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sábado, 24 de fevereiro de 2018

Viva: A Vida é uma Festa-


                                                                                 

Indicado ao Oscar 2018 na categoria animação, “Viva: A Vida é uma Festa” conta a história de Miguel Rivera, um garoto de 12 anos que sonha ser um músico famoso como seu ídolo, Ernesto de La Cruz, um lendário cancioneiro mexicano que morreu décadas atrás de maneira trágica. Sua devoção pela música faz com que se sinta dividido entre a paixão e a família que deslegitima a arte musical, desencorajando o garoto.
Ele então parte em uma jornada durante o feriado do dia de los muertos, encontra o túmulo de De La Cruz, onde está depositado seu misterioso violão, alcança o instrumento, toca e como que por encanto cai na dimensão dos mortos e volta ao passado para descobrir o que aconteceu com seu bisavô.
O protagonista terá que lidar com seus parentes mortos, que assim como os vivos, desaprovam sua paixão pela música.
Nessa viagem contará com a ajuda do cachorro Dante e de Hector, um morto que não consegue visitar o mundo dos vivos uma última vez.
A relação entre Miguel e Hector e do garoto com a família são envolventes e as motivações dos personagens, seja mal resolvida no mundo dos vivos ou bem argumentada no universo dos mortos são coerentes.
Lo Dia De Los Muertos é uma data importante no México para refletir sobre esse evento inevitável da vida que é a morte, para recordar quem partiu e celebrar sua presença na vida daqueles que os amam.
O longa é uma homenagem geográfica e contextualizada, voltada à arte de um povo e à família. Mostrá-las interligadas estabelece uma conexão que valida a história. Miguel vai aprender que perseguir um sonho tem um preço, a importância da família e que morrer não é ruim, é apenas mais uma etapa da vida.
É o primeiro filme com elenco totalmente latino a atingir o orçamento de US$ 200 milhões e o original conta com vozes de Gael García Bernal como Hector e Anthony Gonzalez, que tem chamado a atenção indicando um talento em potencial, como a Miguel.
É um filme divertido, mas que brinca com a emoção do espectador. O roteiro segue uma montanha-russa de reviravoltas que mesmo previsíveis causam impacto e a sequência final do filme é um soco no estômago, faz qualquer um se acabar em lágrimas.
Ainda assim, o espectador sai do cinema com um sorriso no rosto.
Empregando efeitos de luz e sombra de modo a criar o Mundo dos Mortos de forma viva (pun not intended) tecnicamente a animação é uma lindeza!
A vila onde Miguel mora é uma comunidade rural e o filme é uma homenagem aos antigos musicais conferindo um viés nostálgico.
Sem falar no bacanérrimo aspecto visual das calaveras em si: os mortos possuem grande leque de animações graças ao fato de serem “desmontáveis” e flexíveis gerando piadinhas visuais bem executadas que só são possíveis nesse contexto.
A música é outro ponto forte: Michael Giacchino (Ratatouille, Up!, Star Trek: Sem Fronteiras) compôs uma excelente carta de temas inspirados no estilo Mariachi e as canções são bacanérrimas.
Até é uma repaginação dos valores e clichês da Disney, mas em Viva — A Vida é Uma Festa eles foram usados de uma maneira singular contando uma história de amor, amizade e perseverança, regada pela riquíssima cultura mexicana e uma excelente trilha sonora, com doses exatas de humor e emoção onde o tema central é a família, seja de vivos ou mortos.

Abraços Literários e até a próxima.