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sábado, 30 de junho de 2018

HEX-


                                                                               


A minúscula Black Spring parece um lugar agradável. Natureza em abundância, crianças brincando nas ruas e histórias que tomam conta das cidades em qualquer lugar do mundo. Tem vários séculos de existência e se mantém relativamente isolada de seus vizinhos, ainda que mantenha um festival anual para movimentar o comércio local. Uma cidade com mais História, mitologia e personagens importantes do que seus visitantes poderiam imaginar.

                                                                             


Eu tinha três motivos para achar que o livro seria bom: o plot com mistérios, o autor premiado com o Hugo Awards e a quantidade de países que adquiriram os direitos de publicação da obra.
A narrativa apresenta a vida dos habitantes de Black Spring, uma cidadezinha do Vale do Hudson, nos EUA. Comum à primeira vista, a cidade esconde uma maldição. Katherine van Wyler, uma bruxa do século XVII, caminha pelas ruas, entra nas residências, desaparece e reaparece em lugares diferentes. Todos na cidade sabem que ela não deve ser incomodada, não deve ser tocada e não devem quebrar as amarras que mantêm seus olhos e boca costurados, nem as correntes que prendem suas mãos, já que as consequências podem ser devastadoras se alguém desafiar as regras.
A maldição faz com que os habitantes de Black Spring permaneçam presos ao local.
Eles até podem se afastar por um curto período, mas se esse tempo é estendido, uma sutil e fatal depressão se instala e só é percebida quando uma corda já está amarrada em seu pescoço e uma cadeira balança por baixo de seus pés.
Com tantas regras criadas para esconder a existência da Bruxa do resto do mundo, foi criada uma agência de monitoramento com câmeras por toda a cidade e um aplicativo de celular para monitorar Katherine.
É essa agência de monitoramento, a HEX, que dá título ao livro.
Esse clima rígido incomoda as gerações mais novas do local e o foco se desvia para o conflito de gerações. Um grupo de garotos que pretendem se rebelar contra a bruxa e a cidade cria um site chamado “Abra seus Olhos”, com o objetivo de reunir imagens e evidências sobre Katherine, o que é proibido.
HEX tem um número considerável de personagens importantes, mas se eu fosse escolher um protagonista, seria Steve Grant que se culpa por ter trazido a família para morar no local.
O autor revela os segredos aos poucos e à medida que são revelados, somos inseridos no drama dos habitantes e também da Katherine, cujo passado trágico é bem triste. 

                                                                       


A história tem premissa interessante e traz uma pegada de contemporaneidade ao cenário medieval, mas superficial, o que acaba configurando só mais uma história de bruxa.
Talvez o problema seja a versão, já que o idioma holandês não é comum e a nova versão é uma reconstrução do original, onde o cenário deixa de ser exótico para se parecer com um romance americano.
A qualidade da obra talvez esteja em nos transportar para dentro de Black Spring e nos fazer observar o mal que uma comunidade que sucumbiu ao medo e ao terror é capaz de manifestar.
Um exemplo que nós, humanos, ainda somos os piores monstros.

Abraços Literários e até a próxima.