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quarta-feira, 22 de maio de 2019

Hostis


                                                                             


O gênero western se desenvolveu como um dos mais importantes para o cinema americano em específico, e para a sétima arte como um todo. Diversos diretores revisitam e fazem a releitura da temática usando uma história sobre o passado para falar sobre o presente.

É exatamente isso que ocorre em Hostis, escrito e dirigido por Scott Cooper que nos transporta para 1892 no Oeste americano para testemunhar a última missão de um soldado.
A história acompanha o capitão Joseph Blocker (Christian Bale), que é obrigado a escoltar o chefe Yellow Hawk (Wes Studi) e sua família para o estado de Montana. Seria só mais um trabalho de campo se ele não tivesse sido o responsável pela prisão do chefe e não o odiasse pela morte de vários amigos seus em batalha.

Blocker dedicou 20 anos de serviço caçando, matando e prendendo nativos americanos, portanto, levar um de seus rivais, garantindo a sua segurança, não é uma tarefa fácil, nem do ponto de vista logístico, nem da moral do personagem, envolvendo conflito de dever e ética. E esse conflito fica evidente na atuação de Christian Bale com uma performance forte que evidencia uma raiva contida que cresce no personagem, explodindo em momentos de violência. E é ele também quem protagoniza os diálogos mais impactantes revelando sempre mais de sua personalidade repleta de camadas.
Acompanhado por um grupo heterogêneo de soldados: outro veterano, um soldado negro que se destaca pelo fato da história se passar 30 anos depois da abolição da escravatura nos Estados Unidos, além de novatos, um francês e um formado em West Point, despreparados para a missão.

A fotografia é sensacional com paisagens magníficas e uma sucessão de trajetos que colocam os personagens como parte da natureza e em outros momentos diminuídos pela grandeza dela.
A caminhada mostra que o ser humano é hostil de maneira geral: Do ponto de vista dos soldados, os índios são o violento inimigo que impede o desenvolvimento e pela ótica dos nativos, os vilões são os desbravadores que tomam para si as terras onde eles viviam.

Surgem no caminho muitas adversidades, bem como Rosalee Quaid (Rosamund Pike), que viu toda a família ser dizimada por uma das tribos indígenas, o que acrescenta novas camadas à história.
A atuação de Rosamund Pike é impactante e a atriz rouba a cena sempre que aparece.

O diretor Scott Cooper entrega um entretenimento como convém à sétima arte, mas sem deixar de lado a arte que deve compor o entretenimento.
Hostis” se coloca como um western moderno e de qualidade.
Um filme com grandes e inspiradas atuações, uma história interessante, fotografia extraordinária e um roteiro escrito com maestria.
Simples em seu conceito e elaborado em seu desenvolvimento, é uma película que vale muito a pena ser vista especialmente se você, assim como eu, é fã do gênero.

Abraços Literários e até a próxima


segunda-feira, 21 de maio de 2018

A Qualquer Custo-


                                                                              

A Qualquer Custo é um dos melhores filmes que já assisti no gênero western!
Com direção de David Mackenzie e roteiro de Taylor Sheridan acompanhamos a história de dois irmãos, Toby (Chris Pine) e Tanner (Ben Foster), que planejam um bem engendrado roubo a uma rede de bancos do Texas Midlands Bank, numa época de recessão.
Toby e Tanner, proporcionalmente foras da lei pobres e personagens humanos ricamente construídos, “em seus pontos de vista” têm uma boa razão para fazer o que estão fazendo.
O filme tem ótimas atuações de Pine, Foster e Jeff Bridges, o patrulheiro que assume obstinadamente o caso.
É uma releitura, porém, como se fosse um western com cowboys de outro tempo.
O gênero determina o ritmo do filme, masssss não aquele western com mocinhas em perigo e duelos e sim uma interessante versão atualizada, inclusive o vilão não é um vilão de carne e osso, mas uma instituição.
A forma frenética seguida, as montagens bem valorizadas aproveitando cada ação dos personagens – em ação ou em diálogos – mostrando de forma dinâmica o plano dos irmãos, uma trilha sonora intensa que vai do rock ao country e uma fotografia sensacional em que prevalece os tons de verde, amarelo e mostarda, a película evidencia como a constante visualização das desigualdades pode se tornar extremista em atitudes até então sequer cogitadas.
Os irmãos nos levam, enquanto espectadores, assim como os moradores locais, ao mesmo desejo de liberdade, enquanto o patrulheiro acredita num código moral que o faz caçar simplesmente pelo que ele acredita ser errado, ainda que ele próprio seja politicamente incorreto, mostrando seu lado ¨texano racista¨ sempre fazendo comentários para seu parceiro Alberto Parker (Gil Birmingham), que releva constantemente as situações.
Toby e Tanner estão em rota de colisão – com a lei e com eles mesmos – mas A Qualquer Custo não vai te levar para onde se espera, o filme cresce a cada ação desestabilizada de seus protagonistas.
A história está do lado “bom” das coisas, mesmo que esse lado seja na verdade, o errado.

