Sinopse: “Dentro de um abraço é sempre quente, é
sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se
faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se
dissolve.” É com a força transformadora de um abraço que Martha Medeiros abre
este novo livro de crônicas e é com a mesma singeleza e olhar arguto para o
cotidiano que a escritora ilumina algumas das questões mais urgentes do século
XXI. A romancista, cronista e poeta, que já teve obras adaptadas para o cinema,
para a tevê e para o teatro, fala aos leitores com a sinceridade de um amigo e
materializa as angústias e os anseios da sociedade pós-tudo, que vive acuada
sob o grande limitador do tempo. Nesta coletânea de mais de oitenta crônicas,
Martha Medeiros aborda temas muito diversos e ao mesmo tempo muito próximos do
leitor. A autora tem o dom para aproximar assuntos por vezes fugidios – como é
próprio do cotidiano – de questões universais, como o amor, a família e a
amizade, e criar lugares de reconhecimento para o leitor, como ao falar de
Deus, dos romances antigos e novos, da mulher, de escritores e cineastas que
são imortais, de se perder e se reencontrar, do que a vida oferece e muitas
vezes se deixa passar.
“Feliz por nada”, afirma Martha Medeiros, é fazer a opção
por uma vida conscientemente vivida, mais leve, mas nem por isso menos
visceral.
É complicado resenhar um livro já que os textos viajam por
temas diversos. Alguns a gente “garra de amor” outros definitivamente não.
Talvez o ideal fosse eleger um autor que nos encanta com
sua escrita e escolher um livro de crônicas dele para experimentarmos.
Então tudo o que vc precisa saber para ler crônicas é se
gosta ou não do autor.
Alguns cronistas que eu adooooooro conheci nas colunas de
alguns jornais. É aí que criamos uma identificação com a narrativa do autor.
Martha Medeiros é autora de Divã, que virou filme, peça de
teatro e série de TV.
Em uma coletânea de crônicas escritas de 2008 a 2011, em suas colunas
nos jornais Zero Hora e O Globo, a autora desenvolve assuntos cotidianos com
uma pitada gostosa de reflexão.
Na crônica que dá o nome ao livro, ela afirma: “Geralmente,
quando uma pessoa exclama Estou tão feliz!, é porque engatou um novo amor,
conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que
precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que
essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que
não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor
é ser feliz por nada”.
Martha envolve e encanta o leitor a cada crônica, a cada
título curioso ou não óbvio.
A cada reflexão que ela estabelece, pelo realismo, nos
reconhecemos um pouco em suas palavras. As experiências únicas, são ao
mesmo tempo comuns a todos nós, tornando a leitura prazerosa do início ao fim.
Uma das minhas favoritas? “A melhor coisa que não me
aconteceu”.
Leitura recomendada, de fácil compreensão, fluída,
encantadora, mágica e leve.
Bem no estilo Martha Medeiros de escrever.
Vamos ser felizes por nada?
Abraços Literários e até a próxima.
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