meio da multidão, como se ela finalmente tivesse encontrado seu personagem. (Fim do spoiler).

Quotes:
"Estoy convencido de que las separaciones y los divorcios, la violencia familiar, el exceso de canales de cable, la incomunicación, la falta de deseo, la abulia, la depresión, los suicidios, la neurosis, los ataques de pánico, la obesidad, las contracturas, la inseguridad, la hipocondría, el estrés y el sedentarismo son responsabilidad de los arquitectos y empresarios de la construcción. De estos males, salvo el suicidio, los padezco todos" (Martin na introdução do filme)

"Si mi vida fuera un juego, como el Juego de la Vida, me tocó el frustrante castigo de retroceder 5 casilleros." (Mariana na introdução de sua personagem)

"Si aún cuando se a quien estoy buscando (Wally) no lo puedo encontrar, como voy a encontrar al que estoy buscando si ni siquiera sé cómo es." (Mariana)

Constando da lista de TODOS os filmes sugeridos para arquitetos assistirem, vai muito além, é muito, muitooooooo fofiiiiiinho, impossível não torcer bastantão pelos protagonistas <3
Conto de fadas urbano inspirado nos versos de Ain't no Montain High Enough o filme é sobre questões que precisam ser refletidas, roteiro ágil e direção com bons e estilosos recursos, contemporâneo, ótimo uso de animações, rápido, delicado, cheio de ideias interessantes, estética colorida e despojado.
Apaixonante é a palavra ideal para descrever a película!

Abraços Literários e até a próxima.


terça-feira, 12 de junho de 2018

Feliz Dia dos Namorados-


                                                                              


E aí pessoas über fofis? Vamos embarcar no mais conhecido soneto de Camões, para celebrar o Dia dos Namorados?

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões


Abraços literários, beijos poéticos e até a próxima.



quinta-feira, 31 de maio de 2018

Vingadores- Guerra Infinita


                                                                             


Expectativas nas alturas, muitos personagens, dependência de acontecimentos de outros filmes e muito longo. Vingadores: Guerra Infinita tinha tudo para decepcionar, mas o filme é uma boa conversão dos quadrinhos para as telonas, que mesmo um espectador casual pode assistir sem perder o fio da meada pela familiaridade que o roteiro imprime.
A história é simples: Thanos, o vilão (visto em cenas esparsas ao longo de alguns dos 18 filmes anteriores e que se manteve misterioso por 10 anos) quer destruir universo e, para isso, tenta recolher seis MacGuffins (as Joias do Infinito, seis gemas que concentram as forças do universo), com duas dúzias de super-heróis (que andavam dispersos por rixas e colocaram de lado suas pendengas para unirem-se contra o inimigo em comum) tentando impedi-lo.
As Joias do Universo (A Joia do Espaço sob custódia de Asgard, a Joia do Tempo no pescoço do Doutor Estranho, a Joia do Poder que foi entregue por Peter Quill aos cuidados de uma força policial, a Joia do Éter nas mãos do mercenário Colecionador (Benício Del toro), a Joia da Mente na testa do androide Visão, são peças-chave do Marvelverso (Universo Marvel) e um dos elementos que interligam os filmes produzidos até aqui. Só uma delas a Joia da Alma tem paradeiro ignorado.
A própria mitologia da Joia da Alma é inserida com perfeição na narrativa mencionando que a joia está conectada à estrutura paterna entre Thanos e Gamora quando o Titã adota a menina verde antes do massacre de metade da população de seu planeta e revela, provavelmente, a única fraqueza de Thanos.

As lutas e batalhas se desenrolam pelas galáxias e também por Nova York e na África Central, realinhando afinidades entre os personagens e alterando correlações de forças.
Thanos reduz o brilho de todos os super-heróis e cria camadas ao antagonista, onde não há vilania pela vilania, de maneira que, por mais absurdo que seja, entendemos o personagem.
Seu objetivo relacionado com a superpopulação (ou como dar um jeito nela) é explicado (e exagerado), ele acredita que o destino de todo planeta habitado é atingir um ponto de inflexão, a partir do qual os recursos serão insuficientes para a população crescente e mais sensato do que enfrentar a escassez, a desertificação, a poluição e a morte lenta é impedir que esses males se instalem, desarmando a bomba demográfica. O que para ele implica exterminar metade de cada uma das populações do universo.

