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Viajar pelas páginas de nossos livros, por vários gêneros, escritores anônimos e ilustradores e também os ilustres escritores: romances, aventuras, comédias, mistérios, épicos, auto-ajuda, poéticos, didáticos... toda leitura faz o ser humano conhecer, abranger, crescer...

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sexta-feira, 27 de abril de 2018

Picta Mundi-


                                                                                


Sinopse: A vida de Letícia virou de cabeça pra baixo após a morte de Raul, seu pai. Até mesmo o colégio onde estuda, um reduto de jovens prodígios, perdeu a graça que tinha. Mas as coisas começam a mudar quando descobre que o desaparecimento de Felipe, o aluno mais promissor do colégio, e a morte de Raul poderiam estar interligados. Daniel, irmão de Felipe, afirma que Raul pode estar vivo, mas, assim como seu irmão, preso em um mundo paralelo dentro de quadros, Picta Mundi.
Agora, somente Letícia pode ajudá-los. Para isso, terá que entrar em Picta Mundi e, junto com Felipe, procurar por seu pai e reunir os itens mágicos que os libertarão daquele universo.
Em meio à várias aventuras em quadros que retratam momentos da história do Brasil, como os bailes de máscara do início do século XX ou uma aldeia de índios tupinambás no século XVI, eles terão seus conhecimentos e coragem testados em enigmas, passagens secretas, e confrontos com seres perigosos, liderados pelo maligno Donato, que também está atrás dos itens mágicos para dominar Picta Mundi.


                                                                            


Alternando pontos de vista temos uma visão do enredo e de seu desenvolvimento pela corrida contra o tempo para encontrar itens mágicos que tornam possível a fuga de Picta Mundi.
Mas nada será fácil, portanto, atenção e cautela ao entrar nesse mundo imprevisível e fascinante.
A leitura é impregnada de magia, não as de varinhas de condão, mas aquela inerente de abstrair, enlevar e fluir porque passear por pinturas é mágico!
Letícia perdeu o pai em circunstâncias mal explicadas e, por isso, seu mundo virou do avesso.
É quando Daniel, irmão de Felipe, que desapareceu misteriosamente, entra em contato com ela e conta que Felipe e o pai de Letícia estão em um mundo fantástico, que existe apenas dentro de quadros.
Com narração em terceira pessoa, somos apresentados à Letícia, ácida, teimosa e impulsiva que só quer ser ela mesma sem a necessidade de agradar ninguém.
O que não significa, porém, que ela não se importe com aqueles que ama. Por isso, apesar da personalidade forte, há empatia com nossa protagonista e torcemos pelo sucesso de sua jornada.
E falando em jornada, ela não está sozinha nesse mundo incrível.
Igualmente dotado de uma inteligência que por diversas vezes entra em conflito com a da garota, temos Felipe que cativa pela sua forma autêntica agindo de modo preciso sem dar margem ao leitor para subestimá-lo.

Conheci Picta Mundi nas finais de um concurso de fantasia e sci-fi da Revista Bang! e ali já me interessei por esse mundo fantástico dentro de quadros.
O livro não venceu, mas a autora Gleice Couto, administradora do blog Murmúrios Pessoais construiu uma carreira de escritora independente com uma escrita deliciosa, muita aventura em um mundo criativo que conquista a todos.
Picta Mundi tem um início um tantinho lento pela descrição dos personagens, situações-limite e apresentação do mundo paralelo, mas quando mergulhamos no universo dos quadros, a leitura deslancha, com aventuras eletrizantes e enigmas inteligentes.
A autora dona de uma brasilidade sensacional conseguiu mesclar fatos da nossa história à trama, de maneira natural, sem cair na armadilha do didatismo e olha que não é tarefa fácil encontrar livros que retratem nossa história e cultura.
Um parágrafo à parte para dois personagens que na minha opinião deixaram um pouco a desejar: o vilão, Donato, unidimensional, não acrescentou muito à trama e a mãe de Letícia com uma pegada de suspense que poderia ter sido melhor aproveitada.

