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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

A Rebelde do Deserto-

                                                                                 

O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia.
De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher.
Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele.
Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por lhe revelar o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possui

Nossa protagonista é Amani, moradora da Vila da Poeira, cidade isolada no deserto de Miraji onde devido a forte cultura árabe, a mulher não tem muito espaço.
É por isso que seu maior sonho é para Izman, a capital.
Obstinada ela decide participar de uma competição de tiro - disfarçada como homem - é lá que conhece Jin, um forasteiro, e a partir daí viverá aventuras que jamais pensou serem possíveis.
Nossa protagonista se envolverá com tramas políticas, magia e romance.
Repleto de ação o livro não vai decepcionar o leitor fã de aventuras e emoção.
Não há construção de “mundo e personagens reais”, a narrativa é quase uma distopia, um “universo criado” pela autora com cultura que traz seres mágicos e uma mitologia pontual que foi o ponto alto da narrativa, embora pudesse ser melhor explorado.
O destaque do livro é a ambientação e elementos tirados de histórias como As Mil e Uma Noites foram muito bem inseridos, já que o leitor consegue identificá-los espalhados pela narrativa. Inclusive o hábito de contar histórias foi retratado pela autora.
As criaturas do deserto impõem mesmo medo aos personagens e o trecho da caravana é assustador, lembrando a resistência dos soldados frente ao ataque das forças invasoras que nesse caso seriam o desconhecido já que o deserto é praticamente um personagem colocado como poderoso inimigo na história.

A escrita da autora é em primeira pessoa, dinâmica e com capítulos curtos.
Um livro feito para discutir a representatividade e o papel da mulher na sociedade de forma direta e menos didática apresentando uma reflexão importante sobre o empoderamento feminino.
A construção uma protagonista forte que busca mudar sua vida e descobre aos poucos a importância de se responsabilizar por suas ações (e que estas não serão sempre as ideais nem as mais corretas). Honesta e insubordinada, não aceita injustiça e sabe o que quer (fugir da sua vida miserável) e ela não só consegue, como encontra um propósito para a si.
Já do ponto de vista literário deixa a desejar em alguns aspectos.
Li poucos livros com a temática desértica e sou fã confessa de westerns então eu gostei dessa mistura inusitada de lobos solitários, pistoleiros e deserto árabe.
É uma boa leitura, para todas as idades, se for feita de maneira descompromissada e sem expectativas.
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Abraços Literários e até a próxima.