Para lidar com tanta gente em tão pouco tempo, os roteiristas promoveram a divisão em grupos.
1) Hulk (Mark Ruffalo), Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch), o Homem de Ferro (Robert Downey, Jr.), (os dois metidos de cavanhaque em choque egocêntrico especialmente ao opor ciência à magia), e o Homem-Aranha (Tom Holland),
2) Thor (Chris Hemsworth) na nave dos Guardiões da Galáxia com Rocket (Bradley Cooper), Groot (Vin Diesel) e o Senhor das Estrelas (Christ Pratt),
3) O Capitão América (Chris Evans) e seu grupo renegado formado pela Viúva Negra (Scarlett Johansson), Falcão (Anthony Mackie), Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), o Visão (Paul Bettany), o Máquina de Combate (Don Cheadle) e, finalmente, o Pantera Negra (Chadwick Boseman) e Wakanda.
Essas conexões promovem momentos que fazem os fãs aplaudirem entusiasmados como as entradas triunfais (uma a cada 10 minutos de filme hihihi) do Hulk como um foguete verde, do Capitão América nas sombras e do Homem de Ferro com sua armadura.
E apesar das diversas equipes, temos o respeito às mitologias de cada personagem, com referências a cada um deles e o cuidado visual que mantém a identidade de cada um, com destaque para Thor que ganha gravidade, deixando seu lado cômico de lado.
Como parte da divisão de funções e de grupos, a Ordem Negra, ou os minions  de Thanos, que são enviados para a Terra para recolher as joias do Doutor Estranho e do Visão.

Considerações finais, teorias de conspiração e spoilers.
Pestinhas e praguinhas curiosos é só selecionarem o texto em branco :p

Início do texto (O filme começa com Thanos, espancando o Hulk (sériooooo) e  exterminando os asgardianos Loki (Tom Hiddleston) tendo o pescoço quebrado e Heimdall (Idris Elba) o ventre perfurado diante de nossos incrédulos olhos. Como assim LOOOOO (LOVE) OKI é assassinado?
Metade dos personagens foi eliminado na película: Loki, Heimdall, Gamorra, Visão, Feiteiceira Escarlate, Pantera Negra, Wakanda, Mantis, Senhor da Estrelas *****, Drax, Falcão, Bucky Barnes, Groot, Dr Estranho, Peter Parker, Nick Fury, Maria Hill :((
Ninguém acha que o Homem-Aranha, o Doutor Estranho e os Guardiões da Galáxia morreram, não é mesmo ???????????
Até porque já está programado o Pantera Negra 2 hihihi
Nem (pela segunda vez) o Visão (e não, ele também não morreu).E siiiiiiiiim, Vingadores 4 estreia daqui a um ano, portanto acreditem pessoas fofis, aconteceu uma über viagem no tempo do Capitão América, uma (em 14 milhões) ida à outra dimensão do Doutor Estranho, uma ilusão de ótica ou magia asgardiana do lindo do Loki <3 Ou qualquer outra coisa!
Afinal personagens de HQ não morrem (para sempre) nunca!!!!!) Fim do texto.


Guerra Infnita abre espaço para uma reformulação inevitável do UCM já que a eliminação de parte dos heróis significa que eles podem ser trazidos de volta em contextos diferentes.
E que venha a Capitã Marvel, como ficou evidente na cena pós-crédito, e que o time seja reforçado pelo Clint Barton e pela dupla em miniatura Homem-Formiga e Vespa.


Abraços Literários, beijos marvelmaníacos e até a próxima.


terça-feira, 29 de maio de 2018

Pó de Lua-


                                                                             
  

Em 2011 a publicitária Clarice Freire criou no Facebook uma página para reunir seus escritos e desenhos. Batizou de 'Pó de Lua', sua receita infalível 'para tirar a gravidade das coisas' com a delicadeza de seus pensamentos, seu humor sutil e o traço despretensioso, que combina desenho e fragmentos de palavras. Da internet para as páginas de um livro, a autora recifense surpreende seus leitores com uma proposta diferente. Pó de lua, o livro, tem o formato de um dos cadernos moleskine em que a autora exercita sua criatividade.
Inspirada pelas fases da lua - minguante, nova, crescente e cheia - ela trata de sentimentos como a saudade, o medo, a paixão e a alegria, sempre em sua caligrafia característica, ilustradas com desenhos.
                                                                             