Picta Mundi é um livro independente com edição linda e caprichada, uma surpreendente narrativa, personagens cativantes, escrita leve e sem furos com um final coerente e bem redondinho que não deixa pontas soltas.
Uma fantasia nacional infantojuvenil, para todas as idades, imperdível!


Abraços Literários e até a próxima.


sábado, 1 de abril de 2017

Sete Minutos Depois Da Meia-Noite

                                                                                  

Sinopse: Conor é um garoto de 13 anos e está com muitos problemas na vida.
A mãe dele está muito doente, passando por tratamentos rigorosos. Os colegas da escola agem como se ele fosse invisível, exceto por Harry e seus amigos que o provocam diariamente. A avó de Conor, que não é como as outras avós, está chegando para uma longa estadia. E, além do pesadelo terrível que o faz acordar em desespero todas as noites, às 00h07 ele recebe a visita de um monstro que conta histórias sem sentido. O monstro vive na Terra há muito tempo, é grandioso e selvagem, mas Conor não teme a aparência dele. Na verdade, ele teme o que o monstro quer, uma coisa muito frágil e perigosa. O monstro quer a verdade. Baseado na ideia de Siobhan Dowd, Sete minutos depois da meia-noite é um livro em que fantasia e realidade se misturam. Ele nos fala dos sentimentos de perda, medo e solidão e também da coragem e da compaixão necessárias para ultrapassá-los.

Sabe aqueles livros que te conquistam logo de cara?
Foi o que aconteceu quando me deparei  com  “Sete minutos depois da meia noite”,
(O Chamado do Monstro) do autor Patrick Ness.
Fiquei intrigada com a capa e com a premissa de uma criança ter o mesmo pesadelo todos os dias às 00:07.
Nunca havia lido nada do Patrick Ness (nem da Siobhan Dowd, de quem foi a ideia original para história), ou seja, não tinha uma pista de como seria sua escrita ou o que esperar.

                                                                               


Não tinha expectativa alguma e nem sabia da adaptação do roteiro pelo próprio autor para as telonas (o filme estreou em janeiro 2017), e encerrei a leitura com um sorriso no rosto.
Os personagens de Ness entram em sua mente, encontram morada em sua consciência, dialogam contigo, e terminado o livro, eles continuam lá.

Conor é um garoto de treze anos que enfrenta grandes problemas levando em consideração sua pouca idade. Seus pais são divorciados, a sua mãe passa por um tratamento rigoroso, seu pai construiu outra família do outro lado do mundo e ele precisa conviver com a avó que mantém abissal distância emocional dele.
No começo foi um pouco difícil criar empatia com Conor, ele não o tipo de menino fofo, que vemos nos sick-lit, nem é o geek cute introvertido. Mas ao chegar a conclusão que ele é só um garotinho normal com  reações normais para alguém da sua idade passando pela sua situação, bom aí  você já virou amiga de infância dele. 
Na escola é invisível exceto para alguns alunos que praticam bullying contra ele.
Daí vocês dizem está de bom tamanho certo? Não!
Para completar todos os dias sete minutos depois da meia noite ele tem o mesmo pesadelo...

Até que um dia a velha árvore que tem em seu quintal assume a forma de uma criatura sobrenatural e faz um acordo com ele em troca da verdade se não irá devorá-lo.
A verdade não é algo tão simples e é o que Conor mais teme.
A princípio achei que o livro mesclaria fantasia e terror, os dois elementos em um enredo me agrada, mas para minha surpresa o destaque maior ficou por conta do drama. Existem siiiim elementos de terror e fantasia, mas essa pegada fica em segundo plano em relação às questões existenciais protagonista, estabelecendo uma linha tênue entre realidade e fantasia.
E é exatamente aí que reside a magia desse livro, na relação entre a vida de uma criança que passa por grandes turbulências e os elementos fantásticos que são apresentados ao longo da trama.
O livro levanta questões sérias como o bullying, a dor da perda, o relacionamento familiar e principalmente sobre a verdade.

