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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Só os Animais Salvam-

                                                                                   


Sinopse: Nós, humanos, nos achamos o máximo. Mas o que temos feito com o nosso mundo?
"Só os Animais Salvam" é um livro que tenta responder a essa pergunta de maneira inusitada.
Cada um de seus contos é uma fábula moderna, narrada por um bicho diferente, vítima de uma de nossas incontáveis guerras. Em meio ao caos, os animais conseguem encontrar esperança e inspiração numa das atividades mais significativas que nossa espécie já criou: a literatura.
A autora Ceridwen Dovey, antropóloga Sul Africana, reúne fragmentos e personagens da obra de escritores imortais e nos faz sonhar o sonho dos inocentes.

                                                                                      


Só os Animais Salvam reúne dez fábulas narradas por animais distintos em diferentes momentos históricos contemporâneos.
Os contos se passam em diversos conflitos, como a Primeira e Segunda Guerra Mundial, a Guerra Fria, a Guerra do Iraque, a Guerra Civil de Moçambique ou a Guerra da Bósnia.
Os contos respeitam uma ordem cronológica tornando a leitura mais fácil
Em cada início de capítulo temos a espécie do animal, a data e o local onde foi morto e sua alma contando como isso aconteceu
Camelo, Gata, Chimpanzé, Cachorro, Mexilhão, Tartaruga, Elefante, Urso, Golfinho e Papagaio.
São animais que testemunham as decisões e as ações humanas de perto.
Interessante observar a guerra pelo ponto de vista desses animaizinhos pelos quais nos apegamos independente de sua espécie.
O livro nos proporciona uma reflexão angustiante sobre como a barbárie humana afeta direta e indiretamente espécies inocentes.
Com o objetivo de homenagear grandes nomes que escreveram sobre animais, a autora por vezes transcreve e parafraseia escritos famosos da literatura.
Thomas Man, Leon Tolstoi,, Virgínia Wolf, José Saramago, Franz Kafka e George Orwell quando ele escrevia o clássico “A Revolução dos Bichos”.
Um pensamento cruzou minha mente: por que os humanos escolhiam enxergar tantos animais nos arranjos das estrelas? Quem juntou os primeiros pontos? (Conto Alma de Tartaruga)”.
É difícil dizer quais contos gostei mais, são todos comoventes, mas alguns como Alma de Cachorro”, “Alma de Gata”, “Alma de Papagaio”  e “Alma de Tartaruga” me marcaram.
Todos os contos apresentam suas peculiaridades mostando que há mais do que as palavras deixam transparecer o que os torna especiais a sua maneira tendo em consenso a delicadeza com que descreve a pureza e a nobreza de sentimentos dos animais e o sabor amargo que fica ao final de cada conto quando percebemos que o “animal racional” é de longe o mais cruel deles.
Então nos pegamos questionando sobre a “racionalidade” humana.
Por que nos julgamos tão superiores aos animais?
Lendo o relato de qualquer guerra fica transparente que a ganância corrompe aos poucos a alma e que situações extremas, como a fome e o medo, despertam o pior dentro de nós.
A mensagem que fica é que precisamos parar de olhar para nós mesmos como o centro do universo, devemos exercitar a consciência e o respeito aos animais e reconhecer o amor incondicional, a fidelidade e fragilidade dos mesmos.

                                                                                      


O livro não é fofinho como podem deduzir, pessoalmente não recomendo para quem assim como eu é sensível no trato com os animais, chora até desidratar só de pensar no que eles passaram, para quem não gosta de acontecimentos históricos detalhados e naturalmente para quem não gosta de detalhes muito técnicos biologicamente falando sobre animalitos.
Mas sem dúvidas é um livro interessante, inusitado, singular e corajoso.

Abraços Literários e até a próxima.