                                                                               
                                                                                                                                                    
Pó de Lua é uma obra linda. Como um caderno moleskine ele traz – aliado a um design charmoso e a ilustrações fofas – pensamentos, palavras, versos e poemas que refletem a alma da autora e os sentimentos humanos de pertencer, amar e se despir de medos e preconceitos.
A obra segue as fases da lua, mesmo assim a narrativa não tem uma linha previsível, já que se trata de versos, frases e poemas onde a autora brinca com as palavras e os sentimentos, falando de amor, dor, recomeços, liberdade e felicidade.
Traduz sentimentos em palavras, o que faz do livro uma coletânea de emoções que nos fazem enxergar além e compreender que o verdadeiro sentido da vida é a valorização do que verdadeiramente nos faz bem.
Com versos envolventes, o jogo que a autora faz com as palavras é inteligente e as mensagens reais, transmitidas com simplicidade sobre o que vivemos no dia a dia cria uma identificação fácil com os poemas.
Escrito de forma leve e desenhada – com ilustrações da própria autora, que em alguns momentos parecem realmente feitas à mão – o livro pode ser lido rapidamente.
Destaque para a diagramação da Intrínseca que deu vida a um livro único com cara de diário.
Pó de Lua faz refletir com poetice e delicadeza sobre momentos importantes da vida.

Se vocês já se sentiram perdidos em pensamentos, “tirem a gravidade” das coisas.
É essa a proposta poética do livro num emaranhado de palavras que libertam sensações e tiram o peso do dia a dia e dá pra ler de uma sentada.

Abraços Literários e até a próxima.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

A Qualquer Custo-


                                                                              

A Qualquer Custo é um dos melhores filmes que já assisti no gênero western!
Com direção de David Mackenzie e roteiro de Taylor Sheridan acompanhamos a história de dois irmãos, Toby (Chris Pine) e Tanner (Ben Foster), que planejam um bem engendrado roubo a uma rede de bancos do Texas Midlands Bank, numa época de recessão.
Toby e Tanner, proporcionalmente foras da lei pobres e personagens humanos ricamente construídos, “em seus pontos de vista” têm uma boa razão para fazer o que estão fazendo.
O filme tem ótimas atuações de Pine, Foster e Jeff Bridges, o patrulheiro que assume obstinadamente o caso.
É uma releitura, porém, como se fosse um western com cowboys de outro tempo.
O gênero determina o ritmo do filme, masssss não aquele western com mocinhas em perigo e duelos e sim uma interessante versão atualizada, inclusive o vilão não é um vilão de carne e osso, mas uma instituição.
A forma frenética seguida, as montagens bem valorizadas aproveitando cada ação dos personagens – em ação ou em diálogos – mostrando de forma dinâmica o plano dos irmãos, uma trilha sonora intensa que vai do rock ao country e uma fotografia sensacional em que prevalece os tons de verde, amarelo e mostarda, a película evidencia como a constante visualização das desigualdades pode se tornar extremista em atitudes até então sequer cogitadas.
Os irmãos nos levam, enquanto espectadores, assim como os moradores locais, ao mesmo desejo de liberdade, enquanto o patrulheiro acredita num código moral que o faz caçar simplesmente pelo que ele acredita ser errado, ainda que ele próprio seja politicamente incorreto, mostrando seu lado ¨texano racista¨ sempre fazendo comentários para seu parceiro Alberto Parker (Gil Birmingham), que releva constantemente as situações.
Toby e Tanner estão em rota de colisão – com a lei e com eles mesmos – mas A Qualquer Custo não vai te levar para onde se espera, o filme cresce a cada ação desestabilizada de seus protagonistas.
A história está do lado “bom” das coisas, mesmo que esse lado seja na verdade, o errado.

Prende a atenção do início ao fim e se no final romantiza certos elementos, no decorrer da narrativa faz um retrato bastante interessante da realidade.

Para quem gosta do gênero western é imperdível.

Abraços Literário e até a próxima.