Sinopse:
Nós, humanos, nos achamos o máximo. Mas o que temos feito com o
nosso mundo?
"Só
os Animais Salvam" é um livro que tenta responder a essa
pergunta de maneira inusitada.
Cada
um de seus contos é uma fábula moderna, narrada por um bicho
diferente, vítima de uma de nossas incontáveis guerras. Em meio ao
caos, os animais conseguem encontrar esperança e inspiração numa
das atividades mais significativas que nossa espécie já criou: a
literatura.
A
autora Ceridwen Dovey, antropóloga Sul Africana, reúne fragmentos e
personagens da obra de escritores imortais e nos faz sonhar o sonho
dos inocentes.
Só
os Animais Salvam reúne dez fábulas narradas por animais distintos
em diferentes momentos históricos contemporâneos.
Os
contos se passam em diversos conflitos, como a Primeira e Segunda
Guerra Mundial, a Guerra Fria, a Guerra do Iraque, a Guerra Civil de
Moçambique ou a Guerra da Bósnia.
Os
contos respeitam uma ordem cronológica tornando a leitura mais fácil
Em
cada início de capítulo temos a espécie do animal, a data e o
local onde foi morto e sua alma contando como isso aconteceu
Camelo, Gata, Chimpanzé, Cachorro, Mexilhão, Tartaruga, Elefante, Urso, Golfinho e Papagaio.
Camelo, Gata, Chimpanzé, Cachorro, Mexilhão, Tartaruga, Elefante, Urso, Golfinho e Papagaio.
São
animais que testemunham as decisões e as ações humanas de perto.
Interessante
observar a guerra pelo ponto de vista desses animaizinhos pelos quais
nos apegamos independente de sua espécie.
O livro
nos proporciona
uma reflexão angustiante sobre como a barbárie humana afeta direta
e indiretamente espécies inocentes.
Com
o objetivo de homenagear grandes nomes que escreveram sobre animais,
a autora por vezes transcreve e parafraseia escritos famosos da
literatura.
Thomas
Man, Leon Tolstoi,, Virgínia Wolf, José Saramago, Franz Kafka e
George Orwell quando ele escrevia o clássico “A Revolução dos
Bichos”.
“Um
pensamento cruzou minha mente: por que os humanos escolhiam enxergar
tantos animais nos arranjos das estrelas? Quem juntou os primeiros
pontos? (Conto Alma de Tartaruga)”.
É
difícil dizer quais contos gostei mais, são todos comoventes, mas
alguns como “Alma
de Cachorro”, “Alma de Gata”, “Alma de Papagaio” e “Alma
de Tartaruga” me marcaram.
Todos
os contos apresentam suas peculiaridades mostando que há mais do que
as palavras deixam transparecer o que os torna especiais a sua
maneira tendo em consenso a delicadeza com que descreve a pureza e a
nobreza de sentimentos dos animais e o sabor amargo que fica ao final
de cada conto quando percebemos que o “animal racional” é de
longe o mais cruel deles.
Então
nos pegamos questionando sobre a “racionalidade” humana.
Por
que nos julgamos tão superiores aos animais?
Lendo
o relato de qualquer guerra fica transparente que a ganância
corrompe aos poucos a alma e que situações extremas, como a fome e
o medo, despertam o pior dentro de nós.
A
mensagem que fica é que precisamos parar de olhar para nós mesmos
como o centro do universo, devemos exercitar a consciência e o
respeito aos animais e reconhecer o amor incondicional, a fidelidade
e fragilidade dos mesmos.
O
livro não é fofinho como podem deduzir, pessoalmente não recomendo
para quem assim como eu é sensível no trato com os animais, chora
até desidratar só de pensar no que eles passaram, para quem não
gosta de acontecimentos históricos detalhados e naturalmente para
quem não gosta de detalhes muito técnicos biologicamente falando
sobre animalitos.
Mas
sem dúvidas é um livro interessante, inusitado, singular e
corajoso.
Abraços
Literários e até a próxima.

