Indicado
ao Oscar 2018 na categoria animação, “Viva: A Vida é uma Festa”
conta a história de Miguel Rivera, um garoto de 12 anos que sonha
ser um músico famoso como seu ídolo, Ernesto de La Cruz, um
lendário cancioneiro mexicano que morreu décadas atrás de maneira
trágica. Sua devoção pela música faz com que se sinta dividido
entre a paixão e a família que deslegitima a arte musical,
desencorajando o garoto.
Ele
então parte em uma jornada durante o feriado do dia de los muertos,
encontra o túmulo de De La Cruz, onde está depositado seu
misterioso violão, alcança o instrumento, toca e como que por
encanto cai na dimensão dos mortos e volta ao passado para descobrir
o que aconteceu com seu bisavô.
O
protagonista terá que lidar com seus parentes mortos, que assim como
os vivos, desaprovam sua paixão pela música.
Nessa
viagem contará com a ajuda do cachorro Dante e de Hector, um morto
que não consegue visitar o mundo dos vivos uma última vez.
A relação entre Miguel e Hector e do garoto com a família são
envolventes e as motivações dos personagens, seja mal resolvida no
mundo dos vivos ou bem argumentada no universo dos mortos são
coerentes.
Lo
Dia De Los Muertos é uma data importante no México para refletir
sobre esse evento inevitável da vida que é a morte, para recordar
quem partiu e celebrar sua presença na vida daqueles que os amam.
O
longa é uma homenagem geográfica e contextualizada, voltada à arte
de um povo e à família. Mostrá-las interligadas estabelece uma
conexão que valida a história. Miguel vai aprender que perseguir um
sonho tem um preço, a importância da família e que morrer não é
ruim, é apenas mais uma etapa da vida.
É
o primeiro filme com elenco totalmente latino a atingir o orçamento
de US$ 200 milhões e o original conta com vozes de Gael García
Bernal como Hector e Anthony Gonzalez, que tem chamado a atenção
indicando um talento em potencial, como a Miguel.
É
um filme divertido, mas que
brinca com a emoção do espectador. O
roteiro segue uma montanha-russa de reviravoltas que mesmo
previsíveis causam impacto e
a sequência final do filme é um soco no estômago, faz qualquer um
se acabar em lágrimas.
Ainda
assim, o espectador sai do cinema com um sorriso no rosto.
Empregando
efeitos de luz e sombra de modo a criar o Mundo dos Mortos de forma
viva (pun
not intended)
tecnicamente a animação é uma lindeza!
A
vila onde Miguel mora é uma comunidade rural e o filme é uma
homenagem aos antigos musicais conferindo um viés nostálgico.
Sem
falar no bacanérrimo aspecto visual das calaveras em
si: os mortos possuem grande leque
de animações graças ao fato de
serem “desmontáveis” e flexíveis gerando
piadinhas visuais bem executadas que só são possíveis nesse
contexto.
A
música é outro ponto forte: Michael Giacchino (Ratatouille,
Up!, Star Trek: Sem Fronteiras)
compôs uma excelente carta de temas inspirados no estilo Mariachi e
as canções são bacanérrimas.
Até
é uma repaginação dos valores e clichês da Disney, mas em Viva —
A Vida é Uma Festa eles
foram usados de uma maneira singular
contando uma história de amor,
amizade e perseverança, regada pela riquíssima cultura mexicana e
uma excelente trilha sonora, com doses exatas de humor e emoção
onde o tema central é a família, seja de vivos ou mortos.
Abraços
Literários e até a próxima.