Em algum momento, a vida vai te mostrar que você não pode controlar tudo.
 O Chamado do Monstro (ou sete minutos depois da meia-noite) também se apresenta como um dos caminhos para entender toda a frustração e dor que está na descoberta do incontrolável.
Temas abordados de forma intensa e ao mesmo tempo leve pelo fato do narrador ser uma criança. Os conflitos internos vividos são descritos de forma delicada e sensível, o desenvolvimento da narrativa é simples, porém capaz de encantar aos leitores.
A trama não perde o foco principal, todos os fatos se conectam e todas as pontas são devidamente amarradas no final.
A escrita é fluida e envolvente sendo possível ler o livro em algumas horas.
Acredito ainda que cada leitor irá extrair uma lição diferente ao longo da leitura, por isso ouso dizer e asseguro que apesar de ser uma obra infantojuvenil, pode ser lida por leitores de todas as idades e acreditem, vocês vão amar <3


Recomendadíssimo!

Abraços Literários e até a próxima.


sexta-feira, 15 de maio de 2015

Caneca Literária #22: A Menina que Semeava-

                                                                                   
 


A Caneca Literária de hoje é para VCS que assim como nós amam histórias de amor, mas amor tipo assim incondicional,  amizade e fantasia, e tem no coração toda a esperança do mundo!
As canecas estão lindamente decoradas com plantinhas super no clima de Tamarisk.

                                                                                



                                                                                 



                                                                               



A Menina que Semeava – Lou Aronica

Chris Astor é um homem maduro, um botânico bem-sucedido, mas, especialmente, um pai amoroso. Sua filha Becky é, para ele, seu maior e melhor projeto. Mas a garota, tão amada, tem câncer.
O que pode um pai quando sua filha foi acometida por uma doença assim, nociva? Como diminuir o sofrimento de uma criança tão amada?
Apesar de sua agonia, Chris encontra uma maneira mágica de acolher sua menininha. Para que ela se recupere bem, e mais rapidamente, ele cria um mundo paralelo, cheio de fantasias, e histórias, e personagens maravilhosos que parecem ter o poder milagroso da convalescença.
E nada no mundo, nem sua sanidade, nem seu trabalho, nem mesmo sua ex-mulher serão obstáculos para a determinação deste pai que só tem o propósito de ver sua filha feliz.
Uma história sobre desespero, esperança, invenção e descoberta que ultrapassa qualquer razão, qualquer limite, enquanto você revê tudo aquilo em que acredita.

De vez em quando surge uma história que me surpreende completamente, pois oferece muito mais do que eu esperava; mais profundidade, mais sentimento (...) gostaria de ter mais de cinco estrelas para oferecer. Between the Pages

Um romance de fantasia convincente, que aperta seu coração e enche seus olhos. Muito bem escrito; seu mundo ganha vida em cores vivas na sua mente, e a esperança e a magia irão mantê-lo até tarde da noite a virar as páginas. Spot Minding

Definitivamente um daqueles livros que todo mundo deveria ler. Book Noise


A Menina que Semeava é um título Sick-lit (mais um ...) cujo termo deriva de duas palavras em inglês. Sick, que significa doente ou doença e Lit, que se refere a literatura; o que o torna bem auto-explicativo. Pacientes com severas doenças,  física ou mental que não iludem seus leitores sobre finais felizes. Neste gênero literário os personagens refletem sobre a vida e, sobretudo, o conceito da morte, no entanto, sem ser melancólico.

“É preciso noite para surgir o dia”