Prende a atenção do início ao fim e se no final romantiza certos elementos, no decorrer da narrativa faz um retrato bastante interessante da realidade.

Para quem gosta do gênero western é imperdível.

Abraços Literário e até a próxima.


sábado, 14 de janeiro de 2017

Cine Clube #26: Sete Homens e Um Destino-

                                                                                   


The Magnificent Seven, EUA, 2016
Gênero: Western
Duração: 132 min.
Elenco: Denzel Washington,Chris Pratt, Ethan Hawke, Vincent D’Onofrio, Peter Sarsgaard, Byung-hun Lee, Manuel Garcia-Rulfo, Haley Bennett, Martin Sensmeier, Vinnie Jones, William Lee Scott
Trilha Sonora: James Horner, Simon Franglen
Roteiro: John Lee Hancock, Nic Pizzolatto
Direção: Antoine Fuqua

                                                                                

Sete Homens e Um Destino, 2016, nova versão dirigida por Antoine Fuqua é o remake de Sete homens e um destino, 1959 dirigido por John Sturges, que é o remake de Os Sete samurais, 1954, de Akira Kurosawa, que por sua vez é uma homenagem aos velhos westerns de Hollywood.
Se a versão de 1959 nos oferecia não só um painel do era a vida no oeste americano do final do século XIX, mas também nos apresentava um pouco dos aspectos heroico e desajustado dos estereótipos do gênero, a nova versão  que assistiu a morte e renascimento do gênero além do western spaghetti nos traz uma série de inserts que tem tudo a ver com o século XXI, como um homem negro (Denzel lindo Washington) como líder do bando, Chris (sensacional) Pratt, interpretando um irlandês, como um dos protagonistas do filme, e ele manda super bem (Guardiões da Galáxia tinha uma pegada western sideral ou estou viajando?????), o lindooooooo mexicano Manuel Garcia-Rulfo (no papel que seria de Wagner Moura), uma mulher super disposta a lutar pelo seus direitos com arma de fogo e tudo o mais (Haley Bennet), um mito (Ethan Hawke) com síndrome de pânico, um índio (Martin Sensmeier), um representante da old class (Vincent D’Onofrio) e o vilão Peter Sarsgaard, que já no prólogo toca o terror, conferindo bastante maldade na cena da invasão à igreja.
Sem falar que a parceria entre Denzel Washington e Antoine Fuqua já havia se consolidado em Dia de treinamento (2001) e O Protetor (2014).

Western se faz com sangue, bala e violência, mas o limite não pode e não deve ser ultrapassado (como fez Quentin Tarantino em Os oito odiados, com o perdão do trocadilho, que ódioooo desse filme!!!) fazendo do filme  um tiro certeiro como fez Fuqua.
Uma aventura que faz homenagens válidas e referências a tantos outros filmes, inclusive trilha sonora, com um tom mais leve, diminui o impacto do drama, mas não compromete a qualidade e promove a revitalização do gênero.
Para quem gosta do gênero dá até para sentir o espírito dos anos 50!

Em minha opinião, recomendadíssimo


Abraços Literários e até a próxima.