Esse era um dos livros pelo qual estava  muito ansiosa para ler e com grandes expectativas. Não me prendo a rótulos por isso o fato de ser um sick lit seria até um fator negativo já que me emociono demais com esse gênero e é quase impossível ler já que me acabo de chorar, o que é devastador, mas o fato de ser uma fantasia convincente, com mundos paralelos, isso sim me atraiu.
A narrativa mescla realidade com fantasia de uma forma esplêndida e a  leitura foi tão presente em demonstrar e sensibilizar a realidade e a imaginação tanto da protagonista quanto dos personagens secundários que encanta, fascina, instiga e envolve.
O amor de Chris por sua filha Becky.
O amor de Polly por sua filha Becky.
Cada um a sua maneira e ambos arrebatadores.
O amor de Becky por Chris e Polly.
Entre os personagens secundários Lonnie, a melhor amiga de Becky, merece um ( ) por sua dignidade, lealdade,  amizade a toda prova,  solidariedade, compartilhamento e sua tamanha generosidade, que não me lembro de ter tido um personagem pelo qual eu me encantasse tanto, há muito tempo.
Lisa, a melhor amiga de Chris.
Al, o padrasto de Becky, responsável em grande parte pelos momentos mais leves, descontraídos e de união.
Gage, o personagem misterioso, uma espécie de “consciência”, que oferece “dons”.
Infelizmente, como nada é perfeito, não consegui gostar de cara da protagonista nem de sua “criação” a princesa Miea.
A Menina que Semeava não é um livro triste, pelo menos não é esse o mote da narrativa, muito menos um livro que vai falar sobre morte.
“Semear” aqui tem o sentido de viver.
           
O autor foi extremamente feliz ao mostrar que a imaginação é importante em nossa vida, quando nos deparamos com problemas, não como fuga, mas como alívio, esperança e conforto.
É isso que Chris e Becky fazem a cada viagem para Tamarisk. É isso que nós fazemos quando lemos um livro, tomamos um café com as pessoas que amamos, quando cuidamos das nossas flores no jardim, quando brincamos com nossos animaizinhos, quando nos entretemos com arte ...
É um romance de esforço, esperança, invenção e redescoberta.
Ele pode muito bem levá-lo a algum lugar que você nunca imaginou que existisse.

Desde o começo fica clara a simbiose entre a saúde de Becky e a praga no reino de Tamarisk, O paralelo que o autor traça entre o reino e Becky é bastante interessante – quando ela está doente, o reino também adoece – a cura de um seria a cura do outro. 
Um livro que trabalha assuntos difíceis como a separação dos pais, câncer infantil e adolescência.
Esse não é um livro sobre adolescentes comuns (nem mesmo é um livro comum), e uma inteligente leitura sobre uma criança que se deparou prematuramente com a ameaça do fim e  teve de aprender a lidar com ele.
Lou Aronica, optou por narrar a história em trechos alternados, ora nos apresentando o que se passa com Becky, Chris, ou outra pessoa do mundo real; ora nos contando sobre o que se passa no reino de Tamarisk.

O livro tem uma edição muito bonita, a capa tem a aura de Tamarisk, toda em azul, aliás,  Blue é o título original da obra. E em minha opinião tanto a capa como o marcador de página estão perfeitamente inseridos no espírito da narrativa.

                                                                                 



A leitura não é agradável, leve ou confortável, mas te arrebata, te faz virar páginas umas após as outras de maneira voraz, e te transporta para um mundo onde há azul por todos os lados, e onde os cheiros predominantes são framboesa e chocolate. Onde os pássaros no céu são criaturas “peludas” que parecem imensas gaivotas e são chamadas de waccasassa e nelas VC pode subir e voar. Onde há animais por todas as partes.
Um verdadeiro paraíso para botânicos, zootecnistas e  para todas as pessoas!
Mas além de toda a fantasia A Menina que Semeava é uma  história de amor.

Decifre os mistérios desse amor e a aventura de salvar Tamarisk. 
                                                                                                                  
E vocês estão esperando o que?
Viajem já  para Tamarisk!
“ Ela cochichou em seu ouvido:
-Pai, VC não vai acreditar nisso: Tamarisk é real.
Então o beijou novamente e foi embora.” (pág 106)

“As cores eram arrebatadoras. Havia azul por todos os lados. Becky achava mais interessante se as folhas das árvores de Tamrisk fosse azuis em vez de verdes.” (pág 133)

“A imaginação tem potencial para alcançar o inimaginável.” (pág 140)


 Uma leitura mais do que recomendada. Imperdível!
E inesquecível.

  
Abraços Literários e até a próxima.